Arquivo para 1 dezembro, 2009

Dirigentes corinthianos continuam desrespeitando Alfredo José Trindade

dezembro 1, 2009

André Negão e os “Fora Dualib”

Do MÍDIA SEM MÉDIA

Por MÔNICA FORMIGONI e PAULINHO

Família do conselheiro falecido está revoltada

Alfredo José Trindade, conselheiro do Corinthians, além de sócio benfeitor, com a carteirinha nº 3552, foi expulso do órgão, pelo Conselho de “Ética”, a pedido do movimento “Fora Dualib”, ligado ao diretor administrativo André Luis de Oliveira, vulgo André Negão.

A alegação foi de que Trindade faltava às reuniões.

Na verdade, mesmo acometido de uma terrível patologia, o conselheiro justificou suas ausências por intermédio de cartas, laudos médicos e do testemunho de seu amigo, também membro do Conselho, Sergio Scarpelli.

Mas a falta de respeito dos atuais dirigentes corinthianos não tem limite.

Mesmo após três meses do falecimento de Alfredo Trindade, sua filha recebeu, ontem, uma carta oficial do Corinthians, dando um prazo de cinco dias para que ele envie sua defesa.

Tentam encobrir a expulsão já decretada, inclusive com a solicitação da carteirinha de conselheiro, feita anteriormente.

O documento, assinado pelo também conselheiro Dr. Carlos Roberto Elias, por “coincidência”, advogado de André Negão, demonstra o nível daqueles que representam o clube.

Revoltada, Maria Eugênia, filha única de José Trindade, falou com nossa reportagem: “Como pode o Corinthians, depois de três meses da morte de meu pai, pedir para que ele compareça e entregue as considerações finais do processo? Será que depois que meu pai provou que ficou ausente devido sua doença eles não deveriam ter encerrado esse processo? Por que eles ficam mexendo na nossa ferida? Isso é absurdo!”

“O que eles estão fazendo com o meu pai é absurdo! Denegrir e achincalhar o nome de um homem honrado, bom marido, bom pai e que se dedicava a ajudar o Corinthians em tudo, é errado, absurdo e incabível!”

Maria Eugênia diz ainda que a família está muito chocada com o falecimento de Trindade e que este tipo de situação colabora para que a dor da perda, aliada a revolta pela injustiça cometida com um homem que dedicou sua vida ao Corinthians, se intensifique ainda mais.

“Vou provar que meu pai não era desonrado e que era digno de ter essa carteirinha de conselheiro. Agora vou até o fim.”

André da SORTE em apuros

dezembro 1, 2009

PM estoura bingo e encontra indícios de propina em SP

RICARDO VALOTA E JB NETO – Agencia Estado

SÃO PAULO – Policiais militares estouraram na madrugada de hoje um bingo montado numa residência na Vila Maria, região nordeste da capital paulista. Foram apreendidas 18 máquinas de videobingo e 25 cheques de clientes, com valores entre R$ 100 e R$ 300. Foram detidas sete pessoas que participavam da jogatina. A polícia também encontrou um caderno com anotações se supostas propinas pagas pelo dono do bingo para a polícia.

Nas anotações aparecem dois dias: 15 e 30 de novembro. No dia 15, por exemplo, teriam sido pagos R$ 1,5 mil para a Polícia Civil (não especificada delegacia ou departamento), R$ 1 mil para a Polícia Militar (PM) e R$ 3 mil para uma delegacia seccional (também não especificada).

Já no dia 30, teriam sido pagos mais R$ 1,5 mil para a Polícia Civil, R$ 1 mil para a PM, R$ 3 mil para o Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) e R$ 3 mil para o Grupo de Operações Especiais (GOE). O caso foi encaminhado ao 9º Distrito Policial (DP), do Carandiru.

Má fama olímpica

dezembro 1, 2009

“Rio só venceu disputa pelas Olimpíadas porque teria enviado “50 strippers e meio quilo de pó para Copenhague”

Robin Willians, ator norte-americano

Desonra irreparável

dezembro 1, 2009

O lamentável episódio que indica “corpo mole” dos atletas corinthianos, na derrota para o Flamengo, em Campinas, precisa ser melhor apurado.

Teatralidade, pouco empenho e irresponsabilidade administrativa que demonstraram ainda mais o nível do comando a que estão submissos.

Para piorar, uma publicação OFICIAL do clube, o jornal “O Fiel”, deixou claro que a derrota foi “doce” e que pelo menos “atrapalhou” seus rivais na luta pelo título brasileiro.

Mais uma vergonha da turma de Andres Sanches e seus bicheiros amestrados.

Nem na administração de Alberto Dualib, de tantos e tantos problemas, se constatou tamanha desfaçatez.

O Corinthians tem uma história de luta, sofrimento, alegrias e glórias conquistadas dentro de campo com a honradez de muitos que transformaram este clube num dos mais apaixonantes do mundo.

O que aconteceu no último domingo, com a conivência de atletas, comissão técnica e dirigentes será uma mancha irreparável de vergonha para os corinthianos de boa índole.

Como a jornalista Leonor Macedo que, constrangida, mas com imensa honradez, redigiu a nota abaixo, que retirei do blog do Juca.

CORINTHIANISMO

Por LEONOR MACEDO*

Se você gosta de futebol e já sabia que a rodada de domingo, 29/11, estava arranjada para favorecer o Flamengo antes mesmo de ela acontecer, aconselho que desista do esporte.

Que tente canalizar sua energia para algo mais legítimo, mais honesto, mais respeitoso, mais digno.

Porque futebol é isso: é o ópio do povo, é irracional e se pararmos para pensar, a gente pára de gostar.

É amor, é paixão, é utopia, é ingenuidade. É burrice.

Fui para Campinas, com toda a minha burrice e ingenuidade, confiando no discurso da diretoria do Corinthians e dos jogadores de que seria o “jogo do ano”.

Ronaldo prometeu uma chuva de gols, outros jogadores afirmaram que dariam o sangue, o técnico se irritou ao ser questionado sobre um possível favorecimento ao Flamengo para eliminar as chances do São Paulo ser campeão: “o Corinthians estará empenhado para ganhar. Se o São Paulo não fez a sua parte, não é um problema nosso.”

Acreditei e fui confiante!

Comprei meu ingresso mesmo sabendo que a renda do futebol seria destinada ao carnaval do centenário, em 2010.

Mesmo sabendo que o correto é utilizar a arrecadação do futebol com o futebol. Fui porque meu amor pelo futebol é muito maior do que meu ódio pelo carnaval.

Cheguei a Campinas cedo, ganhei uma carona de carro e almocei em um shopping relativamente próximo ao estádio.

Vi dezenas de corinthianos exibindo suas camisas orgulhosos, confiantes na equipe, assim como eu.

Porque me recuso a acreditar que algum corinthiano realmente estivesse interessado em uma derrota para o Flamengo apenas para prejudicar o São Paulo.

A rivalidade não pode ser maior do que a vontade de ver seu time ganhar qualquer coisa, até campeonato de Master.

Cresci aprendendo que existem apenas dois tipos de torcida no Brasil: a corinthiana e a anticorinthiana.

A nossa, até então, era a corinthiana.

Quando entrei no estádio (com uma entrada relativamente organizada nas catracas do Fiel Torcedor, diga-se de passagem), acomodei-me em um degrau semi-alagado e vi o Brinco de Ouro da Princesa lotar de corinthianos e flamenguistas, que também compareceram.

Foi quando Evandro Roman apitou e a vergonha começou.

Não falo apenas de erros grotescos de arbitragem porque, se eu sou ingênua a ponto de acreditar na hombridade de um elenco todo, sempre acreditei em juiz ladrão.

Falo de corpo mole, de recuar a bola para o goleiro em um ataque, de 90% de passes errados, de contusões inexplicáveis, da expulsão do nosso capitão, do nosso técnico.

De 10 jogadores caminharem dentro de campo (o único que tentou foi Defederico, que não fala português e que talvez não tenha entendido a recomendação de entregar uma partida), de um goleiro não tentar pegar a bola em forma de “protesto” contra a arbitragem (e o melhor protesto que ele podia ter feito ali era agarrar o pênalti e honrar os milhares de corinthianos que estavam na arquibancada).

De o nosso elenco fazer o que fez estampando o rosto de centenas de corinthianos na nossa camisa (a obrigação de ganhar a partida podia ser só por esse motivo).

De ouvir um meia do Corinthians que está de férias desde o fim do Campeonato Paulista justificar seus erros na arbitragem (concordo, Elias, que o juiz errou, é péssimo e tem que ser punido, mas quando foi que o Corinthians dependeu de juiz?).

De ver o nosso técnico ser expulso quando ele é o primeiro que tem que manter a cabeça fria para dar tranqüilidade ao elenco, honrando o salário milionário que ele recebe. E depois reclamar da arbitragem também, sendo que o próprio, no meio do campeonato, afirmou que a prioridade nunca foi o Campeonato Brasileiro, mas o time em 2010.

A prioridade, senhor Mano Menezes, é respeitar o torcedor do Corinthians e tentar vencer tudo o que se propuser a ganhar.

Eu não tenho seis meses de férias, nem ganho um centésimo do que o senhor ganha e trabalho com seriedade.

Saí do estádio sem conseguir falar uma palavra.

Atônita e surpresa sim, porque eu acreditava que o elenco do Corinthians pudesse, pelo menos, honrar aqueles que acreditavam.

Porque sempre acreditei que eu, como torcedora, pudesse ter alguma importância (mesmo que financeira) para o clube.

Voltei para São Paulo pensando que por muito menos a torcida expulsou do clube um dos maiores jogadores da história do futebol, o Rivelino.

Que, mesmo naquele contexto importantíssimo que é um Corinthians X Palmeiras, ele pode ter errado, mas jamais entregado uma partida a nosso rival.

Que a gente pode ter perdido um clássico, um título, mas que não perdemos a dignidade tanto quanto neste domingo, em Campinas.

Nem quando fomos rebaixados para a Série B.

Sei que a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians.

No próximo fim-de-semana, por exemplo, é a última rodada do campeonato e o Grêmio anunciou que pode escalar o time reserva contra o Flamengo apenas para prejudicar o Inter.

Que o mesmo Inter entregou uma partida para prejudicar o Corinthians contra o Goiás, em 2007.

Que muitas pessoas consideram isso absolutamente normal no futebol e depois reclamam de ética em seu trabalho, nas relações pessoais, enfim, em sua vida.

O futebol é espelho de tudo isto.

Se a falta de dignidade não é única e exclusiva da diretoria do Corinthians e do elenco corinthiano, é com ela sim que eu me preocupo, porque eles, infelizmente, carregam o escudo que eu defendo.

Se todos os anos para mim terminam com o fim da temporada de futebol, 2009 foi o ano que terminou mais cedo.

Curarei minha ressaca futebolística longe de Corinthians X Atlético Mineiro.

Sei que a minha fé no futebol retornará assim que a ressaca passar.

Que eu encerrarei o papo de “não bebo mais” e continuarei enchendo a cara dessa cachaça.

Que seguirei acreditando que outro futebol é possível: com dignidade, honestidade e hombridade.

Com jogador que defende o escudo do clube acima de qualquer dinheiro, com dirigente que recusa mala branca e leva em consideração sua torcida, com elenco que não entrega a partida, com torcedor apaixonado que prefere ver o time ganhar a ver o rival se dar mal.

Morrerei velhinha acreditando.

E precisarei de dois caixões: um para mim e outro para a minha santa ignorância.

*Leonor Macedo é corintiana e jornalista.

Pergunte para o Paulinho

dezembro 1, 2009

Tenho tido pouco tempo para interagir nos comentários.

Confesso sentir falta.

Todas as terças feiras, responderei as dúvidas que ficarem pendentes nesse espaço.

Fique a vontade.

Pobre Sport

dezembro 1, 2009

O presidente do Sport, Silvio Guimarães, responsável pela pior campanha do clube na história dos Campeonatos Brasileiros, continua envergonhando a nação rubro-negra de Pernambuco.

Disse que irá processar os jornalistas que “ousarem” chamar o Flamengo de “hexa-campeão”, em caso de conquista do Brasileirão, no próximo domingo.

Refere-se ao Campeonato de 1987, onde até hoje a CBF não reparou sua lambança, em que o Mengão foi o vencedor de fato, embora a entidade reconheça o Sport como campeão de direito.

“Há 22 anos ouvimos isso, mas a lei brasileira dá o título de 1987 ao Sport. Se alguma emissora de TV, rádio, jornal ou site falar em hexa do Flamengo será processado, pois o nosso jurídico entrará com uma ação na justiça”, disse o infeliz.

Como este espaço considera o Mengo legítimo campeão de 1987, desde já, peço que o lamentável dirigente pernambucano solicite sua senha para fazer parte do grupo “seleto” de aberrações que costumam me processar, e passar vexame nos tribunais.

E conclamo aos torcedores do Sport a interpelá-lo por um assunto mais sério, que envolve má administração e problemas com as finanças do clube.

Assunto, é claro, que o dirigente pernambucano evita comentar.

Rompimento obrigatório

dezembro 1, 2009

Enquanto o DEM ainda espera por uma explicação milagrosa para tentar isentar o corrupto Governador Arruda, do Distrito Federal, com a finalidade de não expulsá-lo, só visualizo uma solução aos seus correligionários de partido.

Se forem honestos, terão que exigir o afastamento do “ladrão” do Distrito Federal.

Em caso de negativa do partido, a única solução, para que não sejam comparados ao bandido, é pedir o próprio desligamento do DEM.

Político que continuar filiado a um partido que tem em suas bases um corrupto comprovado como o Governador do Distrito Federal é porque aprova os procedimentos amplamente divulgados pela imprensa do País.

Com a palavra o Prefeito Gilberto Kassab, que tem, sem dúvida alguma, a obrigação de dar o exemplo.

Não pode se omitir.

Comunicado dos alunos da UNIBAN

dezembro 1, 2009

*Democraticamente o blog publica, abaixo, o direito de resposta dos alunos da UNIBAN referente ao caso da menina Geysa, hostilizada por um grupo da Faculdade

São Bernardo do Campo, dezembro de 2009.

Há dias a história da “aluna agredida na UNIBAN” vem tomando conta do país e assombrando diversas pessoas ligadas à instituição.

Várias coisas foram ditas a respeito, mostrando, por enquanto, uma única face: a da “aluna agredida em virtude do vestido curto”.

A circulação de idéias equivocadas a esse respeito fez com que nós, alunos da UNIBAN, campus ABC, viéssemos expor nossa real condição: não de vítimas indefesas como tem se mostrado a protagonista do ocorrido, mas como alunos, universitários conscientes, e principalmente, pessoas que merecem ser respeitadas tanto quanto a aluna supracitada.

Para tanto, pretendemos discutir dois fatores importantes: o primeiro, a respeito da estimativa de 600 alunos diretamente envolvidos no ocorrido, conforme contabilização da própria instituição; e o segundo, acerca do ápice‟ – momento de saída da aluna, conforme podem comprovar o horário de gravação dos próprios vídeos exaustivamente exibidos.

Infelizmente, detalhes significativos não foram mencionados devidamente por alguns segmentos da mídia e, com isso, algumas distorções ocorreram.

Deste modo, o propósito deste comunicado, em nome de todos os universitários da UNIBAN, não pretende assumir condição parcial a respeito da instituição ou da aluna, nem pedir remissão de culpa a quem quer que seja; mas sim, discutir a estigmatização que tem marcado pessoas inocentes.

Nossa motivação parte do princípio de que tanto os alunos que participaram do ocorrido, a aluna, parcelas significativas da mídia e da população que massacraram a imagem da universidade e de seus respectivos alunos, acabaram por fazer parte de um modelo de sociedade sem propósito definido, sem malícia para reconhecer onde termina a liberdade e começa o respeito pelo outro, sem conseguir diferenciar moral e ética.

O que circulou por meio de diversos tipos de mídia é o repúdio à falta de respeito de todos os alunos da UNIBAN/ABC às escolhas do outro, discurso esse que algumas mídias fizeram questão de transmitir para o mundo, com base nas informações passadas pela óptica da aluna, esquecendo-se do princípio essencial da imparcialidade.

Os vídeos mostram, sim, alguns alunos gritando e ofendendo a moça, porém, mesmo que a consciência humana acredite na visão como argumento claro para o julgamento de qualquer tipo de situação, devemos refletir, considerando todos os fatores envolvidos.

Um site publicou um artigo acerca do „assunto do momento‟ e fez o seguinte comentário a respeito da postura de todos os universitários da instituição: “com o fim da ditadura, a eleição de Tancredo e a perspectiva de diretas em 1989 (…) Sem um inimigo claro, que no caso das gerações imediatamente anteriores à minha era o governo militar, ficamos sem ter do que reclamar”.

Mais um equívoco: não temos do que reclamar? Sempre teremos! Mas com certeza é muito mais cômodo simplesmente reproduzir o que ouvimos do que buscar saídas para tantos problemas que afligem nossa sociedade.

É mais cômodo que problematizar a situação e percebermos que a raiz de todo o acontecido não é o fato de a universidade ter pessoas que não pensam, mas que foram ensinadas (como a maioria da população), desde os primeiros anos escolares, a não desenvolver o espírito de questionamento e a visão de bem estar do todo.

O primeiro fator leva em consideração a quantificação, pois os dados sugerem que, na noite em que o fato ocorreu, dos 12.000 universitários que ali estudam, cerca de 600 estiveram envolvidos na desordem.

Pensemos: então, pelo menos 11.400 pessoas inocentes estão sendo julgadas de igual forma por estarem no local errado e na hora errada? E que hora era essa?

O segundo fator responde a questão tendo em vista a qualificação: os vídeos mostraram muitas pessoas pelos corredores, dando a idéia de que todos estavam ali por conta disso.

Na realidade, o que ainda não ficou esclarecido foi o fato de tantos alunos estarem fora de suas salas por se tratar da hora do intervalo, portanto, mesmo que esta lamentável circunstância não tivesse ocorrido, os alunos estariam transitando pelos corredores de igual forma, como ocorre em qualquer instituição de ensino.

Podemos então citar Bakhtin (1981, p. 86) quando diz que todo discurso “é constituído, na sua tessitura, por milhares de fios ideológicos”, já que o objetivo do sujeito é transmitir seus valores, suas crenças, suas visões de mundo; e o discurso é ainda mais ideológico se vem pautado em argumentos de apenas uma das partes envolvidas. E, a priori, omitindo dados que entrariam em conflito com o direito de ir e vir de todas as pessoas, não apenas de uma.

Podemos observar todos os dias, não só na UNIBAN, como em qualquer outra universidade ou local público, mulheres com saias, vestidos ou shorts curtíssimos e nem por isso são tratadas com tamanha hostilidade. Levantamos então as seguintes questões: “O que teria realmente motivado a manifestação desses 600 alunos?

Dos 12.000 alunos, quantos foram culpados, então? Os culpados receberam a devida punição? E os demais, que em nada tiveram a ver com o ocorrido, foram punidos além do âmbito universitário, no âmbito social? Por quê?”.

É evidente que todo indivíduo com o mínimo de senso crítico se questionaria a respeito.

Em 22 de outubro de 2009 aconteceu um fato condenável. Temos consciência disso e apoiamos a responsabilização dos culpados. Entretanto, não podemos receber a culpa generalizadora como legado. É importante pensarmos que nós, universitários, passamos a ser generalizadamente taxados de preconceituosos porque alguns tiveram uma atitude de pré conceito a respeito da aluna. Entretanto, fomos “pré julgados”, ofendidos, em escalas muito maiores, por pessoas que sequer presenciaram ou conheceram a real motivação do fato.

As acusações foram tão preconceituosas quanto qualquer tipo de atitude exposta que foi tomada. A exemplo: a Folha de São Paulo publicou um artigo com o seguinte título “Quarta maior universidade do país, UNIBAN investe na classe C” e aponta: “a instituição apostava em cursos para a classe média.

Dez anos depois, mudou de perfil e passou a buscar alunos mais pobres. Cortou custos e baixou as mensalidades, política que persiste até hoje (…) o crescimento rápido teve um forte impacto na qualidade dos cursos oferecidos (…)”. Não haverá aí algum tipo de preconceito?

O que nos espanta realmente é a forma como a notícia foi (e vem sendo) veiculada e como tomou proporções imensas (e contraditórias) até a massa ser atingida pelo senso comum que impera.

É como diria Zé Ramalho em uma de suas composições: “O povo foge da ignorância / Apesar de viver tão perto dela (…) Os automóveis ouvem a notícia / Os homens a publicam no jornal / (…) Vida de gado / Povo marcado Êh! / Povo feliz!”.

Aos „universitários‟ é sempre cobrada uma postura crítica e hoje somos atacados até por outros universitários que acham que ter postura crítica é fazer manifestos libertinos, com base em uma teoria massificada de que liberdade de expressão é fazer o que se quer, onde e quando se quer, e esquecem que antes disso é preciso ter a consciência do respeito pelo outro; e que a questão não é só o que queremos fazer, mas sim, o que podemos e se devemos fazer.

Da mesma forma, a revista Veja de pronto publicou: “A saia da moça e a ira dos boçais – Os estudantes da UNIBAN de São Bernardo engolem em silêncio mensalidades abusivas, professores medíocres e o sistema de ensino que fabrica fortes candidatos ao desemprego. Só não engolem uma jovem com a saia curtíssima.”

Se todos concordam em um ponto: que nenhum tipo de preconceito é aceitável, então não podemos ser repudiados pelas atitudes de alguns. Não podemos aceitar as ofensas que nos são dirigidas a todo momento, a ponto de prejudicar moral, social, profissional e academicamente os demais alunos.

O problema mudou de cara. E o que vem à tona é a forma como a consciência ingênua reina até nos lugares onde não deveria. É o fato de estarmos tão suscetíveis ao poder de manipulação que a mídia sensacionalista e o sistema capitalista têm e usam para desviar o olhar do povo para assuntos superficiais, a fim de obter vantagens individuais.

Com certeza é preciso uma reflexão mais ampla a respeito deste assunto, mas não de olhos fechados, sem observar as raízes da questão, sua motivação e todos os fatores realmente importantes que estão envolvidos. Caso contrário, corre-se o risco de assumir (in)voluntariamente a mesma condição do algoz a quem tanto se condena.