Arquivo para 6 janeiro, 2013

Corinthians descumpre TAC (novamente) e terá que pagar mais de R$ 1 milhão

janeiro 6, 2013

No período da reforma do CT da Ayrton Senna, que estava sob responsabilidade do médico Joaquim Grava, o Corinthians foi multado pela Secretaria do Meio Ambiente em R$ 990 mil por jogar lixo e entulho nas cercanias do empreendimento.

Recorreu, perdeu, e depois, auxiliado por manobras politicas na Prefeitura, conseguiu assinar um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que eliminou a multa na condição de que o clube cumprisse as exigências do documento.

Problema solucionado ?

Não.

O clube descumpriu o acordo e, novamente ajudado, conseguiu prorrogação do prazo para se adequar à Lei vigente.

De nada adiantou.

Despacho da Prefeitura diz que “por inercia do interessado”, um novo TAC que já estava a caminho foi indeferido.

Portanto, além de pagar a multa anterior, que corrigida já atinge mais de R$ 1 milhão, o clube poderá ainda sofrer novas sanções, judiciais e financeiras, pelo descumprimento da palavra.

Aliás, marca esta registrada de suas últimas administrações.

Palmeiras trata Marcos Assunção com descaso

janeiro 6, 2013

Principal jogador do Palmeiras nas últimas temporadas, não apenas tecnicamente, mas também na liderança exercida no grupo, Marcos Assunção vem sendo tratado pela atual gestão do clube com absoluta falta de respeito.

Vale lembrar que diferentemente de dirigentes que fugiam de viagens no período de rebaixamento, ou se escondiam em praias do Leblon, Assunção jogava machucado e não fugia de entrevistas.

De maneira rasteira, Arnaldo Tirone vem divulgando, na surdina, para a imprensa, valores que não correspondem à verdade na negociação, no intuito evidente de jogar o atleta contra a torcida.

Nem Assunção pediu os tais R$ 400 mil mensais (a pedida beira os R$ 300 mil, sendo que o atleta recebe, hoje, algo próximo de R$ 250 mil), muito menos o Palmeiras indicou em números, o reconhecimento necessário a um jogador essencial para o elenco.

Como consequência, chateado, o volante que tinha como prioridade renovar com o Verdão, passará agora a avaliar outras propostas.

Em se confirmando a saída, o clube perde um dos melhores jogadores do Brasil na posição, sem ter ao menos um jogador de respeito para substituí-lo.

Enquanto isso, Valdivias e afins, que receberam mais do que Assunção durante todos esses anos e frequentaram mais as casas de senhoras caridosas do que os gramados, continuam esfacelando o caixa do clube e a paciência do torcedor com suas peripécias.

O torcedor do Vasco acordou

janeiro 6, 2013

Para afiliada da TV Globo “sinceridade demais atrapalha”

janeiro 6, 2013

Por RODRIGO LEONTINO

Boa tarde Paulinho,

Meu nome é Rodrigo, sou consultor de empresas em Londrina-PR, grande fã de futebol e esportes em geral e admirador a muito tempo do seu Blog.

Concordando ou não com suas opiniões, me agrada muito a linha que você segue ao realizar seu trabalho.

O motivo que me faz te escrever este email é a indignação que eu senti a assistir uma reportagem hoje no programa Tem Esportes.

A TV Tem é a afiliada da Rede Globo no centro-oeste paulista, antes da exibição do Globo Esporte normal para toda a rede a afiliada exibe um boletim esportivo falando essencialmente sobre os times de futebol da região.

Como passei duas semanas de férias na casa dos meus pais em Botucatu, pude acompanhar o programa.

O Tem Esportes segue aquela linha normal de “oba oba” dos programas esportivos da Globo, mas hoje achei que passaram do ponto numa reportagem.

Ao falar sobre a estreia do Linense na Copa São Paulo de Futebol Junior, a chamada da reportagem comentava que os jogadores “ainda tem muito a aprender, como, por exemplo, dar entrevistas”.

Imaginei que a reportagem falaria sobre a timidez dos garotos em falar para as câmeras, inexperientes que são neste quesito.

Qual não foi minha surpresa quando o repórter entrevistou o atacante da equipe, tido como seu principal destaque, que pareceu até bem articulado para a sua idade.

Após uma declaração absolutamente normal do jogador entrou a voz do narrador proclamando que o rapaz precisava aprender como dar entrevistas, “porque sinceridade demais atrapalha”.

Depois desta fala, foram exibidas duas perguntas feitas ao jovem jogador.

A primeira era se o elenco atual do Linense é o melhor em que ele já jogou na Copa São Paulo.

O rapaz respondeu: “Na verdade, acho que o elenco do ano passado era um pouco melhor”.

A segunda pergunta era se seria importante a torcida encher o estádio para apoiar o time.

A resposta do rapaz foi algo como “independentemente de torcida, a gente tem que entrar lá e jogar do melhor jeito. A torcida não influencia nosso desempenho dentro de campo”.

Achei as respostas do garoto geniais, demonstrando um jogador de personalidade.

Mas depois de cada resposta dele entrava a voz do narrador inconformado “Como assim rapaz? Não pode ser sincero deste jeito não, tá maluco!”.

E encerrava com um “Ele é novo ainda, tem tempo para aprender”.

Sempre admirei jogadores que fogem do lugar comum nas entrevistas e têm seu próprio modo de pensar, mas parece que estamos condenados a não ver mais jogadores do tipo no mundo do futebol, sendo que os que restam terão que se adequar aos padrões estabelecidos por aqueles que exercem seu poderio econômico sobre a modalidade.

Hoje em dia este tipo de pensamento é tratado pela grande mídia como “defeito que tem que ser corrigido”.

Sentiremos cada vez mais saudades de Sócrates, Renato Gaúcho, Romário, Edmundo, Vampeta.

Jogadores que pensavam por conta própria e não eram fantoches na mão de um sistema.

Era isto que eu gostaria de compartilhar com você Paulinho, um abraço e parabéns pelo seu trabalho.

Abraços

Ilha da fantasia

janeiro 6, 2013

EDITORIAL DA FOLHA DE S.PAULO

“Enquanto se omitem em temas como lei orçamentária e royalties do petróleo, parlamentares refutam determinações do STF”

O recente comentário do ministro Marco Aurélio Mello, apontando o “faz de conta” em que vive o Congresso Nacional, foge certamente ao comportamento de altitude e discrição que se espera de um magistrado do STF. Não poderia ser mais verdadeiro, contudo -e o Legislativo brasileiro parece multiplicar, a cada dia, exemplos que confirmam essa avaliação.

Vê-se, em primeiro lugar, a posse solene e sob aplausos, na Câmara dos Deputados, de alguém condenado a quase sete anos de prisão. O Supremo Tribunal Federal já decidiu, por maioria de votos, pela perda de mandato imediata dos deputados comprovadamente envolvidos no mensalão.

Afirmando não desejar um confronto direto com o Judiciário, José Genoino (PT-SP) mesmo assim assumiu o posto de deputado federal – e nada corresponderia melhor ao “mundo do faz de conta” do que a cena que protagonizou.

O “faz de conta” se transforma em “não faz conta nenhuma” quando o Legislativo brasileiro, em outro comportamento lamentável, simplesmente se omite de votar a lei orçamentária de 2013, adiando a deliberação para o mês de fevereiro.

O Executivo terminou por fim editando uma medida provisória, sob o argumento de que o próprio funcionamento da máquina federal ameaçava parar devido à omissão dos parlamentares.

Não passará de “faz de conta”, numa situação dessas, a habitual reclamação de líderes congressuais diante do excesso de medidas provisórias editadas pelo Planalto.

O maior sintoma da incapacidade do Congresso de reivindicar mais espaço frente ao predomínio do Executivo está no fato de que mais de 3.000 vetos presidenciais às deliberações legislativas deixaram de ser examinados pelos representantes da população.

Com isso, travou-se mais uma vez a discussão sobre os royalties da exploração de petróleo no pré-sal. O veto de Dilma Rousseff à lei que aumentava a fatia desses recursos a ser paga aos Estados não produtores não poderia ser examinado pelo Congresso enquanto este não analisasse os outros milhares de casos pendentes – foi essa a decisão do ministro Luiz Fux, do STF.

Mas as preocupações da “ilha da fantasia” se voltam para outro assunto. A saber, a eleição dos próximos presidentes do Senado e da Câmara. No Senado, é favorito ninguém menos do que o peemedebista Renan Calheiros (AL), apesar da nuvem de escândalos que cerca o seu nome. Na Câmara, o candidato Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) já se afirma disposto a resistir à cassação dos deputados mensaleiros.

Faz de conta, naturalmente, que ninguém foi condenado. Faz de conta que o Legislativo ainda guarda algum tipo de autoridade moral, frente ao lastimável prontuário que, em pouco mais de uma semana, acaba de exibir.