Arquivo para 16 junho, 2008

A mentira tem a perna curta

junho 16, 2008

 

“Fiquei chateado com a maneira como foi conduzido, talvez surpreso. Eu estava me preparando e fazendo tudo como havia sido combinado, mas na última hora o doutor Runco me ligou avisando que eu estava cortado”

Kaká (Programa Bem Amigos- SPORTV)

TCU e CBF unidos pelo Mundial.

junho 16, 2008

A pouca vergonha no futebol e na política brasileira parece não ter fim.

Chega a enojar.

O Ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Marcos Vilaça, é um dos homens que fiscalizará as contas da Copa do Mundo de 2014.

De maneira indecente ele foi o chefe da delegação brasileira ontem no Paraguai.

Ficou hospedado no hotel Sheraton, um dos mais caros de Assunção.

Ricardo Teixeira o adulava a todo instante.

E ele parecia gostar da situação.

Não tenho dúvidas de que seu parecer na farra da Copa será “imparcial”.

O esgoto está imundo.

E os ratos se divertem.

Ingressos, Cyborg e nervosinhos

junho 16, 2008

Máfia dos ingressos

O blog noticiou recentemente o esquema mafioso de ingressos que existe no Corinthians.

Dirigentes que abastecem cambistas e vagabundos organizados.

O conselheiro vitalício Mané da Carne acusou outro conselheiro do clube, Marcílio Dias, de fazer parte do esquema.

Marcílio rebateu as acusações e disse ainda que Mané não é confiável.

Falou ainda que além de tudo ele é mentiroso, que não faz parte de esquema algum.

Para comprovar o que disse Marcílio montou uma comissão para apurar a máfia dos ingressos.

Já conversou com Carlos Senger, presidente do Conselho Deliberativo que deu sinal verde para que as investigações tenham início.

Estarei acompanhando de perto.

Consigo até sentir o tremor nas pernas de advogados, contraventores e açougueiros.

A casa vai cair.

O protesto de Cyborg

O associado Cyborg causou alvoroço no Parque São Jorge.

Desfilou no clube com uma camiseta em protesto contra o conselho e a diretoria.

Teve gente que gritou, outros queriam proibir a sua entrada, alguns até falavam em agressão.

A carapuça enorme coube em muitas cabeças.

Cyborg agiu de maneira correta.

Pacificamente protestou contra a bandidagem.

Que naturalmente não gostou.

Aviso aos nervosinhos

Algumas pessoas foram citadas ontem pelo blog.

Relatei suas atividades paralelas.

Fiquei sabendo que houve reações histéricas por parte deles.

Apenas para avisá-los, é obvio que tudo o que escrevi tenho documentado.

Seja por meio de “ficha criminal” ou de gravações.

Peço, por favor, que rebatam as acusações.

Quero ter o prazer de publicá-las.

Copa do Mundo 2014 ? Ha ha ha ha ha…..

junho 16, 2008

Você vai ver, no link abaixo, um estudo realizado pelo SINAENCO sobre estado de manutenção e condição dos estádios brasileiros.

Abrange 29 estádios de 18 cidades do Brasil.

Vale a pena conferir.

http://www.copa2014.org.br/pdf/2_por_paginas.pdf

45 do segundo tempo – Entrevista com o Magrão

junho 16, 2008

Da Carta Capital

http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1165

Sócrates, ex-craque do Corinthians e da seleção brasileira sempre considerou que seu papel de homem público ia além das quatro linhas. Dono de um estilo elegante em campo, destacou-se como um dos principais idealizadores do movimento Democracia Corintiana, que lutou contra hábitos autoritários no futebol.

 

CartaCapital: Houve alguma mudança tática substancial no futebol desde a Copa de 1994?

Sócrates: Tática, não. Houve uma evolução física dos atletas. O jogo foi ficando mais feio, com maior contato físico, menos tempo para pensar. Ocorreu uma desvalorização do talento, da habilidade. Na verdade, é um esporte em extinção.

 

CC: Por quê?

Sócrates: O futebol sempre foi fascinante por não premiar a regularidade, por permitir que um time mais fraco ou menos preparado vença. Onde há espaço para o acaso, o incidente. Mas daqui a pouco, do jeito que as coisas caminham, não será mais assim. Todos serão iguais e nem os “acidentes” ocorrerão mais. Por que, se todo mundo se preparar para o óbvio, os riscos de uma adversidade diminui e o jogo vai ficando mais chato. Hoje em dia, torce-se para o trapezista cair. Raramente vê-se uma jogada de talento, de habilidade. Mas, quando ela ocorre, costuma ser decisiva.

 

CC: Aumentar o campo ou diminuir o número de jogadores faria diferença?

Sócrates: Acho que se poderia reduzir o número de jogadores para nove. Mas acho improvável que ocorra essa mudança. Em comparação com os anos 70, quando, acredito, o futebol atingiu o pico de qualidade técnica, houve uma brutal evolução física. Os jogadores, há 30, 40 anos, corriam 4 quilômetros por jogo. Hoje correm mais de 12 quilômetros.

 

CC: O futebol inglês parece um paradoxo, diante dessa realidade. Melhorou tecnicamente, atrai público e, neste ano, dominou a Copa dos Campeões na Europa. O que acontece lá?

Sócrates: O futebol inglês fez o percurso que outros tinham feito antes. Era o mais feio, violento e irracional. No fim dos anos 80, mudaram tudo. Tiveram coragem de mexer nas estruturas: nos clubes, no estádios, na polícia. Lá o futebol deixou de ser foco de conflitos e virou casa de espetáculos. Saíram do fundo do poço porque antes não jogavam futebol. É como o São Paulo atual, que parece um time inglês de 30 anos atrás, o cara que cruza a bola 50 vezes por minuto na área. Os ingleses puseram a bola no chão. Por isso são exceção. No continente europeu, está todo mundo caindo. Os italianos foram os primeiros a instituir a idéia do futebol como negócio, mas não conseguiram sustentar essa estrutura. O fluxo de torcedores aos estádios por lá caiu 40% nos últimos anos.

 

CC: Há algo de especial nessa geração atual do futebol brasileiro?

Sócrates: O jogador brasileiro é diferente, por princípio. Sempre vai ser especial. Isso tem a ver, entre outras coisas, com a miscigenação, com as fibras longas dos nossos atletas. O maior problema é de formação. Isso está cada dia mais claro, até para quem não entende de futebol. Trabalhamos muito mal a base. Não temos escola de treinadores, não há a menor preocupação com a formação intelectual dos indivíduos. Quanto à qualidade, ela caiu. A responsabilidade é da influência do poder econômico, que seleciona um tipo de jogador mais fácil de ser negociado ao exterior, com certas características que, em geral, não estão relacionadas ao talento. Uma escolha burra, no fim. Tem atleta negociado ao exterior que não sabe dar um passe. Se ficasse um mês na Bahia, garanto que encontraria ao menos uns 20 garotos muito melhores do que a maioria dos titulares dos principais times do Brasil. Por que esses moleques não estão nos gramados? Porque não foram descobertos por quem faz a intermediação. Não se busca mais o jogador diferenciado.

 

CC: Por falar em diferenciados, ou diferentes, o que se passa com o Ronaldinho Gaúcho?

Sócrates: Continua tendo o mesmo talento de antes. O que mudou foi a sua relação com o público do Barcelona. Há uma fase em que, como no caso do cantor, tudo que se faz, mesmo os erros, são aplaudidos pelos fãs. Mas o beneplácito acaba quando a paixão acaba. E é muito difícil reconquistar, precisa ter estrutura emocional. Durante dois anos, tudo que o Ronaldinho tentava, dando certo ou errado, era aplaudido. Não que não possa ocorrer novamente, mas hoje ele não tem mais coragem de tentar para não ser criticado. Seu desempenho está muito abaixo do que foi nas últimas temporadas. Acredito que, se lhe derem oportunidade, ele vai fazer as mesmas coisas de antes ou até melhor. Sendo massacrado, ele não vai conseguir manter o nível, que, eventualmente, está mais na fantasia do torcedor do que na sua real habilidade.

 

CC: E o Fenômeno?

Sócrates: Desde que o Ronaldo foi para a Holanda, colocaram uma sobrecarga muito grande sobre ele. Basta ver a sua massa muscular de quando jogava no Cruzeiro e depois de ir para a Europa. Aí não tem ligamento que agüente. Quando o Ronaldo fez a primeira cirurgia do tendão, um especialista, de quem não posso citar o nome, por questões profissionais, contou-me que o outro tendão já estava na mesma situação. Ou seja, era uma questão de tempo estourar também. E foi o que aconteceu. Acabaram com a estrutura física dele. É um típico caso de absurda exploração de imagem. Acabaram com o atleta, com o artista, com o ser humano.

 

CC: De volta ao assunto da formação dos atletas: há alguma iniciativa pública relevante?

Sócrates: Ninguém quer discutir isso. Todo jogador de futebol tinha de ter, no mínimo, nível médio de educação. Para o moleque nascido na periferia, uma das poucas possibilidades de ascensão social no Brasil é virar jogador de futebol. Se o ídolo dele, se o cara que ele ouve sempre, nunca se preocupou com isso, nunca estudou, por que ele vai estudar? O garoto descarta de cara. Só que, dos milhares que sonham em virar profissional, uma centena, e olhe lá, consegue. E o resto? Na verdade, estamos estimulando a marginalização de boa parte da população. Porque os jogadores são referência em tudo neste País. Se moralizarmos o futebol, diminuirmos ou chegarmos perto da extinção da corrupção, da manipulação de resultado, vamos mexer em toda a sociedade, pois o futebol é o que unifica o Brasil. Por que um País tão díspar culturalmente nunca teve nenhuma manifestação séria separatista? Como é que o nordestino conversa com o gaúcho? Ele tem de ter uma linguagem uniforme. Eu acho que uma das linguagens mais presentes, mais importantes, é a do futebol. É a única bandeira nacional. Temos de usar esse meio, esse mecanismo, como fator predominante de mudança.

 

CC: O que acha que deveria ser feito de imediato?

Sócrates: Primeiro, ter maior participação e controle do Estado. Acho um absurdo a manutenção de uma estrutura que não presta contas ao poder estatal e que mexe com tantos símbolos, como a bandeira, o hino, as cores do País. Nada se move pelo interesse nacional. Diga-me um único gesto de promoção da atividade física, do esporte, patrocinado pela Confederação Brasileira de Futebol, a não ser aquelas enganações de campeonatos de favela? Uma entidade que fatura 80 milhões de dólares por ano e investe 100 mil reais.

 

CC: O Brasil terá algum ganho com a Copa de 2014?

Sócrates: Não acredito. Teremos uma festinha de um mês, depois vai sobrar um monte de trambolho que ninguém saberá como manter. Veja o que aconteceu com as instalações do Pan. O estádio Engenhão, que custou mais de 300 milhões de reais, foi alugado ao Botafogo por 29 mil. E o pior: a população, que deveria ser a maior beneficiária, não usa. No caso da Copa de 2014, multiplique por dez as parafernálias do Pan. Vai ser isso. E com dinheiro nosso, não tenha dúvida. Até agora ninguém mexeu uma palha para organizar o evento. Quando chegar 2011, 2012, farão tudo de última hora. Aí fica sem controle, né, de um jeito bem conveniente (risos). Países sérios estariam com tudo planejado. E ainda querem fazer uma Olimpíada aqui.

 

CC: O Michel Platini (ex-jogador, atual presidente da Uefa) propôs limitar o número de jogadores estrangeiros em times europeus a cinco por jogo. O que pensa a respeito?

Sócrates: É absurdo um órgão esportivo tentar meter o bico em decisões que cabem a países. Se a Inglaterra decidir não ter nenhum inglês em campo, o problema é da Inglaterra, é política de Estado. O que a Uefa tem a ver com isso? É muita pretensão.

 

CC: Você gosta do trabalho do Dunga à frente da seleção?

Sócrates: Não vejo nada de mais. Acho incoerente, por exemplo, ele dizer que se preocupa com as Olimpíadas, mas a preparação ser tão ruim, quase nula, como tem acontecido.

 

CC: O Dunga é mais um técnico linha-dura, dentro da tradição autoritária do futebol e do Brasil, não?

Sócrates: Sim. No Brasil, os técnicos promovem a política estrutural dos clubes. Em geral, chega, manda dez embora, contrata outros dez, vai embora em pouco tempo e quem fica com o prejuízo é o time. Como se permite que isso aconteça? Por que toda a estrutura ligada ao futebol é mal construída, não há ninguém comprometido pensando a longo prazo. Veja o Alex Ferguson (treinador do Manchester United). Ele não é um simples técnico. É um cara do clube, está ali há 30, 40 anos. Está mais para um gestor que também faz as vezes de treinador. Não há nada parecido no Brasil. O cara fica um ano no clube, recebe uma proposta melhor e tchau. Como é que vai promover a política de uma instituição com a qual não está comprometido? Por outro lado, como alguém vai se comprometer se não tem estabilidade? No fundo, o gestor tem de ser tratado como sócio.

 

CC: A má-formação dos atletas leva a um gosto por técnicos autoritários? Apreciam o “professor”, o “comandante”…

Sócrates: Há muitos jogadores que gostam disso, pois, quanto mais protegidos, mais besteiras podem fazer. Melhor um ditador do que alguém que dê liberdade. É aquela história: o que o cara vai fazer com a liberdade? A idéia de Democracia Corintiana era dar responsabilidade a todo mundo. Liberdade com responsabilidade, virar gente, homem, cidadão. Alguém imagina um cirurgião cardíaco dormir no hospital para operar no dia seguinte? Por que é preciso a concentração no futebol? É uma relação arcaica. Por exemplo: por que os clubes não fazem contratos com jogadores e treinadores relacionados a resultados? Em vez de altos salários fixos, bônus, cotas. Mas aí os caras pegam um moleque e pagam alto. O sujeito tem 10 anos e já ganha 60 contos por mês (risos). Passa a receber sem a necessidade de produzir à altura, de forma a justificar o ganho. O cara sai da base para o topo da pirâmide em um piscar de olhos sem produzir nada. É absurdo, cria-se um musgo social.

 

CC: O Brasil um dia vai aproveitar a constante safra de jogadores para tornar o futebol um negócio de sucesso aqui?

Sócrates: Como quase tudo no Brasil, no futebol se vende commodity. Não nos preocupamos em industrializar. Tem produto mais importante no futebol do planeta do que o jogador brasileiro? A gente tem mania de vender o artista e não a arte dele, o que é burrice. Vende cacau e compra chocolate. Mandamos o jogador para a Itália, a Espanha, a Inglaterra e depois compramos a transmissão televisiva desses campeonatos. É o que dá a falta de gestores, de pessoal comprometido com o negócio. Alguém competente mataria a pau. Vou dar um exemplo familiar de como funcionam as coisas no futebol. Meu filho Gustavo é advogado e atua na área de futebol. Uma vez ele escreveu um artigo na imprensa sobre o caso da transferência do (lateral) Rogério do Palmeiras para o Corinthians. Era o início da Lei Pelé e, se quisesse, o Palmeiras não pagaria nada, mas a diretoria perdeu o prazo de contestar o contrato. O Palmeiras decidiu processar o Gustavo por causa desse artigo. E o que aconteceu? Eles perderam o prazo para dar prosseguimento ao processo contra o meu filho (risos).

Torcedor do Peixe, fique alerta.

junho 16, 2008

Os conselheiros do Santos precisam ficar atentos.

Duas propostas de parceria estão sendo apresentadas para o clube.

A mais conhecida é a da TRAFFIC, que planeja algo semelhante com o que acontece no Palmeiras.

Outra envolve o Banco Fator, parceiro de Pelé em Jundiaí, e o projeto Santos S/A.

Tudo indica que o conselho do Peixe estaria com tudo fechado com J.Havilla, mesmo sem analisar a outra proposta.

Não é correto.

Tudo tem que ser feito as claras.

Contratos e propostas expostos ao público para que se tenha absoluta certeza da lisura e dos benefícios que possam causar ao Santos.

Resta saber se o Imperador Marcelo Teixeira também pensa assim.

Não acredito.

Sábias palavras

junho 16, 2008

 

“Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.”

Eça de Queiroz

O Inter se despede de Fernandão

junho 16, 2008

Fernandão despediu-se do Internacional.

Homem de caráter, jogador inteligente, não será esquecido.

Participou da maior glória da história do clube, o Mundial da FIFA.

Não é tão badalado quanto devia no resto do país porque não se utilizar de marketing pessoal.

Seu negócio é jogar bola.

E faz isso muito bem.

A torcida colorada se despede com saudades.

Ele também não esquecerá desse povo que o adora.

Boa viagem e obrigado, Fernandão.

Encantar e iludir

junho 16, 2008

Da Folha de São Paulo

Por TOSTÃO

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Com a globalização, o futebol brasileiro caminha para a sua descaracterização, a perda de fantasia, encanto e mistério

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UMA DEFICIÊNCIA da seleção brasileira é a falta de grandes talentos no meio-de-campo. Há bons jogadores. Falta um organizador que joga com a cabeça em pé, sem olhar para a bola, que possui ótimo passe e que raramente perde a bola.

Mesmo com Kaká, continua essa deficiência. Ele é um meia-atacante, mais atacante que armador. Diego é mais armador, mas atua também perto dos dois atacantes.

Melhor que Diego é Alex. Ele não se firmou na seleção porque não teve a chance de jogar muitas partidas seguidas e durante todo o jogo, já que atua nas posições de Kaká e Ronaldinho. O mesmo aconteceu com Ademir da Guia e Dirceu Lopes, na época de Gérson e Rivellino, e com o então jovem Dodô, quando jogava no mesmo período de Ronaldo e Romário.

Na tentativa de preencher essa falta, seria bem-vinda a escalação de Anderson. Ele é uma esperança. Com ele e Diego, não seriam dois meias ofensivos, como Kaká e Ronaldinho. Anderson jogaria de volante, como faz no Manchester, marcando no próprio campo para depois avançar. Ele tem velocidade e habilidade para isso.

Melhor ainda é ter uma equipe com três volantes, mas com dois que marcam e que chegam bem ao ataque. Hernanes é outra esperança. Ele, Anderson, Lucas, Ramires e Charles podem evoluir bastante até a Copa de 2010.

As pessoas mais pragmáticas e utilitárias dirão que o Brasil não tem tantos craques e que só vai ganhar do Paraguai, em Assunção, da Argentina, como fez nos dois últimos jogos, e das melhores seleções da Europa, se marcar mais atrás e com mais jogadores para depois contra-atacar, como tem ocorrido na Eurocopa.

Mesmo se essa fosse a maneira mais eficiente de vencer a maioria das partidas, haveria uma descaracterização do futebol brasileiro, na perda da identidade, da fantasia, do encanto e da capacidade de iludir, de deixar após um jogo a sensação de mistério, de algo que não se explica.

O futebol está cada dia mais previsível e parecido em todo o mundo e cada vez mais pessoas se contentam com qualquer jogo mediano ou medíocre.

 

Passes e dribles

O estilo predominante na Eurocopa, como foi no Mundial de 2006, é privilegiar o passe tecnicamente correto, linear, sem riscos, com a parte interna do pé (de chapa), na tentativa de manter a posse de bola.

Raramente se vê o passe de curva, de rosca, de trivela, com a bola contornando o corpo do adversário para chegar ao companheiro logo atrás. É um recurso técnico, bonito e eficiente; ou o passe, surpreendente, vertical, com a bola passando em pequeníssimos espaços entre os defensores, para chegar ao colega na cara do gol.

O drible lúdico e desconcertante é também cada dia mais raro. Não falo do drible tradicional, quando um jogador toca na bola para pegá-la na frente.

Refiro-me ao drible de corpo, às vezes sem tocar na bola (finta), em pequenos espaços e com a bola colada nos pés, como faz Robinho. O marcador pensa que a bola é dele, e não é. Esse é um dos maiores encantos do futebol.