Arquivo para 26 junho, 2008

Entrevista com João Havelange

junho 26, 2008

Continuando a série de entrevistas difíceis de digerir publico abaixo a que João Havelange, ex-presidente da FIFA, concedeu ao jornal Folha de São Paulo.

Recomendo os mesmos procedimentos.

Tire as crianças da frente do micro, o excesso de inverdades pode prejudicar seu desenvolvimento moral.

Não esqueça de tomar remédios para prevenir possíveis alterações no estomago.

Havelange conta que as Copas de 1966 e 1974 foram manipuladas.

É claro, diz que a de 1978 não. (a sua primeira como presidente)

 

Da FOLHA DE SÃO PAULO

Entrevista – João Havelange

Maior cartola da história diz que salvou até preso político

Aos 92, presidente de honra da Fifa revela bastidores da bola e da política 30 anos após sua 1ª Copa, em 1978

Ele não é John Lennon, mas diz ter imaginado um mundo melhor. “”Se a ONU fosse como a Fifa, não viveríamos o que estamos vivendo. Não há repartição de riqueza, não eliminam a tristeza no mundo, me cortou o coração ver crianças abandonadas no mundo.” João Havelange se orgulha de ter expandido a Fifa. “Quando estive lá, eram 186 países. Fui a todos pelo menos três vezes. Nenhum político fez isso. Se tivessem feito, o mundo não estava como está”, gaba-se o dirigente.

RODRIGO BUENO

ENVIADO ESPECIAL AO RIO

João Havelange, 92, fala de Copas, desde a de 1958 até algumas “”armadas” e a de 2014.

FOLHA – Qual é seu maior orgulho?

JOÃO HAVELANGE – Dar ao Brasil a Copa de 58, que a era o que mais o povo do Brasil desejava.

Perdemos em 30, 34, 38, 50 e 54. Ganhamos em 58 e 62, perdi em 66, não me ausentei, e ganhamos a de 70. Em 74, fui eleito [Fifa]. Era demais ser eleito e ganhar a Copa, cortaram-me todo o capim embaixo dos pés.

FOLHA – O Brasil foi prejudicado na Copa-74? Houve armação na Copa?

HAVELANGE – Em 66, o Brasil tinha praticamente o mesmo time de 62. Quem era o presidente da Fifa? Sir Stanley Rous, inglês. Onde era a Copa? Inglaterra. Nos meus três jogos, com Portugal, Hungria e Bulgária, tinham 3 árbitros e 6 bandeirinhas. Sete eram ingleses e dois alemães. Acha que foi para quê? Acabar com meu time. Acabaram. Pelé foi machucado. Em uma homenagem depois, estava Stanley Rous. Me estendeu a mão e não o cumprimentei. Ele disse “o que você tem?”. Eu disse “faça um exame de consciência, você tem a resposta”. A Alemanha jogou com o Uruguai, e o árbitro era inglês. A Argentina jogou com a Inglaterra, e o árbitro era alemão. Qual foi a final? Inglaterra e Alemanha. Por que só tinha árbitro alemão e inglês nos meus jogos? Em 74, na Alemanha, também. O senhor não acha estranho? E te pergunto: a Inglaterra voltou a ser campeã ou ganhou alguma coisa? Não, então pronto.

FOLHA – O senhor afirma mesmo então que houve interferências a favor dos times da casa em 1966 e 74?

HAVELANGE – Exatamente.

FOLHA – Nos títulos que perdeu…

HAVELANGE – Fui à Alemanha [1974], acabava de ser eleito [Fifa], faço um jogo Holanda x Brasil. A Holanda vinha com problema de petróleo, sem petróleo porque tinha subido muito, e andavam de bicicleta. Nunca me esqueço. Quem tinha ido regularizar essa situação foi o [Henry] Kissinger [diplomata americano de grande atuação nos anos 60 e 70]. Ele chegou ao estádio para ver Brasil x Holanda, e o Stanley Rous me botou o [árbitro Kurt] Tschenscher, da Alemanha, que já tinha 50 anos e apitou o último jogo da carreira. E me jogou para córner. Perdi de 2 a 0. Suspenderam meu central [Luis Pereira, expulso contra a Holanda] para a disputa de terceiro com a Polônia. Puseram um árbitro [Aurelio Angonese, da Itália], um jogador meu pegou a bola no meio, foi agarrado na camisa quando entrava na área para fazer o gol. Apitou, fez a barreira e perdi de 1 a 0.

FOLHA – E em 1978, a Copa na Argentina do presidente Videla? Houve armação nesse Mundial?

HAVELANGE – Nada disso. Se você veio tratar de política, não aceito. Quando cheguei à Fifa, quem decidiu que a Copa ia ser na Argentina não fui eu nem o Comitê Executivo. Foi o Congresso [da Fifa], e você não pode mudar uma decisão do Congresso. Pode falar o que quiser. Eu só apertei o governo anterior, que era da senhora do Perón [Isabelita]. Fui a ela, depois ela caiu. Faltavam dois anos para a Copa. Fui ver o presidente Videla, não o conhecia. Ele me disse: “Senhor Havelange, não vou lhe dar a melhor Copa, mas vou lhe dar uma das melhores, pode estar certo”. E fez tudo.

FOLHA – O senhor era conhecido de Paulo Paranaguá [cujo filho homônimo acabou preso na Argentina como um militante de esquerda]?

HAVELANGE – Sim, muito, ele faleceu. A senhora dele ainda é viva, era filha do ex-presidente do Fluminense Antônio Leite. Ele [Paulo pai] foi embaixador no Kuait. Eles tinham um filho que se meteu naquela questão de revolução na Argentina. O Antônio Leite, pai da Glorinha, chegou ao meu escritório e disse: “O meu neto foi preso na Argentina, a Glorinha já foi lá não sei quantas vezes e não consegue falar com ele, ela está com medo”. Eu disse: “Faço futebol, sou administrador de uma entidade, não sou político”. Ele: “O senhor faz isso para mim. É meu neto. E começou a chorar”. Isso me doeu muito, e disse: “Estou saindo para o Oriente. Quando voltar, em vez de vir ao Brasil, desço em Lima e vou a Buenos Aires”. Assim fiz.

FOLHA – E aí negociou a libertação do Paulo [como diz Pablo Llonto, autor do livro "A Vergonha de Todos", sobre a Copa de 1978]?

HAVELANGE – Cheguei e pedi audiência com o presidente Videla. Expliquei a ele e disse: “Se o senhor acha que estou me intrometendo, ponha-me para fora, não me atenda, e eu o respeitarei da mesma maneira”. Chamou o general Viola por telefone e disse: “O doutor Havelange vai aí lhe falar e veja tudo o que pode fazer”. Saí do gabinete e fui ao general Viola, décimo andar. O general me abre a porta do elevador. Entrei e falei do que se tratava. Chamou o coronel. “Verifica o caso desse rapaz e me ponha a par.” E assim o fez. Era novembro, e disse ao Antônio Leite o que tinha feito. A Glorinha pensava que o filho já estava… No princípio de janeiro, saí de Concorde para Paris. Quando ia fechar a porta do avião, entrou um sujeito da Polícia Federal e me disse: “Doutor Havelange, acabaram de telefonar de Buenos Aires. Mandaram avisar que a pessoa que o senhor pediu já está em Buenos Aires e amanhã já estará em um avião da Air France, como o senhor determinou, a destino de Paris. Esse rapaz vive hoje em Paris, é o filho de Paranaguá.

FOLHA – Não foi estranha a goleada de 6 a 0 da Argentina em 1978?

HAVELANGE – Não tenho nada a ver, mas dias antes o Brasil jogou com o Peru. Fui ao vestiário e disse que precisava ganhar de muito para ter saldo de gols. Ficaram o tempo passando a bola: 3 a 0. E não se esqueça: o time do Peru estava na terceira Copa, todos tinham mais de 30 anos. Não faziam tecnicamente um jogo bonito, e eficiência física nenhuma. Quando o Brasil jogou com a Argentina, fui ao vestiário e disse que precisávamos ganhar o jogo para sermos campeões. Disseram-me que iam jogar pelo empate. Lembre-se de que o Rivellino não entrou em campo. Empatamos. O Peru jogou e, se o senhor vir o filme do jogo, com dez minutos botou uma na trave. Se entra, tinha ganho de 10 a 0. O time do Peru não tinha perna para jogar. Todo mundo agora só fala em política, nisso e naquilo, e não é nada disso. A Argentina tinha um bom time, ganhou da Holanda, e vou lhe dizer mais: a Holanda se portou muito mal naquela Copa. Era a minha primeira na presidência, e a Fifa fazia um jantar onde entregava prêmios aos quatro times finalistas. Houve o banquete e, às 21h, cheguei com minha senhora. O presidente já estava lá, 22h, 22h30, e nada da Holanda chegar. Estavam lá o time do Brasil, da Itália, da Argentina, e a Holanda chegou às 23h, o time de macacão. Disse ao presidente: “Se o senhor quiser, não haverá jantar, o senhor pode se levantar que sairei com a minha senhora”. Ele: “Não, eu espero até o final”. Nunca mais houve jantar na minha administração. Time que ganhava subia na tribuna, eu dava a medalha e ia embora. Não vou a campo, você nunca sabe a reação do público. Na tribuna, ninguém mexe com você.

FOLHA – O senhor está bastante envolvido na campanha do Rio para ter a Olimpíada-2016, não?

HAVELANGE – Não estou envolvido, é que sou membro do COI, decano. Estou lá por eleição há 45 anos. E naturalmente me dou com a maioria dos membros, são 115. Mudou muita gente, mas ainda tenho uma penetração e espero trabalhar pelo Rio, que pode trazer os Jogos para o Brasil. Estarei feliz se isso acontecer e, se Deus me der a vida no dia dos Jogos, terei exatamente cem anos.

FOLHA – Acha que sua influência pesará a favor do Rio?

HAVELANGE – É mais difícil. Primeiro, tem país da Europa [Espanha/Madri], da Ásia [Japão/ Tóquio] e do continente americano [EUA/Chicago]. Mandarei carta aos 115 [membros]. Tenho todos os votos dos árabes, são meus amigos, da África, alguns da Ásia e da Europa. Vamos ver o que posso fazer.

FOLHA – E a Copa-2014 no Brasil? O país pode fazer uma boa Copa?

HAVELANGE – Sem dúvida, e vai fazer. O Ricardo [Teixeira, presidente do comitê organizador da Copa-2014] vai fazer algo de formidável. Escolheu como presidente do conselho administrador o Carlos Langoni, que foi presidente do Banco Central, sujeito inteligente. Já tem firmas nos EUA que devem estar interessadas. Pode ter certeza de que vamos ter uma Copa excepcional. Hoje [segunda] estive com o presidente [Luiz Inácio Lula da Silva], e ele me disse: “Tudo o que for possível, nós vamos fazer. Vamos rever todos os aeroportos, tudo o que for necessário para que a Copa seja um primor. E os Jogos também, se os recebermos”.

FOLHA – O que acha da administração de Blatter, seu sucessor na Fifa?

HAVELANGE – Ele deu continuidade. Como tem recursos, também fez projetos. Fez o Goal. Em todas as federações, fez uma sede e um campo. Quem não precisava, ganhou outra coisa. E fez outras coisas fantásticas. Fiz meu presidente. O [Lennart] Johansson [ex-presidente da Uefa] não gostou. Foi eleito, reeleito e será reeleito até 2015. Aí terá 80 anos e, se não quiser mais, disse a ele: “Difícil na vida não é chegar, é saber sair. Tem que sair bem”.

FOLHA – O que acha de a Fifa ser presidida por um ex-jogador, como Beckenbauer ou Platini?

HAVELANGE – Se for, primeiro vai ser presidida pelo Ricardo [Teixeira, presidente da CBF]. Depois, vai ser o Platini. Já não estarei vivo. Ele é excepcional, é inteligente, tive admiração por esse rapaz na Copa de 98.

Aldo Rebelo não !

junho 26, 2008

Não sou simpático a candidatura de Marta Suplicy (PT) para a prefeitura de São Paulo.

O que não quer dizer que tenho um candidato preferido.

Não tenho.

As opções de escolha realmente não são boas.

Candidatos comprometidos com setores e poderes que por anos deixaram o país na situação em que está.

Mas a escolha de Marta para a vice-prefeitura em sua chapa me deixou de cabelos (que não tenho) em pé.

Aldo Rebelo foi o escolhido.

Não há como apoiar qualquer candidatura que tenha Rebelo como parceiro.

Mas vou dar uma chance a ele de reverter minha opinião.

Existe uma investigação de corrupção na administração do estádio do Pacaembu.

Seu administrador era o ex-árbitro José de Assis Aragão.

Ele foi indicado por Rebelo ao cargo.

O inquérito ocasionou 5.000 páginas de investigação.

Obviamente não foram de elogios.

A conclusão nunca foi conhecida nem publicada.

A denúncia é de que Aldo Rebelo teria “abafado” o caso.

Por quê ?

Com que intenção ?

Que motivos teria Aldo Rebelo para tomar essa atitude.

Caro senhor Rebelo, mande abrir as 5.000 páginas para que o povo, que sempre pagou as contas do Pacaembu, possa tomar conhecimento do destino que foi dado a seu dinheiro.

Acredito que o senhor, se realmente não tiver nada a esconder, não teria problemas em fazê-lo.

Do contrário terei motivos para desconfiar de algo.

Não acha ?

Roque Citadini esclarece a reunião do CORI

junho 26, 2008

 

O presidente do CORI, Roque Citadini, explica abaixo os pontos de vista discutidos na ultima reunião.

O primeiro, que foi aprovado, é o de que o clube tem que tentar, na justiça, validar o estatuto.

O desembargador Dr. Strenger foi quem mobilizou os votantes para essa direção.

No segundo, que teve outro desembargador, Dr. Ademir, como partidário, indicava que o clube teria que expor o documento a votação de uma Assembléia Geral.

Confira abaixo a explicação de Citadini para o assunto.

 

Por Roque Citadini

A propósito dos problemas do novo estatuto esclareço o que ocorreu na última reunião do CORI.

Alguns, com grande base jurídica, defendem que o clube entre com uma ação na Justiça e tente uma medida liminar, com isso registrará, de imediato, o novo estatuto.

Ficaremos em posição idêntica ao São Paulo, Palmeiras e Santos.

Outros, com igual suporte jurídico, defendem que o clube convoque a Assembléia Geral de Sócios e faça a alteração sugerida pelo cartório.

Neste caso propõe que a Assembléia Geral seria apenas homologatória do novo estatuto.

As duas apresentam risco jurídico.

Na primeira, o clube não conseguir uma medida liminar e ai terá que fazer a Assembléia Geral.

No segundo caso não há segurança que a Assembléia Geral seja homologatória e, uma ação judicial, garanta a rediscussão de todos os temas.

Neste caso ficará quase inviável concluir-se a reforma, em prazo limitado.

Em um e noutro caso há risco jurídico.

Até porque a Justiça não tem posição sólida sobre nenhuma corrente, embora há quem defenda que a reforma pelo Conselho Deliberativo já tenha uma vitória no Tribunal de Justiça.

Entrevista com V(W)anderlei(y) Luxemburgo

junho 26, 2008

 

O repórter Wanderley Nogueira, da rádio Jovem Pan e do Terra entrevistou o treinador V(W)anderlei(y) Luxemburgo para o programa Esportes Show.

Antes que comece a ler faço uma advertência.

O excessivo número de inverdades nas respostas pode gerar exemplos negativos para as crianças, portanto não deixe menores terem acesso ao material.

Hoje existem remédios que amenizam os efeitos que o teor das respostas causará em seu estomago.

Tomadas as devidas precauções, desejo uma boa leitura.

 

Wanderley Nogueira – Vanderlei, a primeira pergunta é inevitável. (…) O próximo adversário será o selecionado chileno, no dia 07 de setembro, em Santiago, no Chile. Chile que está neste instante à frente da Seleção Brasileira. Na última vez, nas Eliminatórias, dirigindo a Seleção Brasileira, você o treinador, o Brasil foi derrotado naquela noite fria em Santiago. No próximo jogo contra o Chile você será o treinador da Seleção Brasileira?

Vanderlei Luxemburgo – Bom, um abraço, é um prazer estar com você. Essa pergunta é boa para esclarecer até algumas situações que hoje aconteceram. Hoje o Fabinho (assessor de imprensa) trouxe para mim, com relação a uma pergunta ou afirmações do Muricy (Ramalho) um tempo atrás, e uma resposta minha e outra afirmação do Muricy. Tudo sem citar nome de ninguém e ficou meio estranho. Eu preciso falar para o Muricy é o seguinte. Estou falando pela primeira vez, nem em coletiva eu falei sobre isso aí. Quando eu tiver que falar alguma coisa para alguma pessoa, eu falo diretamente. Quem me conhece sabe que eu sempre uso o nome das pessoas e falo diretamente.

E quando eu falei que haviam citado algo sobre lobby, o Muricy também estava falando sobre lobby. Só que eu estava me referindo a um “pessoal” da imprensa (uns três ou quatro que me perseguem há muito tempo) que, todas as vezes que se fala em Seleção Brasileira, os caras (sic) vêm falando: “olha, o Luxemburgo começou com lobby”. E eu dei uma pancada direcionada para estas pessoas. Aí foram perguntar ao Muricy que eu tinha dado uma resposta para ele. Aquela coisa que não se fala nome aí vem o gênio da imprensa e diz “olha, o Luxemburgo falou isso de você”. Mas eu não usei o nome dele, não falei nada. Só me dirigi ao mesmo pessoal que sempre me perseguem e que falam… Então, só para esclarecer essa coisa com o Muricy, no dia em que eu tiver que dizer alguma coisa direcionada para ele eu vou dizer “Muricy, olha, você pára com isso que isso não está muito legal…”.

Em relação à Seleção Brasileira, essa coisa… O Dunga está passando um momento difícil como eu já passei. O Brasil vai se classificar para a Copa do Mundo e tem tudo… É uma situação, vamos dizer assim, mais delicada do que das outras vezes. Porque o futebol sul-americano cresceu muito. Quando você vê uma Venezuela bem posicionada, é porque você sabe que eles avançaram bastante, então não é surpresa o que está acontecendo com a Venezuela. Jogadores atuando fora do seu país, na Europa, e se amadurecendo, se aperfeiçoando. Então a Venezuela hoje é competitiva, diferente de algum tempo atrás em que ela era saco de pancadas de todo mundo. Então o Brasil precisa ter muito cuidado, direcionar muito bem a tabela, definições, uma série de coisas que, aí sim, pode levar o Brasil a ter problemas já de ir para a Copa do Mundo, como foi na última que classificou no último jogo. Então acho que é o momento de repensar algumas situações. Mas com respeito de eu estar lá, espero que não. Eu espero que o Dunga continue e que ele consiga o resultado dele, que o Brasil possa acomodar as coisas. Após um jogo sempre há uma tempestade muito grande. Quando perde então a tempestade vira assim um maremoto uma confusão para mais de metro (sic). E depois passa e as coisas vão se acomodando e as pessoas, com mais calma, vão discutindo com mais coerência esta situação. Então eu acho que vou estar com expectador em casa assistindo e torcendo pelo Brasil.

Wanderley Nogueira – Você tem algum impedimento legal, contratual, que impede você, se o telefone tocar agora, de assumir a Seleção Brasileira?

Vanderlei Luxemburgo – Nada. Nenhum impedimento para lugar nenhum. Nem para Seleção Brasileira, nem para clube. Eu tenho cláusulas de contrato que, a partir do momento em que ela é cumprida, não tem impedimento.

Wanderley Nogueira – O seu compromisso com o Palmeiras permite que você treine a Seleção Brasileira e treine o Palmeiras simultaneamente ou você precisaria optar?

Vanderlei Luxemburgo – Meu compromisso com o Palmeiras tem umas cláusulas que permitem você romper o contrato ou não. E o pessoal acha que romper um contrato em cima de uma cláusula você não está cumprindo o contrato. Muito pelo contrário, você cumpre o contrato, mas cumpre o contrato para qualquer coisa ou situação. Ou seja, Seleção Brasileira, ou time de fora, como eu já discuti isso. Existe uma multa e, a partir do momento em que o Palmeiras pague para me dispensar ou eu pago a multa para sair, está sendo cumprido o contrato, entendeu?

Wanderley Nogueira – Mas você acha possível trabalhar nas duas pontas, como eu disse? Neste momento, se você assumisse a Seleção Brasileira…

Vanderlei Luxemburgo – Isso é uma coisa que a gente não tem que discutir, é uma coisa que só pode ser discutida no momento em que surgir uma negociação…

Wanderley Nogueira – Mas nada impede. É isso?

Vanderlei Luxemburgo – Não tem nada. Meu contrato não tem nada que impeça nada. Meu contrato está bem esclarecido, muito bem estabelecido, muito bem discutido pelas duas partes, o advogado do Palmeiras, meu advogado, está muito bem redigido para ser cumprido e, no momento certo em que qualquer decisão for tomada, em qualquer momento, o contrato está lá para estabelecer.

Wanderley Nogueira – Nós estamos falando sobre hipóteses, eu compreendo. Mas é possível, na sua cabeça, um treinador, no Brasil dirigir um clube e também a Seleção Brasileira?

Vanderlei Luxemburgo – Eu tenho certeza que você me fez esta pergunta há um tempo. É que a gente está ficando velho e meio que esquece, não é?… (risos)

Wanderley Nogueira – Mas é que a audiência é rotativa e aqueles que estão nos assistindo talvez não tenham ouvido…

Vanderlei Luxemburgo – Essa da audiência rotativa é experiência, não é? Nessa você foi muito bem (risos). Não tinham as mesmas pessoas. A resposta que eu dei um tempo atrás não… São outras pessoas, não é? Está bem… Não vejo nenhum problema de você poder estar na Seleção ou num clube. Tudo vai depender do momento, da discussão momentânea, de interesse ou não. Tudo, para ser resolvido, tem que ser aquela coisa que você decide no momento, entendeu? Discutir isso aí é uma coisa meio oportunista. Eu acho que não é uma situação… Ela só tem que ser a partir do momento que tem um convite. Aí eu vou discutir toda esta parte. Enquanto não, é aquilo que eu falei. Espero estar na minha casa, com a minha neta no meu colo, comendo pipoca e assistindo o Brasil dando uma pancada no Chile e subir na tabela.

Wanderley Nogueira – Não teve o convite, Vanderlei?

Vanderlei Luxemburgo – Nada. Zero, zero, zero. Zerão (sic)… Zero.

Wanderley Nogueira – Nem neste momento em que a situação…

Vanderlei Luxemburgo – Zero, zero, zero, zero, zero. Nenhum convite de ninguém.

 

Wanderley Nogueira – Quem manda prender e manda soltar é o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que está no comando da CBF há tantos anos. Todo mundo sabe que ele é que tem o poder de decisão, de contratar ou de demitir. Embora ouça muitas pessoas e ele decide no final pela direita ou pela esquerda. A sua relação hoje com Ricardo Teixeira qual é?

Vanderlei Luxemburgo – Boa. Nunca tive problemas com Ricardo Teixeira. Eu saí da Seleção porque foi uma avalanche de críticas e de situações… e que nada foi explicado até hoje. Tudo aquilo que aconteceu você acompanhou bem todas as situações, e eu continuo parado nas duas situações que eu tenho quatro ou cinco inimigos meus que continuam achando que eu tenho problema e eu continuo achando que não tive problema, que eram a idade e do Fisco. Fora isso aí, nada. E o pessoal, toda aquela confusão todinha, não tinha jeito, eu tinha que sair. Não tinha ambiente. Eu acho que houve um erro de estratégia. Eu até já comentei com o Ricardo Teixeira. Eu acho que naquele momento, pelo trabalho que eu vinha desenvolvendo, que era bom, você se recorda disso, era o momento de uma licença e não de uma quebra de contrato. Porque o jogo contra a Venezuela seria muitos meses depois. Seis ou sete meses depois. Então, se o Ricardo na conversa dissesse: “olha, não tem ambiente, não tem situação agora (e realmente não tinha)…”. Mas depois de sete meses não haveria problema, porque todo mundo teria visto que aquelas acusações não procediam. Tudo se transformaria, como se transformou, em balelas e hoje até com o pessoal a gente começa a dar risada. “Poxa, como foi acontecer aquilo ali”. Mas eu continuo com o Ricardo Teixeira em alguns eventos, conversamos, tomamos um vinho… não houve nenhum desgaste na minha relação com ele, nem com ninguém naquele processo lá. Muito pelo contrário, o desgaste foi mais externo, fora da Seleção Brasileira, do que na Seleção Brasileira.

Uma coisa que eu gosto sempre de falar e que o pessoal que não gosta de mim diz que “o Luxemburgo diz que não teve problema”. Xará, uma das coisas que mais me deixaram assim com respeito a toda aquela situação, foi com respeito a levar grana com convocação, com negócio de empresário. Caramba! Eu estou neste negócio, com 56 anos, desde 1983 sozinho como técnico. Neste meio em que nós vivemos, se eu tivesse levado um centavo de um empresário, será que não teriam noticiado com tantas afirmações. Então aquilo me deixou muito assim, que passou-se a ter uma desconfiança muito grande do profissional, da forma como eu trabalho, em função de acusações improcedentes. E eu fico com essa coisa até hoje me remoendo (sic). “Pô, eu continuo contratando jogador, dispensando jogador, fazendo contato com jogador, dizendo quanto tem que pagar, fazendo tudo o que eu fazia da mesma forma, porque eu sou íntegro, mas aquilo ali foi uma das coisas que mais mexeu comigo”. Porque você usar a Seleção Brasileira para convocar jogador e, mesmo no clube, você tirar proveito disso é uma coisa muito injusta e a maior carteira de idoneidade foi me passada através da CPI.

Wanderley Nogueira – É exatamente isso que a gente ouve, que o Ricardo Teixeira considera você um treinador extraordinário, tem boa relação com você, confirmando o que você acaba de dizer, mas algumas pessoas próximas a ele, dizem que ele gostaria muito de levá-lo à Seleção novamente. Mas, levá-lo à Seleção seria trazer de novo aquela conversa de CPI, trazer problemas sobre a mesa. Como você tem estado com o Ricardo Teixeira em muitos eventos e muitas mesas conversando, dele você já ouviu o que sobre isso?

Vanderlei Luxemburgo – Nunca falamos sobre isso, até porque nunca teve um convite. Mas é importante para gente falar algumas coisas…

Wanderley Nogueira – Claramente você sabe o que ele pensa?

Vanderlei Luxemburgo – Não, mas nós nunca conversamos sobre isso. Nunca foi colocado em questionamento isso aí, até porque nunca houve um convite. Essa coisa sempre vem das pessoas falando. É uma oportunidade boa de falar da CPI. A CPI foi muito boa para mim, porque ela me deu uma carteira de idoneidade muito grande porque tudo aquilo que falaram não foi provado e não vai ser provado. E das pessoas que falaram, só há duas que continuam falando por aí, que são o senador Álvaro Dias (PSDB/PR) e o (deputado) Sílvio Torres (PSDB/SP). Espero que o Álvaro Dias consiga sair desse problema em que ele entrou aí impune. Impune, sem problema nenhum. E o Silvio Torres que também já andou balançando também para lá e para cá, está certo? Então a gente vai por essa situação aí. E que, dentro do futebol, isso ficou uma marca muito grande para mim, porque as pessoas simplesmente acreditaram naquelas bobagens todinhas e não foi provado nada. Só que no seu programa, xará, você entrevistou a Renata (Alves) 500 vezes, outros programas também. Como se ela fosse a grande descoberta do futebol brasileiro, das sacanagens do futebol brasileiro. Estou falando com você mas também com muitas outras pessoas que entrevistaram a Renata como se ela tivesse assim: descobriram o pilantra do futebol brasileiro e vamos moralizar o futebol. E onde está a Renata? Onde ela existe hoje? E eu continuo aqui. Botei minha cara para apanhar, investigaram minha vida de fora a fora, de ponta a rabo, me viraram de ponta-cabeça e ficaram as duas coisas que eu sempre falei: a troca de idade, que já resolveu, e o problema com o Fisco, que eu tenho até hoje, discutindo até hoje que eu não podia perder esse direito. Essa coisa toda que aconteceu, ficou uma marca muito grande que, não o Ricardo, mas as pessoas colocam como se fosse realmente uma dúvida do Ricardo.

 

Wanderley Nogueira – Ele não tem dúvida então?

Vanderlei Luxemburgo – Nunca falamos sobre isso.

Wanderley Nogueira – Mas, pelo que você sente…

Vanderlei Luxemburgo – Isso vai ser discutido por você, lá na (Rádio) Jovem Pan, pelo outro na Rádio Bandeirantes, pelo outro na Rádio Globo, pela TV Globo. Isso vai ser discutido de novo. Será que ele deve voltar porque ele passou por isso, por aquilo? Mas ninguém vai falar que eu passei pela CPI impune e só tive aqueles dois problemas que eu falei, na época, que eu tive. Vão pegar a Renata Alves e vão colocá-la em cena. Eu acredito que até você também entreviste ela de novo para saber se o Luxemburgo deveria ou não voltar à Seleção, porque é assim que funciona o Brasil.

Wanderley Nogueira – Mas a preocupação é saber o que pensa o seu amigo Ricardo Teixeira. Porque se ele entende que tudo isso que você falou… Essa é a versão. Não importa o que dizem…

Vanderlei Luxemburgo – Essa coisa para mim não tem interesse. Vou te falar por que. Eu não estou preocupado se o Ricardo Teixeira pense ou não pense. Nós nunca abordamos esse assunto, porque nunca me foi feito um convite para dirigir a Seleção Brasileira. Eu só vou poder saber isso no dia que tiver um convite.

Wanderley Nogueira – Isso todo mundo sabe, mas o que eu queria saber é o seguinte: porque, que você é um técnico competente, nenhuma dúvida. Que muita gente o considera o melhor do Brasil, nenhuma dúvida. Que, em qualquer pesquisa que surja aí, seu nome aparece em primeiro lugar para assumir a Seleção Brasileira. Então, condição profissional e técnica não estão em discussão aqui. A única coisa ou o único obstáculo que poderia impedir é o presidente estar preocupado: “vou trazer confusão”. Eu estou perguntando isso porque você, por ter relações com ele, se você já ouviu isso: “Vanderlei, eles falam isso, mas eu sei que trazê-lo de volta não é trazer confusão”…

Vanderlei Luxemburgo – Nunca. Nunca tivemos esse tipo de conversa.

Wanderley Nogueira – Você nunca se preocupou em saber: “presidente, o que o senhor pensa disso”?

Vanderlei Luxemburgo – Não. Nada a ver. Eu sempre tive uma amizade com o Ricardo de tomar vinho junto e sentar, bater papo, rir, brincar. Nunca foi abordado assim, o que se passou na Seleção Brasileira o que não se passou. Uma possibilidade futura… nada. Estive agora no casamento do filho do “jotinha” (J. Hawilla, presidente da Traffic) e sentamos à mesa juntos e não teve nada disso. A conversa era totalmente diferente era eu, com a minha esposa, ele com a dele, conversando, tomando vinho e brincando. Nunca houve assim nada da esfera profissional.

 

Wanderley Nogueira – O fato de você ser amigo do Ricardo, no caso do J. Hawilla, que é um empresário de sucesso, diga-se de passagem. Isso ajuda ou prejudica?

Vanderlei Luxemburgo – Nada a ver. Eu sou seu amigo e nem por isso você deixa de me elogiar ou criticar em cima das atitudes que eu tomo. Uma coisa é a amizade, o meio que você tem do futebol. Os meus amigos são do meio do futebol. O “jotinha” em conheci no futebol. Então a amizade que eu tenho fora do futebol. Não só no futebol. Eu sou amigo da família. Com o Ricardo eu fiz amizade no futebol , quando fui convocado para a Seleção Brasileira, e mantemos até hoje a amizade. Então, meus amigos são do futebol, eu sou um homem do futebol. Isso não pode trazer nenhum benefício ou prejuízo. Então as pessoas querem fazer esse tipo de conotação. Nada a ver. Eu não sou amigo de médico, eu não sou médico, não trabalho em hospital. Não sou mecânico para ter amizade com mecânicos. Eu sou técnico de futebol, meus amigos são jogadores, técnicos, pessoal da imprensa (uns mais próximos, outros menos), mas é assim que é a relação. Não tem nenhum problema. Não pode nem ajudar nem prejudicar em nada.

 

Wanderley Nogueira – Hoje, o Brasil…

Vanderlei Luxemburgo – Eu acho que técnico da Seleção Brasileira é cargo de competência. Vou dizer de coração, para mim, o primeiro técnico do Brasil para disputar uma Copa do Mundo, é o atual campeão. Pesquisa é o Felipão. Você não tenha dúvida. Bote a pesquisa! É o Felipão. Porque é o último campeão. Essa é uma grande realidade. Se o Felipão estivesse trabalhando no Brasil e tivesse essa confusão, esquece o Luxemburgo. Felipão seria a bola da vez, que é o campeão, que mostrou um trabalho, que tem um trabalho realizado. Então eu tenho os pezinhos no chão. Sei de tudo o que acontece, sei dos questionamentos que as pessoas fazem: “Ah, o Luxemburgo tem muito problema. Que vai levar para Seleção. Que o Ricardo fala isso”. Isso é tudo extra. Na parte do “se”, mas na realidade, são tantas coisas diferentes, que a gente sabe como funciona. Eu, com a experiência que eu tenho… Há um tempo eu era fio desencapado. Hoje eu estou ficando mais velho, mas experiente, mais sossegado. Então a gente diz “isso aqui não, deixa quieto, não vou discutir isso aqui”. Outras coisas não “essa aqui nós vamos discutir porque pode trazer algum tipo de problema”.

Wanderley Nogueira – Você acabou de dizer que, para ser técnico da Seleção Brasileira, precisa ser competente. O Dunga é?

Vanderlei Luxemburgo – O Dunga está lá, técnico da Seleção Brasileira. Ele está adquirindo experiência na Seleção Brasileira. É diferente. Ele entrou como técnico da Seleção Brasileira quando ele nunca havia dirigido um clube de futebol e o colocaram lá. É um risco muito grande e essas experiências, se você pegar, no futebol europeu, tendem a dar certo, como tem dado certo. O (Franz) Beckenbauer nunca foi técnico. Colocaram a figura do Beckenbauer lá e ele ficou, mas é um a cultura diferente da nossa. Aqui ele vai ter que cavoucar minhoca em barro duro para poder conseguir os seus resultados. Está vendo aí como a coisa funciona. E se você pegar numa competição, faltando um mês para uma competição, a coisa tende a caminhar, mas quando se tem projetos, de começo, meio e fim, a coisa já começa… Tem que saber como é que elabora… E ele está tendo problema justamente nesta situação aí. Na competição ele não tem problema e não terá problema nenhum.

Wanderley Nogueira – Hoje o Brasil está em quinto lugar nas Eliminatórias. Se parasse hoje, claro que é hipotético e vai para Copa do Mundo, todo mundo sabe que vai. Mas hoje o Brasil está em quinto lugar, teria que brigar na repescagem para ir à Copa do Mundo. Até o dia 7 de setembro, toda vez que se abrir na tela do computador, a classificação das Eliminatórias, vai mostrar o Brasil lá em quinto lugar. Isso é óbvio que incomoda. Como um técnico administra isso?

Vanderlei Luxemburgo – Você faz projeção de tabela. Com certeza o Dunga deve ter sentado com a comissão técnica e falado assim. “Vamos jogar contra o Paraguai e contra a Argentina. Aqui nós temos tantos pontos para somar. Se não somar, vamos ter que recuperar numa outra situação que você não encontraria para buscar pontos. Com certeza essa projeção foi feita. O problema é que nesta projeção houve uma mudança e você falou “o Brasil vai estar numa Copa do Mundo”. Eu também acredito, mas tem que ter muito cuidado, porque na anterior nós já passamos ali no último jogo. O problema é que os dois próximos adversários serão confronto direto. Que são o Chile, que se ganhar sobe e, mesmo que ganhe aqui, você não iguala, tendo que tirar a diferença numa outra situação, e a Venezuela que vem ali próximo na tabela. Então acho que aí o Brasil vai brigar pela classificação e tem que projetar até o final da competição quais são os jogos decisivos e, com certeza, o Dunga já fez esta projeção com a comissão técnica.

Wanderley Nogueira – O país questiona o fato de a Seleção ser formada por jogadores que estão no exterior e muitos são reservas nos clubes onde estão. O que você pensa?

Vanderlei Luxemburgo – Não tem como ser diferente. O êxodo de jogadores é muito grande. Eu tenho certeza que em 2014 vamos ter muito mais brasileiros naturalizados jogando contra o Brasil aqui na Copa do Brasil, com muitos mais jogadores do que só um ou dois. Serão muito mais porque estão saindo 17 anos. Dezessete mais seis, são 23 anos, 24 anos, estarão jogando aqui no Brasil, como já está acontecendo em alguns países aí que você pergunta “quem é esse cara?”. É brasileiro. É que nem o africano que vai para lá e está acontecendo muito isso aí. Não existe uma identidade do povo brasileiro com o atleta brasileiro. Não existe, porque os jogadores jogam fora do Brasil. E você só consegue envolver a Seleção Brasileira. Essas vaias contundentes que nós estamos vendo por aí é porque você não está aqui todos os dias jogando. Mesmo assim, antigamente, eu lembro que antes da Copa de 1970, o Paulo Cesar Caju foi vaiado aqui no Morumbi, porque a rivalidade era muito grande. Você imagina a Seleção de 70 que a maioria dos jogadores atuava no Brasil. Então você só consegue fazer com que a população brasileira se identifique e que faça uma sintonia com a Seleção em competição. Na Copa do Mundo ou na Copa América. Fora isso, você não consegue envolver.

Wanderley Nogueira – Mas a questão não é essa… são reservas…

Vanderlei Luxemburgo – Jogadores que atuam no Brasil como titular jogam fora e ficam na reserva de algumas equipes. Mas não é a primeira vez que isso acontece. O problema não é jogar ou não jogar como titular. O problema está na perda da referência e você não ter referência. Você tinha uma referência que era o Ronaldo… ou algumas referências, que eram o Ronaldo, o Cafu, o Roberto Carlos, o Dida, o Marcos, o Zé Roberto, o Rivaldo. E quando esses jogadores iam atuar, eles chamavam a responsabilidade daquilo que o treinador fazia para dentro do campo e o adversário dizia “olha aqui. Nós vamos jogar hoje contra o Cafu, contra o Roberto Carlos, contra o Ronaldo, contra o Zé Roberto, contra o outro, o outro. Opa!”. Ficava diferente. É um momento de transição na Seleção Brasileira, inclusive com essas referências. Para que o adversário se sinta intimidado.

Wanderley Nogueira – Perdeu o respeito…

Vanderlei Luxemburgo – O que aconteceu contra a Argentina e contra o Paraguai é que, se a Argentina fosse um pouco mais ousada, teria conseguido o resultado. Porque o Paraguai simplesmente… eu perdi o jogo para o Paraguai lá, mas eles tiveram que sofrer para ganhar, porque eu tinha os jogadores… Rivaldo. Todo mundo estava lá.

Wanderley Nogueira – Cafu foi expulso com 20 minutos de jogo.

Vanderlei Luxemburgo – Cafu foi expulso com 20 minutos de jogo e nós sofremos muito lá. Mas tinha isso aqui. E acontece o seguinte: neste jogo, eles (os paraguaios) falaram que iriam ganhar, que iriam passar por cima e passaram por cima. Porque não tinha quem falasse assim, na preleção… O jogador (isso é coisa de boleiro). O jogador falar “c…! Eu tenho que marcar o Ronaldo. Eu vou e tu sobra (sic). Eu vou dois e sobra mais um. Mas se eu marcar o Ronaldo…. Quem vai pegar o Roberto Carlos? Quem vai pegar o fulano?”. Aí você sabe que está próximo. Aí é que essa transição está muito preocupante. É a transição e se firmar como referência mesmo. Chegar dentro do jogo e dizer “eu sou a bola da vez. Dá essa p… dessa bola para mim que eu vou fazer o negócio funcionar”.

Wanderley Nogueira – Você não vê ninguém capaz disso?

Vanderlei Luxemburgo – É isso… Mas é um momento de transição. Eu vejo, mas não quero citar nomes. Aí é que está. Quem vai chamar a responsabilidade. Quem vai dizer assim “está difícil aqui, vem aqui”. Parece uma coisinha muito fácil de falar, mas é uma geração que acabou e outra que está chegando com pessoas remanescentes que eram coadjuvantes. O Ronaldinho era coadjuvante daquela Seleção, o Kaká também, o Robinho disputou uma Copa do Mundo, mas não é uma… Entendeu? Então, se você pegar as duas Copas do Mundo, aquela que foi campeã do mundo com o Felipão, você tem o Kaká e o Ronaldinho e o Lúcio. São três jogadores. Há o Gilberto Silva. Mas o Gilberto Silva vem há um ano no Arsenal e na Seleção Brasileira com altos e baixos. Você pode falar que dentro da Seleção Brasileira tem três nomes remanescentes que servem de base hoje, que são Ronaldinho, Kaká e Lúcio. Então é complicado isso aí.

Wanderley Nogueira – Kaká, Ronaldinho e Lúcio. Você diria que esses jogadores seriam seus titulares ou não?

Vanderlei Luxemburgo – Eu não quero entrar no mérito disso, senão vai ficar assim… Eu sou bem prático. Nós estamos fazendo essa entrevista aqui, eu nunca falei sobre isso para ninguém, estou fazendo uma entrevista que eu nunca fiz com ninguém, eu não quero entrar no mérito desse negócio de Seleção Brasileira, como se eu fosse técnico…

Wanderley Nogueira – Você é a bola da vez…

Vanderlei Luxemburgo – Mas eu não quero falar sobre isso. Não sou obrigado a falar.

Wanderley Nogueira – Seriam seus titulares?

Vanderlei Luxemburgo – Eu não sei o que está acontecendo. Há algum problema. Isso todos nós sabemos, mas eu não sei identificar o problema.

Wanderley Nogueira – Seriam os dois jogadores diferenciados? Imagino que sim.

Vanderlei Luxemburgo – Sim, são diferentes.

Wanderley Nogueira – E jogador diferenciado tem que ter tratamento diferente?

Vanderlei Luxemburgo – Não, não é assim.

Wanderley Nogueira – Não?

Vanderlei Luxemburgo – Não é assim que funciona.

Wanderley Nogueira – Não têm alguns privilégios?

Vanderlei Luxemburgo – Não

Wanderley Nogueira – Nenhum?

Vanderlei Luxemburgo – Nenhum. Privilégio é o salário, a conquista, é ganhar 100 milhões. Aí que está o privilégio. Tem que saber se esse jogador quer a Seleção e a Seleção quer o jogador. O que o Ronaldinho fez não merecia a Seleção Brasileira nesta última temporada. Então você tem que falar para o Ronaldinho: “olha aqui, meu garoto, você quer a Seleção Brasileira, mas esquece tudo o que você está fazendo que você vai vir pra cá. Agora você tem que falar que você quer a Seleção Brasileira!”. Eu vou te dar a chance aqui. A primeira atitude minha na Seleção Brasileira foi virar para o Roberto Carlos e falar “vem aqui, e o seu relógio?”. Fui lá a Madri (Espanha). “Você tinha que falar para a população…”. Ele “não foi uma brincadeira…”. Mas repercutiu mal. “Você esqueceu o relógio? Você quer ser o Roberto Carlos comigo, eu vou te fazer voltar para Seleção e vou bancar sua situação, mas você tem que esquecer seu relógio”.

Então, o Ronaldinho não fez por merecer a Seleção Brasileira. Jogou 13 vezes pelo Barcelona e não mostrou nenhum interesse, fisicamente bem, sendo o melhor jogador do mundo, em algumas atitudes dentro da sua equipe. Então, obviamente ele não deveria estar na Seleção Brasileira. Acho também que existe um antagonismo, tanto para lá quanto pra cá. Então tem que chegar e dizer “meu garoto, o que você quer? Quer Seleção Brasileira? Mas deste jeito que você está você não pode querer a Seleção Brasileira. Para Seleção é diferente, porque não tem mais o Ronaldinho, o Fenômeno, não tem mais o Rivaldo. Agora você é a bola da vez. Para ser a bola da vez, do jeito que você está jogando, você não pode ser a bola da vez. Você não vai ser referência da Seleção Brasileira com esse comportamento”. Então falta esse tipo de chegar, entendeu?

Wanderley Nogueira – E o Kaká?

Vanderlei Luxemburgo – O Kaká tem demonstrado assim uma atitude. Ele sempre teve uma atitude muito nobre em termos de comportamento. Mas falta a ele ser um pouco mais sisudo, mais líder, mais tipo assim “eu sou o Kaká, melhor jogador do mundo, e eu sou a referência da Seleção Brasileira”. Tem coisas que você tem que chamar a responsabilidade. Como o Didi, que pegou a bola depois do gol e falou “Dá aqui, vem cá. Essa bola é minha”. Como o Pelé. Por isso eles foram eleitos os melhores do mundo. Para que, no momento oportuno, eles possam chegar botar a bola debaixo do braço e falar “é minha”, mas com respeito. Você fala em privilégio, ninguém tem privilégio, nem Kaká, nem Ronaldinho tem privilégio nenhum. Não pode ter. Você pode ter contornar, com jogo de cintura, uma situaçãozinha daqui e outra dali, mas privilégios são os contratos maravilhosos que eles têm para serem eleitos os melhores do mundo. Mas quando você vem para uma Seleção Brasileira, você tem que saber a noção exata do que você representa para o teu país na expectativa do que você vai render para que a população brasileira se dê por satisfeita e feliz com aquilo que você está produzindo. Ele tem que ter esse discernimento.

Wanderley Nogueira – Você está no Estado de São Paulo, trabalhando no futebol paulista e que tem um grupo de técnicos vips. Você dirigindo o Palmeiras, o Mano Menezes, dirigindo o Corinthians, o Muricy dirigindo o São Paulo, o Leão dirigia o Santos até algum tempo, mas ainda é vinculado ao futebol de…

Vanderlei Luxemburgo – (Risos)

Wanderley Nogueira – de Santos… e o Cuca é o técnico do Santos. Então, eu queria saber de você sinceramente. Por isso que eu falei que nessa entrevista, eu acho que você vai abrir o coração e falar o que você pensa, como sempre disse. Qual é a sua relação com os técnicos de São Paulo. Eles torcem os narizes em relação a você? Qual é o grau de proximidade que você tem com um a um? Com Mano Menezes. Eu gostaria que você falasse do Mano.

Vanderlei Luxemburgo – Eu até fiquei surpreso com uma declaração que eu dei na SporTV, em que eu não falei nada demais. Eu fui perguntado por um jornalista, acho que o Cléber Machado, o que eu achava do jogo Botafogo x Corinthians. Eu disse que o Botafogo joga assim, o Corinthians joga assim. O Botafogo pode fazer assim, o outro pode fazer assim. Ainda falei na época que quem levava vantagem era o Corinthians porque tinha melhores jogadores. O Mano saiu me atacando e eu não entendi nada, porque eu não faltei com a ética. Aí também nunca perguntei por que e ele também não veio me falar. Eu só fiquei pasmado e me perguntei “será que eu disse alguma coisa? Ou tudo que eu falo é muito contestado. Será que é porque eu falo a verdade? Porque eu não sou falso de chegar e ficar omitindo as coisas? Eu sou perguntado e tudo aquilo que eu posso fazer que não seja ataque ou uma coisa que vá trazer prejuízo, eu falo, não me omito. Então achei muito… Não entendi. Eu trato o cara tão bem, quando ele ganho de mim eu liguei pra ele falei “olha, estou torcendo por você porque perder para argentino nós não podemos perder. Siga sua vida e parabéns”. E de repente uma entrevista que eu dei se voltou…

O Muricy eu tenho uma relação não de amizade. Muita gente diz que ele sempre está falando alguma coisa para mim. Eu não acho isso. O Muricy é daquele jeito. Ele solta uma porção de coisas. Ele fala com as mãos e fala pra caramba na coletiva dele. Solta um trocinho daqui, outro dali e o pessoal fica chateado com ele porque ele solta trocinho pra todo lado. É o jeito dele. Eu morro de rir, estou em casa com a minha mulher e vendo a entrevista dele e morro de rir. Ele estica a boca dele para um lado, para o outro e que não sei o que. Não tenho nada contra o Muricy. E o pessoal falando “está dando resposta”. Que dando resposta! No dia que eu tiver que falar: “Muricy, olha aqui. É isso”, eu falo direto para ele. O Leão não. O Leão faltou um pouco com respeito comigo e não tenho nenhuma amizade com ele e nem faço questão porque ele faz questão de dizer que não quer uma relação comigo amistosa. Então ele segue a vida dele e eu sigo a minha.

Wanderley Nogueira – Em algum momento você tentou uma reaproximação?

Vanderlei Luxemburgo – Tentei, eu achei que ele se preocupou com uma coisa que não existiu. O Marcelo Teixeira falou pra ele “eu não contratei o Vanderlei na tua saída. Não tinha nada acertado”. O Marcelo falou pra ele, mas ele não acredita, ele acha que eu o derrubei. Aí num dia eu falei pra ele “Leão, eu não posso te derrubar. Eu não preciso derrubar ninguém. O prestígio que eu tenho e a capacidade minha não precisa derrubar nenhum técnico. Eu sou contatado por todo mundo para poder dirigir equipes então esquece essa bobagem”. Mas aí ele antagonizou e então agora eu também não quero. Então ele segue a vida dele e eu respeitando-o como cidadão e como profissional. Tanto é que eu cito sempre o nome dele respeitosamente. Ele não cita meu nome. Mas eu cito respeitosamente porque ele é um cidadão e um profissional que tem que ser respeitado. Agora amizade inexiste. Não tem que ter amizade. Toda vez que a gente vai jogar as pessoas perguntam “e agora, vai ter aperto de mão”. Não tem que apertar mão, nem nada, porque não temos amizade nenhuma, entendeu?

Wanderley Nogueira – Cuca?

Vanderlei Luxemburgo – Cuca queria alugar meu apartamento, mas ele é ¿mão de vaca¿ (risos). Eu gosto muito dele. Acho que é um profissional que vai dar certo. O Cuca me lembra muito Telê Santana. A história do Telê é muito parecida com a do Cuca. Uma conquista de um campeonato importante, em 1971, com o Atlético-MG, e na seqüência só confusão. E tachado de “pé-frio”, perdedor. De repente, o timing chegou, pela capacidade dele, e montou cinco anos no São Paulo. Disputou duas Copas do Mundo e não ganhou, mas montou um time maravilhoso e a carreira dele foi maravilhosa. O Cuca tem tudo para acontecer uma carreira muito boa com ele.

Wanderley Nogueira – Você está abrindo o coração e vou falar tudo o que eu ouço. Por exemplo, o Vanderlei tem sempre bons contratos, que é o caso, pela sua competência e por aquilo que você oferece, mas tem “fogo no rabo”. Está no Palmeiras e fomenta convites: Lyon, Fenerbahce, Portugal, México. Esses convites existem ou alguém joga no ar? Balão de ensaio.

Vanderlei Luxemburgo – Com a experiência que você tem, é o momento também questionar as pessoas da imprensa. Eu não tenho necessidade disso. Todos os convites vieram do México para cá, da França pra cá, do outro para cá e chega aqui. Aí o filho da “p…” do camarada que é da imprensa, que não gosta de mim, ou que quer fazer alguma coisa e é um péssimo jornalista, diz que o Luxemburgo está fomentando, pergunta para o Luxemburgo aquilo ali, mas eu não falei nada. Isso mostra a minha capacidade profissional que as pessoas vêm buscar. Eu não preciso ficar buscando alternativa profissional, eles vêm me buscar aqui. Aí o pessoal acha que… Você acha que eu vou ficar me valorizando se eu já sou hiper-valorizado e ganho um salário fantástico no Brasil. Então isso aí é uma falta de preparo de parte da imprensa (não vamos generalizar) que querem fazer disso aí como se fosse o Luxemburgo que está armando uma situação. Aí, xará, é o que eu falo sobre ocupação de espaço. Eu falo umas coisas que o pessoal não gosta, mas eu falo porque sou preparado para isso. Eu participei de movimento estudantil, você também deve ter participado, para quebrar a ditadura, que muitos moleques não sabem o que foi isso aí, correr atrás de um quilo de feijão, ou participar de um movimento estudantil, e não sabem que, para quebrar os paradigmas você tem que dar a cara para apanhar. Então quando me vem uma solicitação do Lyon, do México, eu não deixo de discutir profissionalmente aquilo lá, porque nós não somos subservientes do futebol. Técnico é uma profissão que não tem associação, não tem sindicato, que não é protegido por nada, só pela sua capacidade. E eu não sou subserviente e não gostaria que os técnicos fossem subservientes. Que valorizem a profissão! Que negociem a sua profissão. Que discutam o seu contrato como você pode discutir com a Jovem Pan, indo para a Bandeirantes amanhã. Ou indo para a Record ou para qualquer outro lugar. Você não pode perder este direito. Quando eu pego essa oportunidade e vou para a imprensa discutir para que possamos ocupar o espaço, meus colegas ficam zangados e a imprensa não permite, ou parte da imprensa, que você discuta isso. Posso, devo e vou discutir, porque eu não posso ter um contrato com o Palmeiras, que eu ganho muito bem hoje e me vem amanhã uma proposta como veio para o Felipão, de 8 milhões de euros e eu vou dizer não porque o pessoal diz que eu sou “fogo no rabo” ou mercenário. Eu sou profissional de futebol e o profissional de futebol não pode estar amanhã… e você, xará, e o Milton Neves, que fazem isso, com carinho. Cadê o fulano de tal? Onde é que anda fulano de tal? O cara está numa casinha de fundo de quinta, que não sei o que, todo arrebentado, porque não foi profissional. Deixou oportunidades na sua vida profissional, para cumprir um compromisso e uma oportunidade passou pela vida dele. Eu sou profissional preparado para a profissão. Se chegar amanhã uma proposta de 6 milhões de euros para eu ir trabalhar, sabe o que vai acontecer? Eu vou discutir para saber se eu devo ou não ir com a minha família. É isso que o pessoal não gosta. Eles querem que a gente viva ainda no tempo passado.

Wanderley Nogueira – Você não pensava assim…

Vanderlei Luxemburgo – Não pensava, mas o mercado mudou, xará. Eu nunca pensei assim. Eu queria que o contrato com o técnico fosse respeitado, que a solidez na profissão existisse, só que eu estou lutando por um sindicato e uma associação nacional, e eu nunca vi ninguém vir do meu lado. Só falam assim “estamos juntos”, mas ninguém vem do meu lado sentar na hora em que surge um problema sério, discutir a profissão. Quando chega um (Daniel) Passarella aqui, o que eu achei equivocado, assumir o Corinthians, e recebeu o dinheiro dele já e eu tenho meu compromisso com o Corinthians até hoje que eu não recebi. O Passarella recebeu o que ele tinha com o Corinthians. E eu tenho uma pendência na Justiça com o Corinthians que até hoje não foi recebida por mim, que sou brasileiro e vivo aqui. O (Lothar) Matthäus chegou aqui para dirigir o Atlético-PR e ninguém falou nada. Quando eu fui para a Espanha, eu tive que deixar três por cento do meu contrato com o sindicato espanhol, a associação de técnicos espanhóis para poder dirigir o Real Madrid. Essa é a briga que eu tenho aí de ocupação de espaço que eu quero fazer. Eu pensava diferente, mas chega um momento que você muda em função das coisas que estão acontecendo. O mercado do futebol virou profissional, de negócios. Não tem mais aquela coisa que um jogador vai ficar 10 anos no clube ou o treinador que fica 10 anos no clube, porque o mercado está efervescente. Toda hora aparece uma situação ou outra. O cara que beija o escudo agora, com um mês está indo embora, xará. Então eu acho que essa coisa está mudando e eu quero dar uma demonstração que você tem que ser profissional. Regras de contrato estabelecidas, você cumpre o que está estabelecido no contrato.

Wanderley Nogueira – Você disse recentemente que, se o Palmeiras não pagasse os compromissos atrasados até uma data estipulada pela diretoria, obviamente, que teria briga. Todo mundo entendeu que a briga que você quis dizer era uma confusão, discussão ou cobrança. E aí, numa última declaração, o Toninho Cecílio, que é o homem que dirige o futebol, diretor remunerado, disse mais ou menos o seguinte: “o Palmeiras está se esforçando, é verdade, para pagar os atrasados. Novos atrasados poderão surgir eventualmente no futuro. Isso pode acontecer. Mas, eu quero deixar bem claro: os incomodados que se mudem”. Mais ou menos isso. Sobre esse episódio, eu queria que você falasse um pouco, por favor.

Vanderlei Luxemburgo – Eu nunca trabalhei, não gosto de trabalhar, talvez por isso não tenha aceitado alguns convites do Rio de Janeiro. Foi problema com o Flamengo, o clube que eu mais gosto, que eu adoro, penso até em ser presidente do Flamengo um dia, foi quando o Márcio Braga falou pra mim que, para trabalhar no Flamengo, tinha que trabalhar no vermelho para chegar no verde. Eu falei que não fazia contrato de risco. Então ele falou, mas eu tenho US$ 200 mil. Ele disse “então você me empresta”. Então eu não aceito esse tipo de coisa e acho que, da maneira como eu trabalho, e acho que essa maneira é a que deve ser feita, é você cobrar profissionalismo do atleta. Você não tem que pedir “por favor”. Você não tem que falar para o atleta “ah, não sei se amanhã vai sair, quebra um galho aqui”. Quem quebra galho é macaco gordo. Jogador de futebol tem que jogar e tem que ser cobrado 100%. Eu não posso chegar para o Valdívia e dizer: “se você tomar cartão amarelo eu vou te multar, porque você não pode tomar cartão de graça. Está prejudicando a equipe, você não pode ter esse tipo de comportamento”. A partir do momento em que você tem uma brecha que ele diga “mas não estão cumprindo comigo o que tem que cumprir”, acabou. Estou morto. Então profissionalismo na acepção da palavra.

Eu conheço essa diretoria do Palmeiras, que eu trabalhei com eles bastante tempo. E o Palmeiras veio acumulando problemas em cima de problemas. Ano passado foram seis, sete vezes que atrasou o salário. Então, neste ano, foi a primeira vez. Não quero, não gostaria que fosse. Mas eles falaram “não, vamos conversar com os jogadores, dar um prazo até terça-feira”. Quando eu falei para a imprensa que era para terça-feira, eu falei com o Toninho (Cecílio) aqui na minha sala, e ele falou com os jogadores. Então ele foi lá e deu uma declaração tentando esclarecer e já falei com ele de novo. “A porta da casa é serventia da rua”, eu não sabia que ele havia dito isso aí. Aí eu o chamei e disse “preste bem atenção”. E ele é jovem, ele está começando essa atividade recentemente. Então estas turbulências podem de repente desencadear… Uma coisa que pode ser resolvida, desencadeia uma crise muito grande em declarações. E as declarações vão para a imprensa e não voltam mais. Todo mundo vai discutir aquilo. E hoje, pelo amadurecimento que tenho, você me conhece há 500 anos, eu intempestivamente já dei tantas declarações, trabalhei em cima de declarações, briguei com Telê Santana, em cima de declaração. Então você tem que ter muito cuidado com declarações porque você fica “esnocado” (sic) em cima da própria declaração. Depois não há como voltar atrás. Eu expliquei para o Toninho que ele diga que, se não pagar na terça-feira é porque aconteceu algum imprevisto que ele possa pedir mais um prazozinho. Ele quis passar isso, mas passou de uma maneira que houve confronto. Dá a entender que há um confronto comigo ou com o elenco quando não tem confronto nenhum. Isso será resolvido naturalmente, com inteligência para que não se faça de um atraso em que há todo o interesse do clube em resolver, numa crise que possa gerar desconforto para todo mundo. Todo mundo tem que aprender. Eu já aprendi muito. O Toninho vai aprender que, num momento de crise, você tem que ter um pouco mais de calma na hora de dar uma declaração porque isso é tudo esperto. Tudo vivo (sic). Ficam jogando pimenta e docinho pra você cair numa casca de banana toda hora, entendeu?

Wanderley Nogueira – Cinqüenta e nove dias. É a janela. De 31/06 a 31/08 e, neste período, muita gente vai embora ou não. Eu, pessoalmente, imaginava que logo que abrisse a janela, seria uma revoada. Mas, é estranho o que está acontecendo ou é normal? Porque até agora ninguém foi embora, com uma ou outra exceção.

Vanderlei Luxemburgo – É normal. Xará, se você pegar as janelas passadas também foi assim. O europeu não chega aqui e fala “vou contratar”. Só as exceções: os jogadores fora de série. E alguns casos já estão fechados, só não podem ainda ser colocadas. Não é o caso do Palmeiras.

Wanderley Nogueira – Mas quando pode?

Vanderlei Luxemburgo – Na hora que tiver acertado toda a documentação, pagamento.

Wanderley Nogueira – Então você crê que muita gente vai embora?

Vanderlei Luxemburgo – Muita gente vai embora, não tenha dúvida.

Wanderley Nogueira – De todos os clubes?

Vanderlei Luxemburgo – Vai. E outra coisa, o mercado é sempre assim. O mercado começa, ele abre, mas ninguém vai. O europeu vai negociando. Aí vem a história da mudança de comportamento meu. É um negócio. Negócio você esgota até o final para tirar o melhor proveito do negócio. Então eu não vou fechar aqui com o jogador porque eu quero por 30 milhões. Eu posso deixar para última janela, de repente, quem está com a corda no pescoço pode vender mais barato. Cai o preço. É a mesma coisa se você for à minha loja de automóveis que eu tinha e falar: “Luxa, eu quero vender meu carro”. Eu falo: “só vale dez contos”. Aí eu falo: “xará, você quer comprar o carro”, entendeu? É diferente você me oferecer ou eu te oferecer o negócio. Então esse é o mercado do futebol, que hoje existe negócio de muito dinheiro circulando. É preciso muita calma para se fazer o melhor negócio.

Wanderley Nogueira – Quer dizer que você acha que muitos negócios já estão fechados. Só ainda não foram divulgados, porque no momento oportuno serão?

Vanderlei Luxemburgo – Isso mesmo. Muitos ainda não foram divulgados e muita gente do Brasil vai sair.

Wanderley Nogueira – E esse negócio que a gente ouve de dirigentes, de uma forma geral, uns dizem mais explicitamente, outros não. “Nem pensar! Ou paga a multa rescisória integral, ou não leva o jogador”. E a gente sabe que alguns valores são absolutamente irreais. Quer dizer, isso não existe. É uma discussão, vai reduzir, vai ter desconto e, se não vender, perde o jogador que o corpo poderá estar aqui, mas a alma estará longe.

Vanderlei Luxemburgo – Xará, essa discussão é de negócio. É que o nosso negócio, o futebol, ele é transparente, ele vai para a mídia. Mas o outro do banco, de uma compra de imóvel, é tudo negócio. Você vai discutir o negócio para fazer o melhor. Então esse negócio de dizer eu não vendo meu jogador, o cara está doido para vender o jogador, mas eu não vendo. Porque ele não vai falar que vende o jogador. Se eu falar, eram 10 milhões, cai para cinco. Agora se eu falar, “não vendo”, o cara lá vai ter que perceber: “será que esse cara não está blefando? Será que ele não vende mesmo ou está dizendo para pagar o preço que é mesmo?”. Então eles esperam até a última semana que vai fechar a janela para saber se é verdade ou mentira que ele não vende mesmo, ou se vai vender. Tem muito empresário que joga o negócio na mídia para poder valorizar. É o que dizem que eu faço. Que o Luxemburgo está indo embora para o Lyon para me valorizar. Muita gente fala mesmo “olha, estou jogando essa coisa aí para ver o que vai acontecer”. É o mercado do futebol.

Wanderley Nogueira – E o jogador de futebol que sabe que vai ser negociado. Aquele que já foi está tranqüilo, sabe que vai. Mas aquele que pode ir embora, tem potencial para ir e resolver a situação econômica dele e da família para o resto da vida. Como fica a cabeça desse jogador e como se administra isso? Porque eu imagino, eu lembro sempre do Luizão, você sabe bem da história. Ele iria para o futebol alemão, foi jogar…

Vanderlei Luxemburgo – E eu falei para não jogar porque estava vendido.

Wanderley Nogueira – Estourou o joelho e perdeu US$ 15 milhões. Como fica isso?

Vanderlei Luxemburgo – Eu vi o documento na minha frente. Eu falei assim: “não joga”.

Wanderley Nogueira – Você falou?

Vanderlei Luxemburgo – Falei. “Não joga”. Pergunte para o Luizão. Mas o clube quis que jogasse. Eu falei: “não joga que você está vendido”. Aí aquele da HMTF, era um inglês lá, que diz que havia o fax, mas não está confirmado. Acho que era o Borussia Dortmund. Então jogou e perdeu a grana todinha, o clube também. Aí é uma coisa que não dá para você… eu falei isso na coletiva outro dia… Não dá mais para você ser taxativo como antigamente. Eu falei em cima do Marcos, da declaração do Marcos. Ele aprendeu. Eu falei “vem cá, meu filho, vamos aprender um pouquinho agora, você está ficando quase um treinador mesmo”. Você deu uma declaração que há algum tempo cabia, porque eu também já fiz isso. Hoje não cabe mais. É um negócio o futebol. Você não vai vender na hora que você quer. Não vai renovar o contrato da maneira que você quer. Hoje é tudo mais difícil. Há um intermediário, você tem o cara que analisa, vêm para cá quatro, cinco pessoas para analisar o comportamento do jogador. Aí um diz que sim, outro que não então há uma série de complicações até chegar na venda. Então não tem um prazo determinado para isso aqui. A outra é o seguinte. Eu acho que vai ter negócio de jogador de futebol, mas acho que será mais reduzido. Por que? Porque o futebol voltou a oferecer aos atletas brasileiros a possibilidade de ficar aqui bem remunerado, porque nossa moeda fortaleceu. O Brasil cresceu 5%, isso já está respingando no futebol. Os parceiros estão chegando e os clubes estão se fortalecendo e com isso você consegue manter os jogadores aqui. Então essa coisa para o próximo ano, para 2009, vamos ter um Brasil muito mais forte para manter jogador no Brasil. Porque nossa moeda está forte, com o crescimento do Brasil, e os parceiros que chegaram agora e descobriram o futebol como um grande negócio dentro da Lei Pelé. Então você vê a Traffic chegando. Ótimo! Você vê um Sondas chegando. Ótimo. Esses parceiros são todos bem-vindos ao futebol brasileiro. O clube é uma empresa. Acabou essa história de renda. A televisão está pagando muito dinheiro. Há muito dinheiro dentro do mercado, então descobriram que essa matéria-prima do futebol brasileiro é a melhor do mundo. Então, ao invés de investir na bolsa, os grupos investem no mercado do futebol como negócio. Dinheiro limpo que eu aplico no futebol e que eu vou aferir lucros em não é nada ilegal. Dinheiro bom do mercado que quer investir no futebol brasileiro.

Wanderley Nogueira – Última pergunta sobre Seleção Brasileira…

Vanderlei Luxemburgo – De novo!

Wanderley Nogueira – De novo. Por que só joga na Seleção Brasileira quem joga no exterior?

Vanderlei Luxemburgo – Eu acho que é porque o êxodo de jogadores é muito rápida e muito precoce e lá fora se destacam. Eu vou te falar porque, xará. Nos últimos quatro anos, quais foram os melhores jogadores do Brasil? Tevez, duas vezes Rogério Ceni e o Valdívia. Então você vê que nossos jogadores não estão aqui. Não surgiu nenhum grande jogador. Então você vai ver que estamos carentes de jogadores aqui no Brasil. E os que se destacam aqui, em seguida estão indo embora. Por isso que eu acho que a chegada destes empreendedores, destes investidores e o crescimento da moeda vai fazer com que o Brasil possa manter seus jogadores por mais tempo aqui. De repente, nós vamos ter jogadores convocados aqui, jogando no Brasil. Acho que vamos chegar nesta situação de oferecer. O que é oferecer? A situação do Hernanes, por exemplo. Vamos dizer que o Hernanes tem uma proposta de 20 milhões…

Wanderley Nogueira – Você o considera um grande jogador?

Vanderlei Luxemburgo – Um grande jogador. Um dos melhores que tem no Brasil. O melhor jogador que tem no Brasil. Um jogador fantástico. Gosto da maneira como ele se movimenta, como toca na bola com a direita, com a esquerda, é um excelente jogador. Vamos supor que seja 10 milhões de euros. O São Paulo não tem parceiros. Vamos botar ele no Palmeiras, parceiro. Vou ficar com o jogador no Brasil. O parceiro pode chegar e proporcionar a permanência do jogador no Brasil. Ou seja, ele oferecer 20% de grana para o jogador. Dois milhões de euros. Ele faz um contrato próximo da Europa, com prazo mais largo. E fica em casa. O parceiro passou a ficar com 20% de uma negociação futura, que pode ser 10, 15 ou 20, ele vai aferir lucros. Então o parceiro te proporciona essa possibilidade de o jogador ficar mais tempo jogando no Brasil. Eu acho que aí começa a ter o jogador. E a outra está na mudança da lei. Quando você faz o primeiro contrato de 16 a 21 anos. Você não consegue mais ter jogador no Brasil. Quando o jogador faz 19 anos, já está o empresário dizendo “não renova mais não. Vou te levar para fora”. Agora se você fizer com 16 até 23 anos, eu vou ter uma capacidade de aferição melhor. Aquele que eu posso fazer de um ano se ele vai se destacar ou não. Se aparecer um Robinho ou um Pato, eu faço até 23 anos e pago a multa. A multa é a que foi do Pato: 20 ou 25 milhões. A do Robinho: 30 milhões. Aí tem que vender.

Wanderley Nogueira – Obrigado pela entrevista, Vanderlei

Vanderlei Luxemburgo – Obrigado, foi uma entrevista muito boa, deu para esclarecer muitas coisas que o tempo é bom e o perguntador é bom, né? Mais ou menos, já foi melhor também (risos).

Reino de Nesi Curi: R$ 3 mil para ser aprovado no Corinthians

junho 26, 2008

Mais uma denúncia de corrupção no esporte amador do Corinthians.

A mãe de um ex-atleta do Corinthians informa que dirigentes cobraram dinheiro para que seu filho permanecesse no elenco.

Prática adotada por discípulos de Nesi Curi.

O fato aconteceu a cerca de quatro anos.

Muitos dirigentes da atual diretoria comandavam o setor.

Confira abaixo.

Pelé cobra cachê e fica fora do filme de 1958

junho 26, 2008

Do UOL

Bruno Império

Em São Paulo

A conquista da Copa de 1958 foi parar nos cinemas. Em comemoração ao cinqüentenário do primeiro título mundial do futebol brasileiro, o jornalista José Carlos Asbeg produziu o documentário “1958 – O Ano em que o Mundo Descobriu o Brasil”, baseado em depoimentos de jogadores nacionais e estrangeiros, dirigentes e jornalistas que cobriram a Copa da Suécia.

Uma ausência, entretanto, é bastante sentida. Pelé – esse definitivamente descoberto pelo mundo naquele ano – não dá as caras no filme. Segundo o diretor, ao contrário dos demais atletas que estão na película, Pelé cobrou cachê para participar do filme também feito em sua homenagem.

Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Asbeg admitiu que, ao iniciar as negociações com a empresa de Pelé para tentar encontrar uma brecha na apertada agenda do ex-jogador para as gravações, foi questionado sobre qual seria o cachê de Pelé. Asbeg não ficou surpreso, mas descartou ter Pelé contando a história da qual é um dos personagens centrais.

“No início houve uma negociação. Contatei a empresa de Pelé, e eles quiseram saber como estava meu orçamento, quanto eu tinha em mãos. Mas é normal o Pelé cobrar para participar de algo. Ele seria o protagonista do filme, a negociação transcorreu por meio da empresa dele. É a participação de Pelé em um filme. Não foi uma surpresa, mas acabou não dando certo”, afirmou Asbeg.

Sem oferecer recompensa, Asbeg não conseguiu gravar com o Rei. “Segui procurando o Pelé por mais dois anos após o primeiro contato com a empresa dele. Nunca ofereci cachê e, durante todo esse tempo, sempre me foi passado que ele não tinha datas disponíveis para gravar”, completou.

Procurado pela reportagem do UOL Esporte, Pelé, sua assessoria e sua empresa não retornaram as ligações. Ele só falou sobre o tema em entrevista coletiva em Brasília, nesta quarta-feira (Confira vídeo abaixo).

Na pré-estréia paulistana do filme, estavam entre os convidados a esposa do capitão Bellini, que não poupou elogios ao diretor: “Você acertou o ponto”, disse após a sessão. Mas quem parece não ter concordado muito com a opinião da companheira do zagueiro que criou o gesto de erguer a taça foi a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Quando decidiu fazer o filme, Asbeg dizia ter uma pretensão simples: prestar uma homenagem aos ídolos que conquistaram a Copa da Suécia em 1958. Atletas que romperam com a pecha do “complexo dos vira-latas” descrito por Nelson Rodrigues para definir o espírito de inferioridade dos brasileiros em relação ao resto do mundo após a derrota para o Uruguai, em pleno Maracanã lotado, na decisão da Copa de 1950.

Asbeg saiu então à procura de apoio. Bateu à porta da CBF, mas não foi atendido. “Procurei a CBF, mas eles não manifestaram interesse. A CBF não participar de evento de lançamento ou me auxiliar na divulgação e distribuição, eu entendo. Mas não contar com o apoio dela me surpreendeu. A CBF deve estar, de certo modo, envolvida com as coisas do presente e não entendeu o propósito do filme, que fala do passado”, disse Asbeg.

A CBF fez suas próprias ações para relembrar o cinqüentenário do título mundial. Por exemplo, um amistoso da equipe de Dunga conta a Suécia, anfitriã e rival da decisão da Copa de 1958. Mas o jogo aconteceu em Londres, atrás das libras.

Para Dino Sani, que também está no filme, as ações da CBF não conseguiram tocá-lo como fez o filme de Asbeg. “Que homenagem fez a CBF? Não participei de nenhuma. Nós, jogadores, as estrelas daquela conquista, não fomos homenageados em nada”, disse o ex-jogador atualmente com 76 anos de idade.

“Esse filme me fez lembrar coisas que eu até já tinha esquecido. Foi marcante”, completou também ao deixar a pré-estréia na capital paulista. O ex-santista Pepe também se emocionou com o filme e revelou que, apesar da conquista, a Copa de 1958 é uma de suas maiores frustrações: “Queria ter jogado pelo menos uma partida. Entrado no gramado ao menos uma vez”.

 

A máfia dos ingressos: Entrevista reveladora

junho 26, 2008

Juca Kfouri entrevistou o Secretário de Segurança do Paraná, Luiz Fernando Delazari, no CBN Esporte Clube.

Foi um bate-papo esclarecedor com o homem que prendeu a quadrilha que falsificava ingressos dentro do estádio do Coritiba.

Disse ainda que há fortes indícios de participação da BWA, a fornecedora oficial dos ingressos, no esquema.

Você não pode perder.

Estatuto enrolado e dirigente Gavião

junho 26, 2008

Estatuto Corinthiano

 

O Corinthians continua em situação irregular perante a justiça.

O estatuto que está em vigor é o do ano de 2002.

Nele as eleições são indiretas e as reeleições perpétuas.

O novo estatuto, redigido por juristas “notáveis” do clube, como Sérgio Alvarenga e Felipe Ezabella, ambos vice-presidentes de Andres Sanches, não está em acordo como o novo Código Civil.

O clube tentou registrá-lo no Cartório, depois que a irregularidade vazou para o blog.

O resultado, obvio, foi a devolução do documento sem o devido registro, além da indicação das irregularidades a serem corrigidas, entre elas o artigo 87 e sua famosa alínea “K”, que dá amplos poderes ao Conselho Deliberativo de alterá-lo com 2/3 de seus membros presentes.

Um absurdo.

Ontem, em reunião do CORI, foi decidido que o clube vai tentar registrá-lo na justiça.

A votação foi apertada, 7 a 6, e o assunto gerou muita discussão.

Roque Citadini não votou.

O presidente só vota em caso de empate.

A alegação dos membros que votaram pela entrada na justiça é de que o Cartório não tem competência para barrar o registro.

Detalhe: A tentativa de registro será feita sem que as alterações sejam efetuadas, ou seja, as irregularidades continuarão a fazer parte do documento.

O que implica em um quadro óbvio.

Vai para a justiça e é aprovado.

Recursos surgirão de diversos lados e interesses.

A situação ficará sob júdice até ser decidida pela justiça.

O caso vai se amarrando e quando chegarem as eleições, voto indireto.

Pior, eleito pelo antigo estatuto, além de tudo, o presidente terá direito a mais uma reeleição.

Realmente o cheiro não é bom.

Raul Gavião

Já é de conhecimento de todos o lamentável protesto organizado por membros de torcidas organizadas na ultima semana, no Parque São Jorge.

Foram até o campo de treinamento e ofenderam os atletas Felipe, Fábio Ferreira e Lulinha.

O protesto foi orquestrado e já estava agendado desde antes a final da Copa do Brasil, como já havia informado o blog.

Pior do que ter desocupados que, em pleno horário comercial, em um dia de semana, sentindo-se no direito de infernizar atletas que estavam trabalhando, palavra que eles desconhecem, é saber que foram ajudados por um vice-presidente do clube.

Raul Corrêa da Silva, vice-presidente de finanças, permitiu a entrada dos baderneiros.

Gente que nem associado do clube é fazendo arruaça com a conivência do dirigente.

Não que eu esteja impressionado, afinal, todos sabem que Raul é fundador dos Gaviões.

Mas como dirigente deveria se portar com postura melhor.

Ontem visitando o Orkut encontrei um líder do movimento “Fora Dualib”, Domingos Neto, dizendo: “Eles (torcedores) estão no direito deles”.

Direito ?

Entrar em um clube onde não são sócios, fazer baderna, incomodar trabalhadores e gritar palavrões a bel prazer ?

O mundo realmente está de ponta cabeça.

 

O torcedor não aguenta mais.

junho 26, 2008

Por PEDRO LUCAS ROCHA CABRAL DE VASCONCELLOS

Caro Leitor,

Não sei a quem esse e-mail chegará, mas valerá como o desabafo de um torcedor fanático.

Sou novo, é verdade, mas nos meus 17 anos aprendi a amar o Fluminense, e sempre sonhei em, um dia chegar aos pedestais já alcançados por São Paulo, Internacional, Flamengo…

Esse dia sempre pareceu longe, tão longe quanto eu estava, morando em Roma, na Itália.

Mas no dia 6 de junho de 2007 tudo mudou.

Estava pendurando uma bandeira do Flu na janela de casa, para a final da Copa do Brasil quando vejo passar na minha rua um grupo de brasileiros, vestidos à caráter com a camisa do clube.

Só ali é que pecebi o que era estar na final de uma competição nacional.

Por causa do fuso de 5 horas a mais, tinha que acordar às 3 da manhã de quinta feira para poder ouvir as partidas pelo radio, algo que fazia com muito prazer, mesmo que contrariasse meu pai.

Agora voltei para a nossa “mui amada” pátria, só que infelizmente não pensei que os ingressos para a finalíssima da Libertadores fossem ser vendidos tão cedo, e marquei meu avião para chegar ao Rio sábado à tarde.

Quando soube, ingenuamente pedi para a minha tia que tentasse comprar os ingressos, já que provavelmente não estariam mais disponíveis no domingo.

Ela aceitou, e foi para a fila às 7h da manhã para tentar comprar, e ficou 4 horas na fila antes de desistir e voltar para casa.

Agradeço a Deus por isso, pois ela estava bem perto de onde ocorreu a confusão, e se algo acontecesse não me perdoaria jamais.

A situação de meu primo foi ainda pior, pois quase foi atingido por policias, se é que se pode chamar de protetor da ordem quem bate indiscriminadamente em mulheres idosos e crianças, e ele, que estava na fila desde às 5 da manhã, também saiu sem ingressos.

E é aqui que entra a minha indignação, porque até aceito ficar sem ir ao estádio, mas não aceito de jeito nenhum, que minha família arrisque a saúde, pela incompetência, para não dizer corrupção, de cartolas brasileiros.

Os ingressos acabaram em quatro horas, segundo informações oficiais, em todos os postos de venda, mas se considerarmos os cinco postos e os 60.000 ingressos, seriam 12.000 ingressos por posto, que divididos por 240 minutos (4 horas) seria como se os caixas dos 5 postos vendessem 50 ingressos por minuto, e como existe o limite de 2 ingressos por pessoa, seriam 25 pessoas por minuto, quase uma pessoa a cada 2 segundos….

Isso eu acho um absurdo, e ainda mais por querer ser jornalista esportivo em um futuro não tão distante (assim espero), me sinto obrigado a deixar por escrito essa palhaçada!

Desculpem-me se me alonguei demais, mas um desabafo não deve ter limite de linhas.

Será que dá ?

junho 26, 2008

O que aconteceu com o Fluminense no primeiro tempo da partida contra a LDU ?

Apático, sem alma, a equipe carioca parecia disputar um treino nas Laranjeiras.

Enquanto isso, o LDU, que não tinha nada a ver com isso, foi fazendo os gols.

O primeiro saiu logo no primeiro minuto de jogo.

Em jogada pela direita, a bola é cruzada, Bieler se antecipa a Thiago Silva e abre o marcador.

O Flu até tentou reagir, mas parecia ter os pés pregados ao chão.

Washington, aos 5 minutos, perde um gol impossível, na frente do goleiro.

Aos 11, a esperança carioca ressurgia.

Em uma cobrança de falta espetacular, Conca empata a partida.

Daí por diante foi um massacre da LDU.

Aos 28 minutos, Fernando Henrique defende com os pés chute dentro da área, a bola sobra para Guerrón que não perdoa e faz o segundo gol equatoriano.

A defesa do Flu pedia para levar mais, e foi atendida.

Aos 33 minutos, escanteio batido no primeiro pau, Campos, de costas para o gol, antecipa com a cabeça e faz o terceiro gol.

O LDU ampliaria aos 45 minutos em outra jogada de escanteio.

Washington, uma nulidade na partida, corta mal de cabeça e a bola sobra para Urrutia ampliar o desastre.

O Flu, sentindo os efeitos da altitude, teve muitas dificuldades na segunda etapa.

Que foi carente de bons lances.

Mas logo aos 6 minutos, em cruzamento pela direita, Thiago Neves antecipou de cabeça e deu novo alento para a equipe.

O jogo foi se arrastando e Renato Gaucho, pedia para que sua equipe segurasse a partida. Acredita que perder por dois gols de diferença, diante das circunstancias, era um resultado aceitável.

E foi o que a equipe carioca fez.

Mas por pouco não leva o castigo no final.

Aos 42 minutos, Fernando Henrique faz milagre, a bola pega no travessão e volta para as mãos do goleiro.

A partida termina e ambas as equipes saem satisfeitas.

O LDU acha que a vantagem lhe dá o titulo.

Já o Fluminense acredita que dois a zero pode ser revertido.

Uma coisa é certa.

Teremos um grande jogo no Maracanã.

Corinthians tropeça contra o Bragantino

junho 26, 2008

O Corinthians foi muito mal contra o Bragantino.

A primeira etapa, de doer, nem merece comentários.

A equipe não se encontrava em campo e poucas chances eram criadas.

Logo no início do segundo tempo, aos 7 minutos, em falta batida pela meia direita, Pará faz 1×0 Braga.

Só restava para o Timão buscar o ataque.

Foi o que aconteceu, de maneira ainda desordenada.

Aos 22 minutos, o árbitro colabora com o Corinthians expulsando Moradei de maneira equivocada.

Logo depois, aos 23, Acosta é puxado dentro da área e o pênalti é marcado.

Chicão, com a mestria de sempre, empata a partida.

O Corinthians teria ainda cerca de 20 minutos para tentar o seu gol, com um homem a mais dentro de campo.

Não conseguiu.

O empate serve de sinal de alerta para que o rumo do inicio do campeonato seja retomado.

O campeonato está fácil.

Mas não pode bobear.