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Entrevista com Vitor Birner

Maio 8, 2007

Vitor Birner é jornalista, contratado pela rádio CBN, divide a apresentação do programa CBN E.C. com Juca Kfouri, escreve em um respeitadíssimo blog na internet, o Blog do Birner.

http://blogdobirner.zip.net/ 

É um dos maiores comentaristas esportivos do país, enxerga uma partida de futebol como poucos e a explica como ninguém.

Vitor, quando e como descobriu que tinha aptidão para o jornalismo ?

Ainda não tenho certeza se fiz a melhor escolha. Sou crítico, não aceito padrões sem questioná-los, o que acho importante para um jornalista.

Como foi seu início de carreira ?

Oficialmente na CBN, mas escrevi em jornal de faculdade, fiz trabalhos terceirizados e trabalhei em rádios comunitárias.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

O jornalismo me deu alguns amigos e o carinho das pessoas. No mais, as dificuldades continuam as mesmas. Do início até hoje, pouca coisa mudou.

Qual o seu maior momento como jornalista ? E qual o que quer esquecer ?

Acredito em sacrifício, trabalho diário e não em genialidade. Quando faço um grande trabalho, esqueço rapidamente. Quando não trabalho como acho que deveria, demora um pouco mais, contudo também esqueço. Há dois momentos que guardo com carinho, mas não porque foram grandes.

Eu, no Mundial de 2002, fazia o plantão na Copa do Mundo com curiosidades sobre as seleções. A CBN tinha uma grande equipe de comentaristas, como o Juca, Tostão e outros. Quando terminou o jogo do Brasil diante da Bélgica, o debate deles começou. Eu, lá do fundo, peço o direito de opinar, o que não havia feito em nenhum jogo. O Marco Aurélio, âncora da transmissão, delicadamente diz sim. “Se conheço o Felipão, hoje o Juninho perdeu o lugar para o Kleberson, o que vai arrumar o meio de campo da Seleção.”, falei. Foi o que aconteceu.

O outro foi uma discussão com o Gérson, Ronaldo Castro, Álvaro Oliveira e Morsa. O Canhota e o Morsa tiravam sarro da minha cara porque eu tinha dito, segundo eles, algo absurdo. Falei que o Felipão era melhor que o Luxemburgo e mais, que entre os dois, por várias razões, eu contrataria o Felipão. O tempo me deu razão.

Já sofreu algum tipo de censura ?

Claro !

Entre as inúmeras atividades profissionais que você executa diariamente, qual a que te proporciona maior prazer ?

O CBN Esporte Clube, depois o comentário das partidas.

A dobradinha que você faz com Juca Kfouri no CBN Esporte Clube é das mais elogiadas do rádio esportivo. Nunca pensaram em leva-la para a televisão ?

Eu adoraria, mas é o Juca quem manda. Também não sei se algum chefe de emissora tem interesse em nós.

Qual foi a pessoa que mais contribuiu para a sua evolução como profissional ?

Juca Kfouri, meu professor.Há os que contribuem, mesmo sem que tenha trabalhado com eles. Sou fã do PVC, o melhor jornalista do mercado. Aprendo muito escutando o que diz. Há outros.

Quais as sua maiores influências no jornalismo ?

Não tenho. Acho essa história de influência uma bobagem. Cada vez que alguém fala, ouço. São seres humanos, não Deuses ou proprietários da verdade e conhecimento absolutos. Juca, PVC, Mauro Cezar, Celso Unzelte e Paulo Calçade são ótimos.

Qual a sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?

Pouco criativo e muito preocupado em fazer média.

O que você acredita que pode ser melhorado no relacionamento entre imprensa e o jogador de futebol ?

Difícil. O ideal seria não ter relação. Acho um absurdo quando jornalistas se colocam em condição inferior a do entrevistado, independentemente da editoria.

Admiro quem salva vidas, acaba com a fome, doença, diferenças sociais e violência.

Esses são especiais, mas infelizmente há poucos.

O que você jamais faria como jornalista ?

Das que ocorrem ? Muitas coisas.

Qual a sua opinião sobre jornalistas que fazem “Merchan” ?

Alugam a credibilidade em troca de dinheiro. Como o jornalismo, na essência, não pode abdicar da crítica e denúncia, fazer propaganda é contraditório.

Quem melhor escreve sobre esportes no Brasil ?

Não tenho preferido. Gosto de alguns.

Melhor comentarista de futebol ?

PVC.

Melhor narrador de TV e rádio ?

Sem preferências. O Deva que trabalha comigo na CBN é muito bom.

Melhor programa de TV sobre esportes ?

Linha de Passe

Melhor Blog de esportes ?

Do Juca

Qual a sua opinião sobre a Copa do Mundo de 2014 ser realizada no Brasil ?

Devaneio, gasto inútil de dinheiro público, farra com a grana do contribuinte e mais espaço para os aproveitadores complicarem ainda mais a vida do brasileiro.

Conseguiria citar algum cartola que trouxe benefícios para o futebol sem ter beneficiado o próprio bolso ?

Acho que existe, mas não ponho a mão no fogo.

Para você quais são os piores dirigentes esportivos do Brasil ? E os melhores ?

Os piores são aqueles que todo mundo sabe. Ricardo Teixeira, Mustafá, Dualib, Eurico, Paulo Amaral, Farah…a lista é imensa ! Os melhores ainda estão por vir.

O que precisa ser feito para que o Brasil se transforme em uma potência do futebol fora das quatro linhas ?

Respeito ao consumidor. Isto engloba tudo. Segurança, atletas dedicados, clubes que tratam o funcionário corretamente, conforto nos estádios. O modelo inglês que está na cara de quem quiser ver já seria um avanço espetacular, mas no Brasil é utopia.

Qual seria, para você, no momento, a escalação ideal da Seleção Brasileira ?

Não há.

Você é torcedor confesso do São Paulo. Isso já te trouxe algum tipo de problema profissionalmente ?

Muitos ! Portas fechadas em empresas de comunicação, dinheiro perdido, maldade de alguns colegas enrustidos, interpretação pouco inteligente de fanáticos torcedores de outros times e ameaças de agressão e morte.

Na sua opinião, o que deu errado no Governo Lula ? E o que deu certo ?

Desculpe, mas sou completamente cético. O Lula não passa de um político profissional. Ele faz o jogo do poder e não o do povo.

Qual o sistema que considera ideal para que o Brasil comece a trilhar caminhos socialmente mais equilibrados e possamos ter uma distribuição de renda mais justa ?

Qualquer um que não elimine a liberdade de expressão, o direito de ir e vir, que não admita poucos bilionários e milhões de famintos, que seja mais duro com os esclarecidos do que com os excluídos.

Defina com uma frase:

Juca Kfouri: O exemplo a seguir na profissão.

Jornalismo: Sem idealismo, não presta.

CBN E.C. : A hora de relaxar!

São Paulo: Minha paixão mais antiga.

CBF: A maior adversária do brasileiro que ama o futebol.

Família: Sem ela, não seria nada !

Religião: A parte filosófica é indispensável. A competitiva destrutiva.

Um sonho: Que o homem, maior predador do planeta, aprendesse a amar e ser amado sem trair ou pisar na natureza e no semelhante.

Um pesadelo: Crianças e cães mal-tratados.

Vitor Birner: Um ser humano que luta constantemente contra os próprios defeitos para aprender a ser construtivo e justificar a passagem pela Terra.

Vitor, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Lars Grael

Março 23, 2007

 Lars Schmidt Grael é um dos maiores atletas da história do esporte brasileiro.

Como atleta, Grael ganhou duas medalhas de bronze, uma nos Jogos Olímpicos de Seul e outra em Atlanta. Tendo sido campeão mundial da classe Snipe em 1983 na cidade do Porto, decacampeão brasileiro e pentacampeão sul-americano da classe Tornado.

Em 1988, Grael sofreu um grave acidente em Vitória, causado pela imperícia e irresponsabilidade do comandante de um iate, o que causou a mutilação de uma das pernas do atleta. O velejador teve que se afastar da prática esportiva por algum tempo, dedicando-se, todavia, ao fomento do desporto a partir de uma outra perspectiva: a política, exercendo cargos nos governos federal e de seu estado natal.

Voltou a velejar na classe Star com o proeiro Marcelo Jordão, classificando-se em terceiro lugar no campeonato brasileiro de 2006. Comandou também o barco Agripina/Asa Aluminio, campeão do Campeonato Brasileiro da Classe Oceano 2006 e continua ativo na vela.

Lars, quando descobriu sua aptidão para o iatismo ?

Veio naturalmente, com a prática e a forte influência de minha família materna.

Como e quando iniciou sua carreira ?

Começou como o amor. Não se sabe bem quando e porquê. Quando se nota, já está todo tomado. Minha primeira regata foi na extinta classe Pinguim em uma regata no Carioca Iate Clube, em Ramos, Rio de Janeiro, aos 8 anos de idade.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

A falta de apoio, de reconhecimento, e na defasagem técnica de possuirmos material inferior aos melhores, e dificuldades para participação em campeonatos internacionais.

Muitas vezes pensei em parar.

Que fator mais contribuiu para a sua evolução como profissional ?

Determinação, perseverança, vontade de vencer e concentração.

O que o levou a escolher a classe “Tornado” para competir ?

Influência de meu primo e proeiro olímpico, Glenn Haynes, e do velejador germânico/brasileiro, Rolf Tambke.

Quais as suas principais conquistas como atleta ?

Duas medalhas Olímpicas (88 e 96); Campeão Mundial 1983; 2 Pré-Olímpicas Internacionais; 15 títulos brasileiros e 6 Sul-Americanos.

Você participou de várias Olimpíadas, qual a que te marcou mais ? Por que ?

Seul, a primeira conquista. Atlanta, a volta por cima !

Qual a sua maior alegria no esporte ? E a maior tristeza ?

A maior alegria, ver meu esporte prosperar com jovens de origem humilde.

A maior tristeza ? O descaso dos partidos e programas políticos com as políticas públicas do esporte nacional. Sobretudo, em sua vertente social.

Dos inumeros prêmios e homenagens que recebeu em sua vida, quais os que mais te emocionaram ?

Troféu Ética Esportiva do Comitê Olimpico Internacional, em 1989.

Se não fosse iatista, qual esporte teria vontade de praticar ?

São tantos os que conheço e gosto.

Destaque para o Tênis e para o Badminton que possuo adoração.

Você foi vítima de um acidente terrível, que acabou deixando algumas sequelas, corajosamente continuou sua vida e voltou às competições, quais foram os seus maiores estimulos para continuar ?

Vontade de viver. Fé na vida !

Na sua opinião, quais os maiores iatistas da história ?

Paul Elvstrom (DIN); Jochen Schumann (GER); Torben Grael (BRA); Eric Tabarly (FRA).

Qual foi o adversário mais difícil de ser batido ?

A descrença sobre o papel cívico e patriotico e todas as conotações educacionais do esporte sobre nossa juventude.

Qual a prova que não esquece ?

As últimas regatas de Seul 88 e Savannah 96

Em sua opinião, qual o atual estagio do iatismo brasileiro ?

Do talento, da oportunidade de crescimento, da necessidade de reestruturação.

Qual a sua opinião sobre a organização do Pan do Rio 2007 ?

Satisfatório, mediante às dificuldades do cenário político e econômico do Rio e do Brasil.

Acredita que o Brasil possa organizar eventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo ?

Copa, seguramente. Olimpíadas, dependeremos do sucesso do Pan e da consolidação da retomada do crescimento sócio-econômico do Rio de Janeiro.

Qual a sua opinião sobre o COB e sua administração ?

Orgão mais relevante do desporto nacional. É inegável o crescimento organizacional e resultados gerados pela gestão do presidente Carlos A. Nuzman, após sua posse em 1995.

Em sua opinião, qual o maior erro do Governo Lula ? E o maior acerto ?

Erro ? A perda de valores éticos e morais. Persistir na teoria de que os fins justificam os meios. O corporativismo da classe política dominante dos cargos das instituições públicas, em detrimento ao interesse público.

Seu maior acerto ? A capacidade de comunicação com as massas. O populismo aprovado nas urnas. Acerto ? Talvez não. Resultados, talvez sim.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?

Presidencialismo pautado em um conjunto de reformas de reestruturação do sistema político, judiciário, tributário, fiscal, previdenciário. O Estado a serviço da sociedade e não a serviço do corporativismo da máquina do funcionalismo público e dos políticos. A distribuição de renda dar-se-á através da profunda reforma e enxugamento do estado, do desenvolvimento econômico, da redução da carga tributária.

De um novo pacto sociedade-estado onde os impostos serão reduzidos, a informalidade combatida, a sonegação punida.

Com estas medidas amargas porém necessárias, será possível avançar com políticas efetivas e sólidas com educação, saúde, saneamento e habitação. Será a porta de saída da miséria e da pobreza e não formas de perpetuação da pobreza através de mecanismos de transferência de renda que não apontam para a porta de saida da pobreza.

Não existirá desenvolvimento sócio-econômico sem trabalho, justiça, patriotismo e espírito público.

A impunidade é a grande chaga moral da nação.

Qual a sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?

Genericamente medíocre. Pautado na monocultura do futebol masculino. As excessões por sorte aumentam com a maior importância dada aos esportes olímpicos, para-olímpicos, auto-motores, de aventura e as experiências sócio-esportivas. Vejo uma forte luz no fim do túnel.

Defina com apenas uma frase:

Iatismo: Um estado de espírito de coexistir com as forças da natureza e estimular cumplicidade com elas.

Torben Grael: Um grande irmão, o filho do vento.

Olimpíadas: Maior evento da humanidade. A confraternização entre povos. Antítese da intolerância e da incompreensão entre povos, costumes, religiões e interesses geo-políticos.

Robert Scheidt: A combinação entre o talento, profissionalismo, preparo físico e a força de vontade.

Família: A célula base da sociedade e o porto seguro para nossa felicidade.

Religião: A crença em Deus. A fraternidade, solidariedade e respeito ao próximo e a natureza. Não pode existir a crença que uma religião específica seja a certa, a justa, a única.

Um sonho: A globalização da paz, da tolerância, do respeito ao próximo. A luta pela salvação das crianças vítimas da fome e da violência. A vida só será melhor, se o mundo for melhor e mais justo para todos.

Um pesadelo: A escalada da violência e a inversão de valores éticos, cívicos e morais do Brasil atual.

Lars Grael: Um sonhador, apaixonado, patriota, por vezes, até incoerente.

Lars, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Joaquim Cruz

Março 17, 2007

 Joaquim Cruz é um ex-meio-fundista brasileiro, campeão olímpico dos 800 metros nas Olimpíadas de Los Angeles de 1984, medalha de prata na mesma prova nas Olimpíadas de Seul de 1988 e duas vezes campeão pan-americano, em Indianápolis, 1987 e Mar del Plata, 1995.

Joaquim, quando percebeu sua aptidão pelo atletismo ? Como foi seu início de carreira ?

Iniciei a minha carreira no atletismo jogando basquete no SESI de Taguatinga. Um colega de equipe, Carlos Wanderlei sempre me convidava para fazer parte do time de basquete que era comandado pelo Prof. Luiz Alberto.

Recusei o convite várias vezes, mas um dia, ao chegar na escola, vi o Carlos e outros alunos conversando com o Prof. Luiz. Aproximei-me do grupo e permaneci calado, ouvindo a conversa. O Prof. Luiz Alberto virou para mim e perguntou o que eu fazia. O Carlos (Wandeco) tomou a palavra e disse que eu queria praticar basquete. Antes que eu pudesse desmenti-lo, o Luiz pediu para que eu aparecesse no treinamento, na segunda-feira. Mesmo não concordando com o convite decidi aparecer no treinamento, que parecia mais treinamento de atletismo. Fizemos um Teste de Cooper ( 12 minutos de corrida ) e fiquei em segundo lugar.

Gostei do basquete logo no início, mas não era muito fã das corridas e condicionamentos físicos, mesmo sendo um dos mais destacados.

Dois anos mais e o professor de atletismo da escola estava procurando por um estudante corredor para representar a escola nos Jogos Estudantis do DF. O Carlos novamente tomou a iniciativa e indicou o meu nome afirmando que eu corria bem. Quando o “Wandeco” me disse que ele havia indicado o meu nome, imaginei que aquilo fosse mais ums de suas brincadeiras de mal gosto e que provavelmente não fosse dar em nada. Passei a acreditar mais quando ele deu a notícia ao Prof. Luiz Alberto, o nosso professor de basquete.

Não só acreditei como senti na pele. Tive que fazer um teste de 1500 metros. Após o teste, Luiz disse que ia elaborar um treinamento específico de atletismo para eu fazer antes do treino de basquete. Não gostei nada da idéia, então decidi desaparecer dos treinos de basquete por alguns dias e esperar que todos esquecessem do atletismo. Após uma semana desaparecido, resolvi mostrar a cara. Entrei na biblioteca do SESI e dei de cara com o Luiz Alberto. “Se você fosse filho meu, moleque, você entraria aqui apanhando”, disse ele. Levei uma bronca construtiva de 40 minutos.

Quais foram as suas maiores dificuldades ?

Eu me julgo uma pessoa de sorte porque tive o apoio do Luiz Alberto e a estrutura básica do SESI de Taguatinga no início de carreira. O Luiz Alberto era quem conseguia, através dos seus amigos, o par de tênis, uma cesta básica com alimento reforçado e os exames médicos específicos. Quando eu tinha entre 15 e 16 anos tive um problema de úlcera. Tive que fazer endoscopias e ser encaminhado para médicos especialistas. O Luiz Alberto foi quem arranjou tudo.

Como recebeu o convite para treinar no exterior ?

Quando tinha 14 anos participei de uma clinica de basquete em Brasília. A clinica foi liderada por um americano, treinador da Universidade de George Washington. Fui selecionado para auxilia-lo na execussão das jogadas. No final da clinica o treinador me presenteou com um par de tenis “All Star”. Como se o tênis não fosse suficiente, me prometeu uma bolsa para estudar e jogar basquete na Universidade onde ele era o treinador.

Jogar basquete nos USA era um sonho de todo jovem basqueteiro na época, mas estudar em uma universidade era um sonho que ninguem havia introduzido na minha vida, até então. Passei a alimentar a idéia de estudar e jogar basquete nos USA. Poucos meses depois mudei de esporte, mas o sonho continuou o mesmo.

Em 1981, durante o Troféu Brasil de Atletismo, bati o recorde Mundial Juvenil, Brasileiro e Sulamericano adulto, e através do Agberto Guimarães e da Coca-Cola, conseguimos um contato com o treinador da Universidade, em Provo.

Qual o principal benefício que isso trouxe a sua carreira ?

Quando cheguei nos USA me vi mais perto dos meus objetivos como atleta e pessoa. A idéia de viver em um outro país me estimulou a criar novas metas. As expectativas aumentaram em todos os sentidos e isto me forçou a encarar o trabalho fora da minha zona de conforto. Aprendi outro idioma, entrei na escola e amadureci como pessoa.

A convivência com outros atletas estrangeiros me deu a oportunidade de desenvolver um senso de igualdade em relação a preparação para as competições. Com o tempo, trabalho e experiencias passei a me sentir superior aos outros atletas.

Qual o treinador que mais contribuiu para a sua evolução como atleta ?

Foram várias as pessoas que ajudaram diretamente e indiretamente no meu trabalho, mas o Luiz Alberto, o meu treinador, foi a pessoa que mais influenciou na minha carreira esportiva.

Quais as suas principais conquistas como atleta ?

Troféu Brasil de 1981 foi uma competição especial porque consegui quebrar o recorde mundial juvenil, brasileiro e sulamericano com a idade de 18 anos. Após aquela corrida várias janelas de oportunidades se abriram para mim. O Campeonato Mundial da Finlândia em 1983, onde conquistei a Medalha de Bronze. Campeonato Nacional Americano, onde competi por 4 dias seguidos e consegui vencer tanto os 800 metros como os 1500 metros e ajudei a equipe da Escola Oregon a vencer o título nacional colegial americano. As Olimpiadas de Los Angeles certamente foi a que mais me marcou, e o meu 1′41″77 nos 800 metros na Alemanha. O Panamericano de 1987 em Indianápolis e o de 1995 em Mar del Plata. Finalmente a Olimpíada de 1996, a qual tive a oportunidade de carregar a bandeira brasileira durante a abertura dos Jogos.

Qual foi o adversário mais difícil de se batido ?

Peter Elliot, da Grã Bretanha. Ele era um corredor imprevisível.

Qual a corrida que não esquece ?

Troféu Brasil de 1981, no Rio de Janeiro, foi uma competição especial, porque quebrei o recorde mundial juvenil. O Campeonato Mundial da Finlandia em 1983 foi importante também porque fiz a corrida errada no momento critico da minha carreira esportiva, os Jogos Olímpicos de Los Angeles e finalmente a corrida onde eu fiquei a 4 centésimos do recorde mundial.

Você emocionou o Brasil ao ganhar a Medalha de Ouro nas Olimpíadas de Los Angeles de 1984. Quando acreditou que poderia ganhar ?

Oito meses antes dos Jogos Olimpicos de Los Angeles tive um pressentimento que poderia vencer a final dos 800 metros. Naquele mesmo dia decidi que iria trabalhar para transformar aquele sentimento em realidade.

Qual a sua maior alegria no atletismo ? E a maior decepção ?

Curti os 25 anos que pratiquei o esporte. A minha maior decepção é cada quatro anos antes de nossos atletas partirem para viajar as Olimpíadas, ouvir as previsões minimas de vitórias nos Jogos.

Dos inumeros prêmios e homenagens que recebeu por sua carreira, quais as que mais te emocionaram ?

O ano passado conheci um paraolímpico francês que me disse que havia decidido praticar atletismo após me ver correr nas Olimpíadas de Los Angeles.

Qual a modalidade que te dava mais prazer em disputar ? E qual a que se considera melhor ?

Os 800 metros.

Em sua opinião, qual o atual estagio do atletismo brasileiro ?

O atletismo melhorou muito. Temos mais verba, competições nacionais e internacionais e mais programas de incentivos para atletas e treinadores, mas, em termos de resultados, ainda estamos caminhando em um ritmo muito lento em comparação com os outros paises.

Você visualiza algum atleta brasileiro, no momento, que esteja próximo da tão sonhada Medalha de Ouro Olímpica ?

Temos alguns atletas que tem potencial para chegar as finais de Olimpíadas, mas desconheço os seus sonhos mais profundos e não sei se eles decidiram trabalhar especificamente para competir por medalha.

Joaquim, qual a sua ocupação atual ? Quais os projetos que tem para o futuro ?

Trabalho como treinador e tecnico de atletismo. Dois anos atrás fui contratado pelo Comtê Americano de Paraolimpíada para desenvolver um programa de treinamento para atletas residentes no Centro Olímpico em Chula Vista. O objetivo é preparar a equipe americana para as próximas Paraolimpíadas em Beijing.

Os meus projetos para os próximos anos são vários. Desejo dedicar mais tempo nos programas do Instituto Joaquim Cruz, em Brasília. O programa do Clube dos descalS.O.S/Caixa, que ja é uma realidade em 5 cidades satélites de Brasília e atende a 120 crianças e jovens nas idades entre 12 e 17 anos, em 5 regiões administrativas diferentes, com 6 núcleos, Aguas Lindas de Goias, Brazilandia, Ceilândia, Recanto das Emas e Sobradinho, manhã e tarde. Os benefícios oferecidos são: orientação a prática esportiva e cidadã, complemento alimentar, uniforme e participação em eventos esportivos, culturais e educacionais.

Recentemente apresentamos 2 projetos para o patrocinador para serem desenvolvidos em 2007. O primeiro é o Projeto “Descoberta de Talentos”, onde propomos realizar uma competição nas localidades onde operamos o Projeto “Clube dos DescalS.O.S.”, com o objetivo de divulgar o atletismo e descobrir talentos, com o encaminhamento aos núcleos do Projeto daqueles garotos que se destacarem.

O segundo projeto apresentado é o IJC Integração que ja vem sendo realizado desde 2004, porém para este ano propusemos fazer um evento a parte com um número por volta de 700 crianças com mais de 10 instituições participando entre clubes e projetos sociais de Brasília e Goiania. Na edição de 2006 foram 475 crianças sendo que 30 % delas nunca haviam tido um contato com uma oista sintética antes. Tivemos presente também atletas de outras gerações motivando e se reencontrando.

Também gostaria de dar mais atenção para o Projeto Eco-Atletismo. No início da minha carreira utilizava a FLONA (Floresta Nacional), situada em Taguatinga, minha cidade natal, para executar os meus treinamentos. Em parceria com o IBAMA criamos um projeto que propicia às crianças e jovens a vivência da educação física em conjunto com a educação ambiental.

Utilizando-se de trilhas naturais, palestras e estações temáticas de exercícios as crianças e os jovens terão a oportunidade de reproduzirem os movimentos dos animais, bem comovivenciarem algumas situações típicas do cerrado, como saltar cupinzeiros, atravessar córregos e imitar vôo de gavião, desenvolvendo a motricidade e elevando a consciência ecológica.

Também em 2007 iniciaremos um projeto de captação de recursos, pois necessitamos de novas parcerias e novos doadores para melhorarmos e ampliarmos os benefícios oferecidos aos atletas, assim como dinamizarmos o Projeto Eco Atletismo e o IJC cultural.

Para o ano de 2008 buscamos solidificar as parcerias e aumentar nossa atuação na rede do terceiro setor.

Em sua opinião qual o maior erro do Governo Lula ?

Acredito que o Presidente Lula tem uma oportunidade de ouro para liderar o povo brasileiro em um movimento histórico no país. Ele que veio de origem humilde e não teve oportunidades de estudar quando era jovem poderia muito bem iniciar um projeto de “educação para todos” em todo o território brasileiro. Imagine o Presidente Lula retornando para a escola, a força e a influência que o movimento teria em todo o país !?. O Programa “Fome Zero” criado pelo próprio governo, também poderia fazer parte deste movimento, mas com um foco diferente. Um indivíduo alimentado e educado cresce independente e confiante para buscar o seu próprio trabalho.

E o maior acerto ?

Na lei de incentivo ao esporte.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?

Eu acredito que temos que resolver os nossos problemas utilizando sistemas diferentes, adequados e adaptados para cada desafio que enfrentamos. São vários os desafios no Brasil. O maior desafio e mais ousado seria mudar a atitude do povo brasileiro em relação a politica, os politicos e o que esperamos deles. Conquistamos o direito de escolher os nossos lideres para governar o país. Admiro o povo que vai as urnas para exercer esse direito, mas “votar” não é só escolher uma ou duas vezes e pronto. Temos que educar o povo a continuar “exercitando ativamente” a sua escolha durante o tempo em que o escolhido esteja na liderança. Temos que participar mais nos projetos do governo e exigir mais transparência nas realizações deles. Este é um dever/direito que cada cidadão tem que exercer na sociedade. Acredito que se conseguirmos superar este desafio podemos nos preparar para encarar outros desafios como as desigualdades no desenvolvimento social e na distribuição de renda salarial.

Qual sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?

Melhorou 100% mas pode melhorar ainda mais. Conheci muitos jornalistas éticos e profissionais, mas também conheci jornalistas que um mês após eu ter conquistado a Medalha de Ouro não tinham a menor ideia do que eu havia conquistado nas Olimpíadas.

Quem melhor escreve sobre esportes no Brasil ?

Curtia muito o trabalho de Dorrit Harazin quando ela trabalhava para a Veja e sou um grande admirador do José Cruz do Correio Brasiliense.

Defina com apenas uma frase:

Atletismo: O meu veículo de auto-expressão

Medalha de Ouro: Um sonho realizado com muitos momentos marcantes

Olimpíadas: A minha força e estímulo

Família: Minha força nº 1

Religião: A consciência do mundo

Lula: Pode causar um grande movimento social e educacional no país.

Brasil: Um país que pode ser de todos para todos.

Joaquim Cruz: Uma estrela como tantas outras no Brasil que teve a oportunidade de brilhar no esporte.

Joaquim, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Clodoaldo Silva, o “Tubarão Paraolímpico”

Março 10, 2007

 Quais os maiores atletas paraolímpicos do mundo ?

É difícil acompanhar, mas abaixo te mando alguns destaques:

Benoit Huot (CAN), Natação – 5 ouros; 1 prata; 3 recordes mundiais e 5 recordes paraolímpicos;

Izchak Mamistavlov (ISR), Natação – 2 Ouros; 1 prata e um recorde paraolímpico;

Darren Kenny (GBR), Ciclismo – 1 prata;

Michael Teuber (GER), Ciclismo – 1 Ouro

Hae-Gon Lee (KOR), Tenis de Mesa – ouro por equipe e prata individual na Classe 1;

Kenny Van Weeghel (NED), Atletismo – 1 Ouro; 1 Prata e 1 Bronze;

Leo-Pekka Tähti (FIN), Atletismo – 2 Ouros;

Li Duan (CHN), Atletismo – 2 Ouros;

Royal Mitchell (USA), Atletismo – 2 ouros;

Suk-Man Hong (KOR), Atletismo – 2 Ouros, 1 prata e um recorde paraolímpico;

Urs Kolly (SUI), Atletismo – 1 Ouro

No Brasil, existe algum atleta que pode chegar ao seu nível de conquistas ?

O esporte paraolímpico está evoluindo muito. Têm grandes atletas surgindo, se tiver outro ídolo e atleta como eu, ajudará a divulgar mais ainda o esporte.

Você tem ou teve algum apoio dos dirigentes do CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) ?

Em 2001 até 2004 ganhei uma bolsa atleta e auxilio por fazer parte da seleção permante do CPB. Isso deu o pontapé inicial para que eu pudesse somente pensar nos meus treinamentos e melhorar a cada dia. Atualmente, tenho meus patrocinadores, a empresa de Natal/RN, Nutriday e a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro – FIRJAN.

Sempre estamos procurando mais parcerias, pois hoje necessito de uma estrutura muito maior.

Você participa de alguns projetos sociais, como o Instituto Clodoaldo Silva, poderia falar um pouco sobre eles ?

Sou padrinho do Projeto Social de Natação, que atende 600 crianças da periferia do Rio de Janeiro, dessas 60 tem algum tipo de deficiência. O projeto tem o objetivo maior de resgatar as crianças e os adolescentes por meio da pratica da natação e ele é fruto da parceria entre a FIRJAN e o SESI.

O Instituto Clodoaldo Silva está em fase de implantação, muitas coisas são complicadas, afinal, ainda estou a mil por hora em minha carreira de atleta, estamos andando com o projeto de construção e já temos dois projetos propostos, o “Mergulho para o Futuro” e o “Ídolo Paraolímpico em ação”

Quais são seus planos para o futuro ?

Quero me casar, ter filhos e fazer a faculdade de psicologia, me especializar em psicologia esportiva.

Qual o segredo do seu sucesso ?

Eu não planejei ter sucesso. Tudo foi consequência, mas acho que o segredo é muita tranquilidade, dedicação, planejamento técnico e abdicação das coisas da vida para poder nadar.

O que você acredita que precisa ser feito para que os atletas paraolímpicos tenham melhores condições de praticar seus esportes no Brasil ?

Precisamos de mais seriedade por parte das associações. Os atletas de base necessitam de melhores condições para poderem se preparar para serem grandes campeões. Acho que é isso.

Qual a sua opinião sobre a imprensa esportiva brasileira ?

Os meios de comunicação como um todo dão espaço maior para o futebol. Sou brasileiro e adoro futebol, no entanto, temos muitas outras modalidades demonstrando o seu poder. Os meus feitos de Atenas só ficaram conhecidos porque a mídia estava lá, poderia ter ganho todas as medalhas e batido recordes e ninguém me conhecer. Acho que a exemplo do Correio Braziliense, a mídia esportiva, poderia separar, nem que fosse uma vez por mês, algo direcionado para o esporte paraolímpico. Utilizar isso como linha editorial.

O mesmo poderá ser feito para a divulgação de outros esportes que não são conhecidos.

Para você, o que deu errado no Governo Lula ? E o que deu certo ?

Para o esporte, não temos o que reclamar. Esse foi omelhor governo. Criação da Bolsa-Atleta, aprovação da lei de incentivo fiscal do esporte, apoio aos projetos esportivos direcionados para crianças e adolescentes. Enfim… precisamos manter isso e muito mais. Em relação ao restante das ações, não me sinto apto para comentar.

O que, em sua opinião, precisa ser feito para melhorar as condições dos portadores de deficiências no Brasil ?

As leis que existem precisam ser cumpridas. Precisamos de mais adaptações nas ruas e em todos os lugares que todos nós, com ou sem deficiência andamos, de reconhecimento no mercado de trabalho. Somente com criação de políticas publicas é que conseguiremos isso. A mobilização da sociedade civil aumentou, mas precisamos de muito mais.

Defina em apenas uma frase:

Paraolímpiada: O melhor lugar para estar

Natação: A minha vida

CPB: A instituição reponsável pelo esporte paraolímpico no Brasil

Medalha de Ouro: O significado do esforço

Família: Não viveria sem ela

Religião: Acreditar que tudo é possível

Clodoaldo: Alguem que sonha e busca sempre se superar.

Clodoaldo, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Nelsinho Piquet

Fevereiro 23, 2007

 Nelsinho Piquet, filho de Nelson Piquet com Sylvia Tamsma. Campeão da F3 Sul-Americana em 2002, Campeão da F3 Inglesa em uma temporada arrasadora, Vice-Campeão da GP2 em 2006, chegou a Formula 1 em 2007 como piloto de testes da equipe Renault. Nelsinho é hoje um dos maiores talentos do automobilismo brasileiro.

Vamos para a entrevista,

Nelsinho, o automobilismo sempre esteve presente em sua vida, quando teve a percepção de que realmente seria piloto ?

Acho que sempre quis ser piloto, desde pequenininho, quando morava na Europa com minha mãe e dormia em uma cama com formato de carro de corrida. Com um pai como o meu, era impossível não pensar em ser piloto. Mas só fui ter contato de verdade com o automobilismo aos oito anos, quando vim morar no Brasil com o meu pai.

Como foi seu início de carreira ?

Comecei aos oito anos, correndo de kart em Brasília.

Gostei tanto que lembro que eu chorava para não ir embora, pra continuar correndo. O kart foi uma escola importante, aprendi muito. E me deu também três títulos brasileiros, os primeiros de minha carreira.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

Não tive grandes dificuldades no começo de carreira. Além do talento, sempre tive um bom suporte, e com isso os resultados foram aparecendo. Mas, em compensação, tive de abrir mão de parte da minha infância e adolescência em prol do automobilismo. Enquanto meus amigos estavam brincando e, mais para frente, em festas etc, eu estava treinando. Mas pra mim estava bom, ja que correr sempre foi o que mais gostei de fazer.

Encarou algum tipo de preconceito por ser filho de uma lenda da Formula 1 ?

Preconceito não, mas cobrança sim. Ser filho de Nelson Piquet sempre fez com que as pessoas esperassem muito de mim. E isso em relação à imprensa, torcedores, mecânicos etc. Mas ser filho do Nelson tem mais lados bons do que ruins, as portas se abrem mais facilmente, você tem mais visibilidade e isso é muito bom.

Quais suas maiores alegrias no automobilismo ? E o que quer esquecer ?

Minhas maiores alegrias foram meus títulos, principalmente os da F3 Inglesa e F3 Sul-Americana, e agora o contrato com a Renault, já que realizei meu grande sonho, que era chegar a Fórmula 1. E não quero esquecer nada, todas as dificuldades que passei me ensinaram alguma coisa, me tornaram uma pessoa e um piloto melhor.

Você atualmente é piloto de testes da Renault na F1, como esta sendo a sua adaptação a categoria ?

Estou me adaptando muito bem, já aprendi bastante sobre o carro e sobre a maneira que a Renault gosta de trabalhar.

É muito bom poder trabalhar com profissionais tão competentes como os da Renault. Este ano vai ser de grande aprendizado para mim.

Já foi procurado por outras equipes ?

Antes de fechar com a Renault cheguei a conversar com outras equipes.

Já se considera apto para disputar um Mundial de F1 ?

Ainda tenho muito a aprender, afinal estou começando na categoria, mas se tivesse a chance de correr um Mundial tenho certeza de que faria um excelente trabalho.

Qual a sua principal virtude como piloto ? E o que acha que precisa melhorar ?

Acho que sou um piloto rápido, determinado, não desisto até conseguir meu objetivo.

Para você quais foram os maiores pilotos da história da F1 ?

Piquet, Schumacher, Fangio, Prost e Senna foram excelentes pilotos.

Quais suas principais influencias como piloto ?

Meu pai, principalmente. Aprendi muito com ele.

Dos novos pilotos, quais os que você considera com maiores condições de brilhar na F1 ?

A nova geração é muito boa. Os dois pilotos da Renault são excelentes. O Alonso também é muito bom. Acho que a F1 está muito bem servida em termos de talento.

Você se submeteria a ser um eterno segundo piloto como foi Rubens Barrichelo ?

Eu preferiria correr em uma equipe na qual tivesse condições de ser campeão. Mas não da para criticar o Rubinho, ele é um grande piloto e estava na melhor equipe do momento.

Qual seria hoje o homem a ser batido na F1 ?

Se levasse em conta apenas os resultados dos últimos anos seria o Alonso. Mas o campeonato este ano está muito competitivo, há várias equipes em pé de igualdade e o resultado deve surpreender.

Que mudanças você faria para tornar a F1 mais competitiva ?

Acho que as mudanças feitas nos últimos anos já tornaram a categoria mais competitiva.

O que para você seria um sonho como piloto ? E um pesadelo ?

Um sonho seria ser campeão mundial, a exemplo do meu pai. Um pesadelo seria fracassar profissionalmente, mas não existe a menor chance de isso acontecer.

Qual a importância de seu pai na sua evolução como piloto ?

Meu pai é extremamente importante na minha evolução como piloto em vários sentidos. Foi ele que me incentivou a ser piloto, foi ele que sempre investiu financeiramente na minha carreira, criando a Piquet Sports, pela qual competi na F3 Sul-Americana, F3 Inglesa e GP2 Series. E também aprendi com ele muitas coisas que demoraria anos para aprender sozinho nas pistas.

Defina com apenas uma frase :

F1: Sonho conquistado

Automobilismo: Paixão da minha vida

Piquet: Pai, amigo e incentivador

Senna: Um grande piloto

Emerson: Primeiro a colocar o Brasil entre os grandes do automobilismo.

Massa: Tem grandes chances de levar o Brasil ao título mundial.

Schumacher: Melhor piloto que vi correr.

Brasil: País maravilhoso.

Familia: Muito importante, principal apoio que temos na vida.

Religião: Fazer o bem.

Nelsinho Piquet: Batalhador e com grande futuro pela frente.

Nelsinho, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Betão

Fevereiro 16, 2007

 Alçado à equipe profissional por Wanderley Luxemburgo com apenas 17 anos, Betão pode ser considerado um veterano no clube. Prata da casa, o jovem zagueiro já atingiu a marca centenária com a camisa alvinegra. Líder dentro e fora de campo, Betão tem grande identificação com a torcida por sua inesgotável força de vontade.

Vamos a entrevista,

Betão, como iniciou sua carreira no futebol ?

Foi em 1994, quando meu pai foi levar meu irmão mais velho para fazer um teste no Corinthians, na ocasião eu tinha 10 anos, e para não ficar em casa chorando, meu pai acabou me levando junto, já que toda aposta estava no meu irmão que era habilidoso, atacante canhoto, e eu era baixinho e gordo. Mas graças a Deus estou aqui até hoje e infelizmente meu irmão desistiu.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

A primeira dificuldade foi justamente pelo fato de ser gordinho, e não conseguia acompanhar muito bem meus companheiros. E outras dificuldades como as que muitos passam, são as famosas “panelinhas”, quem chega sempre acaba sofrendo com isso. E o fato de perder um pouco a infancia, com os amigos de bairro, ja que do primeiro momento eu sempre levei muito a sério e me cuidava bastante.

Sofreu algum tipo de discriminação ou preconceito ?

Uma vez. Quando eu era da categoria “dente de leite”, fomos jogar em um campo em que o alambrado era muito próximo, quando eu fui cobrar um lateral, um cara encostou no alambrado e disse: “Quebra a perna desse macaco !!!”. Mas para azar dele estavam ao seu lado meu pai e meu tio.

Qual seu maior momento como jogador ? E o que prefere esquecer ?

Graças a Deus, para escolher um momento é dificil, tiveram varios:

- O dia em que joguei pela primeira vez como profissional e a torcida gritando meu nome.

- Meu primeiro clássico contra o Palmeiras.

- Quando marquei o gol contra o Santos ( Meu filho único ), rs

- Quando fui convocado para a Seleção Paulista.

- Quando fui Campeão Brasileiro, entre outros.

O momento para esquecer foi a nossa eliminação da Copa Libertadores da América, foi um dia inesquecível para todo corinthiano.

Qual a sua opinião sobre a atuação de empresários e procuradores no futebol brasileiro ?

Eu nunca tive nenhum problema com procuradores, estou com o mesmo a 6 anos ( Claudio Gadagno ), mas como em toda profissão existem os bons e maus profissionais.

Conhece algum caso que possa nos relatar sobre algum jogador que tenha sido lesado por esses empresários ?

A gente sempre escuta alguma coisa em respeito a isso, mas não sei até que ponto as coisas são reais.

Você é hoje uma liderança dentro do grupo do Corinthians. Como conquistou esse espaço ? Essa situação te acarreta mais problemas ou benefícios ? Por que ?

Na minha opinião um lider você não fabrica, e tão pouco se auto denomina. Na verdade quem é lider ja nasce com a liderança. Eu, por exemplo, desde a infância, no colegio, roda de amigos, sempre tomei a frente nas decisões e aqui no Corinthians, sou capitão praticamente desde 1997. Em todas as categorias de base fui capitão. As consequencias desse posto no profissional acarretam grandes responsabilidades, pelo lado positivo é que se tem um respeito por parte de todos, até mesmo por parte da imprensa. O lado ruim é que tudo o que acontece de problema internamente, o lider é sempre colocado como cabeça das decisões, mas nem sempre é assim.

Qual a real importancia de um treinador de futebol em um grupo de jogadores ?

O treinador é uma figura muito importante, porque, na minha opinião, a equipe é o reflexo do treinador.

Que treinador mais contribuiu para a sua evolução profissional ?

Aqui no Corinthians eu tive a oportunidade de trabalhar com os melhores treinadores do Brasil desde 2001. Então você acaba pegando o que tem de melhor em cada treinador e monta um “super-treinador”.

Qual seu maior ídolo como jogador ?

Não tive a oportunidade de jogar com ele, mas para mim o Gamarra é um exemplo de defensor.

Qual o jogador que te surpreendeu positivamente como amigo ? E negativamente ?

Carlitos, com certeza, me surpreendeu positivamente. E negativamente, nunca tive problema com qualquer jogador.

Qual foi o real motivo da greve de silêncio realizada pelos jogadores do Corinthians em 2006 ? Pessoalmente, você foi a favor ?

Todos os jogadores foram a favor em primeiro momento. Agora, o real motivo, nós sempre deixamos bem claro que não foi o fato que muitos disseram que estavamos perdendo os jogos e colocamos a culpa na imprensa, nunca, nenhum jogador disse isso. A verdade foi que alguns jornalistas estavam nos acusando de algo que nós não cometemos, colocando em jogo nosso carater. Por esse motivo fizemos a greve.

Qual a sua opinião sobre a parceria Corinthians-MSI ?

Em relação a parceria Corinthians-MSI, acredito que foi um bom negócio para ambas as partes, porem o andamento não esta sendo dos melhores.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?

Na verdade eu não diria sistema de desenvolvimento social ou distribuição de renda, mas a forma como são dadas as oportunidades no mercado de trabalho. Hoje nós vemos que as oportunidades são diferentes para aqueles que tem um nível social melhor, ou seja, nas periferias das grandes capitais existem grandes profissionais se formando que não tem uma oportunidade de mostrar seu potencial, em um hospital, em uma empresa, porém aquele que tem um nível social melhor ou são de familias “nobres” tem oportunidades melhores.

Em sua opinião qual foi o maior erro do governo Lula ? E o maior acerto ?

Não vejo, como muitos, que o governo Lula foi um fracasso. Eu não entendo muito sobre politica, mas acredito que por mais que o Presidente, seja lá quem for, tenha as melhores intenções, existem setores em que ele não pode mexer por forças maiores.

Qual a sua opinião sobre o jornalismo esportivo no Brasil ?

De um modo geral, o jornalismo esportivo é bom, mas o jornalismo voltado ao futebol deixa muito a desejar, pode melhorar e muito.

O que, em sua opinião, precisa ser melhorado na relação da imprensa com os jogadores de futebol ?

Infelizmente hoje em dia os jornalistas estão mais preocupados em fofocas e com polemicas, esquecendo de dar notícias sobre esporte em si. Acredito que o respeito profissional dos jornalistas em relação aos jogadores poderia melhorar, não misturando vida pessoal e profissional.

Quem melhor escreve sobre esportes no Brasil ?

Gosto muito do Fabio Salgueiro, do jornal Diário de São Paulo.

Qual o melhor narrador ?

Cleber Machado, da TV Globo

Melhor comentarista ?

Claudio Carsugui, Armando Nogueira, Leandro Quessada, Wanderley Nogueira.

Melhor programa de esportes ?

Esporte Espetacular.

Betão, o que pretende fazer quando encerrar a carreira ?

Gostaria de terminar meus estudos, que tranquei matricula na Faculdade de Fisioterapia, no 3° ano, e montar uma clinica com minha esposa. E alguns jornalistas ja me falaram para seguir como comentarista, quem sabe um dia…

Defina com apenas uma frase

Corinthians : Fronteira entre o amor e o ódio.

Carlitos Tevez : Um amigo inesquecível.

Futebol : Nem sempre o melhor vence.

Religião : Fazem da religião uma barganha.

Familia : O motivo para que eu não desista.

Seleção Brasileira: Objetivo a ser alcançado

Kia Joorabchian : Um grande investidor

Lula: Verdadeiro Campeão, da história, da vida.

Betão: Nasci aprendendo, cresci aprendendo e morrerei não sabendo tudo.

Betão, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Wanderley Nogueira

Fevereiro 9, 2007

 Wanderley Nogueira é apresentador e repórter esportivo da Rádio Jovem Pan-AM, desde 1977, integrante da equipe do “Mesa Redonda” da TV Gazeta de São Paulo, e colunista do Portal Terra.

Vamos a entrevista,

Wanderley, como você se descobriu jornalista ?

Desde garoto…acho que não conseguiria fazer outra coisa…sempre gostei disso.

Como foi o início de sua carreira ?

Com 16 anos…Rádio Marconi, Rádio Piratininga…não existem mais. Comecei fazendo reportagem policial…fiz politica, esporte, etc.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

Nenhuma dificuldade intransponível. Tenho sido muito feliz.

Qual a pessoa que mais contribuiu para o seu desenvolvimento profissional ?

Numa carreira de algumas decadas foram muitas as pessoas que ensinaram muitas coisas para mim…mas devo destacar o “seo” Tuta, Antonio Augusto Amaral de Carvalho, presidente da Jovem Pan. Ele ajuda o meu desenvolvimento profissional todos os dias.

Como foi o caminho até chegar a Jovem Pan ?

Entrei na JP em julho de 1977. Por indicação do saudoso Candido Garcia e com a aprovação do Dr. Paulo Machado de Carvalho. Ele ficou feliz quando soube que eu iria trabalhar na Jovem Pan.

Você criou um estilo único, irreverente, mas sempre com muita credibilidade. Quais foram suas influencias na profissão ?

Eu sempre fui assim…sou assim fora do ar. Tenho bom humor, sempre. Tento não misturar bom humor com irresponsabilidade. A credibilidade e o prestígio são fatores importantíssimos na vida de um jornalista.

Você ja foi desrespeitado em seu trabalho ?

Não, que eu me lembre não…

Qual o seu principal momento como jornalista ? E qual o que quer esquecer ?

Não tenho condições de citar um momento. Repito…tenho sido muito feliz e vivido grandes momentos marcados por grandes emoções profissionais. Até os momentos mais difíceis foram importantes para o crescimento.

Qual sua melhor entrevista ? Por que ?

Não tenho como citar…Imagine: Só como reporter especial de A GAZETA ESPORTIVA (12 anos) foram 4000 reportagens. Só na JP fiz até agora 3000 jogos. Não posso pontuar ” A Entrevista “.

Você ja foi censurado em seu trabalho ?

Não, nunca. Felizmente.

Qual a sua opinião sobre o atual jornalismo esportivo no Brasil ?

Acho que todos os jornalistas…de qualquer veículo (radio, jornal, tv, internet…) jamais deveria deixar de ter em mãos um gravador. Prefiro responder dessa maneira a sua pergunta…

Quais os seus projetos para o futuro ?

Todo dia é um dia diferente. Não há rotina. Esse é o futuro.

Prefere trabalhar no rádio ou na televisão ?

São dois veículos maravilhosos.

O que, em sua opinião, precisa ser melhorado no relacionamento da imprensa com o jogador de futebol ?

Os dois lados precisam entender que o entrevistador e o entrevistado tem o seu grau de importancia. Cada lado respeitando o outro…

Para você quem melhor escreve sobre esportes no país ?

Perdão…mas não gostaria de responder essa pergunta. Não concordo quando um jornalista se acha com bagagem suficiente para dizer quem é melhor ou pior na sua própria profissão. Acho falta de respeito. Todos tem seus méritos. Uns mais outros menos. Quando é uma votação secreta, ainda vai…mas publicamente, não. Só isso. Há uma passagem na Bíblia que diz que aquele que esta em pé tem que cuidar para não cair. E isso ja dá um trabalhão. É muito mais saudável deixar o público julgar e opinar sobre a condição profissional daquele que ocupa um microfone ou usa os teclados de um computador.

Qual o melhor programa de esportes ?

Há programas muito bons no rádio e na TV. E há também os dispensáveis.

Na sua opinião é viavel a realização de uma Copa do Mundo no Brasil?

Se o caderno de encargos da FIFA for levado a sério, o Brasil não tem condições de sediar o Mundial.

Qual foi o maior erro da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha ?

Achar que estava acima do bem e do mal…

Qual a solução que você indicaria para que o futebol brasileiro se torne tão profissional quanto na Europa ?

Trabalhar lentamente…acertando detalhes. Um por um. Exemplo: Não vender ingressos nos dias de jogos, punir os baderneiros, estádios limpos e organizados, etc…

Você conheceu algum dirigente que trabalhou para o futebol sem visar exclusivamente benefício próprio ?

Varios. Mas mesmo assim integram a minoria. Um nome: Paulo Machado de Carvalho.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?

O sistema democrático, com todas as suas deficiencias, ainda é o melhor. E resta rezar para que os parlamentares façam leis que ajudem o povo e parem de pensar em benefício próprio.

Em sua opinião, qual o maior erro do governo Lula ? E o maior acerto ?

Dizer que não sabia de nada. O maior acerto ? Só no final do oitavo ano…

Defina com apenas uma frase :

Jovem Pan : Tenho orgulho de trabalhar na Jovem Pan

Rádio : Grande emoção e muita informação

Televisão: Não se discute com imagem

Eduardo Farah: Centralizador

Ricardo Teixeira: Politico

Jornalismo: Indispensável

Família: Meu coração

Religião: Refletir é preciso

Lula: Ainda estou esperando

Wanderley Nogueira: Alguem que luta para não errar muito.

Wanderley, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Toquinho

Fevereiro 2, 2007

 Toquinho nasceu em São Paulo em 6 de julho de 1946.  Seu nome é Antonio Pecci Filho . Sua mãe  o chamava de “meu toquinho de gente”. E o apelido “Toquinho” permaneceu.

Vamos a entrevista,

Toquinho, quando começou a se interessar por musica ?

Sempre fui cercado de muita musica. Meu pai comprava discos de todos os gêneros, na década de 1950. Aí, surgiu meu interesse pelo violão, e veio a Bossa Nova, eu me envolvi com tudo isso.

De onde surgiu o apelido “Toquinho” ?

Eu crescia pouco na primeira infância. Então, minha mãe me chamava de “meu toquinho de gente”. E “Toquinho” foi ficando até hoje e para sempre.

Como e quando iniciou sua carreira ?

Foi durante a década de 1960, época em que o radialista Walter Silva (Pica-pau) passou a produzir muitos shows no Teatro Paramount, em São Paulio. Eu era do grupo de iniciantes, faziamos a primeira parte dos shows.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou no inicio ?

A década de 1960 foi muito rica artisticamente. Sempre houve espaços generosos para mostrar talentos e tempo para serem observados e avaliados. E tive sorte de me aproximar e me tornar amigo de gente que sabia mais que eu, assim aprendi muito, além de ganhar oportunidades importantes.

Quando descobriu o seu talento de compor ?

Foi inevitável. Do acompanhamento, passei para o solo no violão. Daí para a composição foi uma trajetória natural. É de 1964 minha primeira musica, com letra de Chico Buarque: “Lua Cheia”.

Quais foram suas influências musicais ?

Bem, o Paulinho Nogueira foi meu grande mestre, inesquecível ! Baden Powell era um ídolo que sempre persegui, pela força e pela limpeza do som. Edgard Gianullo e Oscar Castro Neves me ensinaram os segredos das harmonias. Dessa mistura toda fabriquei meu estilo.

Sua parceria musical com Vinicius de Moraes encantou o mundo pela qualidade das composições e pela maravilhosa musica. Qual o momento mais marcante dessa parceria ?

De uma parceria que durou 10 anos ficam muitos momentos marcantes. O início, com uma produção envolvente e avassaladora. Chegamos a gravar dois discos num ano. O grande prazer de ficarmos juntos, trabalhando e nos divertindo ao mesmo tempo. As viagens durante os shows dos Circuitos Universitários, as inumeras que fizemos pelo Brasil todo e na Europa também. Por fim, dois shows memoráveis: o do Canecão, em 1977, ao lado de Tom Jobim e Miúcha; e o dos Dez Anos de Parceria, em 1979.

Qual seu maior sucesso ?

Sem dúvida, “Aquarela” .

Qual sua composição mais pessoal ?

Tem algumas, “Canção para Mônica”, com quem fui casado durante alguns anos, mãe de meus filhos. “Ao que vai chegar”, feita antes de Pedro nascer. “Canção para Jade”, de rara inspiração, na letra e na melodia registrando toda atenção e todo o carinho de um pai para uma filha. E “Meu irmão”, feita para o João Carlos, num momento de muita emoção.

Você teve outras parcerias de destaque em sua carreira, quais as que te deram mais prazer em trabalhar ?

O prazer em trabalhar é imprescindível numa parceria. Do contrario, não sai nada. Trabalho muito com Mutinho, com quem fiz mais de 30 canções, inclusive as três primeiras citadas acima. Com Elifas Andreato desenvolvi o projeto “Canção para todas as Crianças”. Tem também os trabalhos para peças teatrais, com Giafrancesco Guarnieri, e , mais recentemente, com Paulo César Pinheiro. Há aquelas parcerias que podem se renovar a qualquer momento, com Chico Buarque, Paulinho da Viola, Carlinhos Vergueiro… E uma extensa produção junto com os italianos Maurizio Fabrizio e Guido Morra, proporcionando-me uma grande popularidade na Itália.

Você é idolatrado e amado em varios lugares do mundo. Em que lugar se sente mais querido ? Por quê ?

A Itália é o pais que me projetou internacionalmente, principalmente com o sucesso de “Aquarela”. Adoro sua gente, suas cidades, seus costumes. Lá me sinto em casa.

Quais seus próximos projetos ?

O lançamento do Kit (CD e DVD) “Passatempo”, com músicas que influenciaram minha formação, que eu ouvia nas decadas de 50 e 60, como “Labios que beijei”, “El dia que me quieras”, “Balada triste”, entre outras.

Toquinho, você sempre foi muito ligado ao futebol, qual a sua opinião sobre o atual estágio do esporte no Brasil ?

Atualmente, no Brasil, e nunca é tarde, começa-se a perceber que a organização de calendários e uma administração adequada podem proporcionar ao nosso pais conquistas definitivas, a confirmar tudo o que ja se alcançou na base da improvisação e do talento e da força de vontade dos atletas.

Sua paixão pelo Corinthians é conhecida e ja virou até musica, acompanha todos os jogos ?

Assisto, torço, sofro e vibro dependendo da inspiração do time…

O que fazer para que o Corinthians volte a ter seus dias de glória ?

Uma administração mais flexivel, democrática, transparente e eficiente, e “fabricar” jogadores, que sempre foi o forte do Corinthians.

Qual a sua opinião sobre a parceria Corinthians-MSI ?

Não se pode opinar sobre algo que até hoje não se definiu.

Qual o seu maior ídolo no futebol ?

Roberto Rivellino

Qual o jogo que mais te marcou ? E qual o que quer esquecer ?

O que marcou foi Corinthians 1×0 Ponte Preta, em 1977. Pra esquecer: Argentina 1×0 Brasil , na Copa de 1990, na Itália.

Na sua opinião qual foi o maior erro da Seleção Brasileira na Copa de 2006 ?

Faltou determinação somada a alguns talentos desgastados.

O que achou da experi~encia que teve de ser comentarista da Bandeirantes em uma Copa do Mundo ? Tem vontade de fazer novamente ?

Foi uma linda e emocionante experiência. Formamos, na época, uma autentica família. Trabalhamos e nos divertimos em todos os sentidos.

Qual sua opinião sobre a imprensa esportiva no Brasil ?

Competente, com boa dose de credibilidade.

Quem melhor escreve sobre esportes ?

Há dois grandes mestres : Armando Nogueira e Claudio Carsughi.

Melhor comentarista de futebol ?

Gosto do Casagrande, simples e objetivo. E do Flávio Prado, irredutível.

Melhor narrador ?

Luciano do Valle e Nilson César

Melhor programa de esportes ?

Há muitos bons, não da para ressaltar nenhum.

Toquinho, você foi perseguido pela ditadura ? Que problemas isso te causou ?

Procuro não me envolver com politica. Mas tive muitos amigos perseguidos, e isso doia e preocupava.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa ?

Acho que não depende tanto do sistema, mas da honestidade e da integridade de quem se dispõe a desenvolver qualquer projeto nesse sentido.

O que deu certo no governo Lula ? E o que deu errado ?

O controle da inflação, o aumento da renda dos mais pobres com os programas sociais, são coisas que deram certo; precisamos crescer mais, ter uma economia mais pujante e , sobretudo, acabar com a impunidade dos politicos, cuja atuação no primeiro mandato de Lula foi verdadeiramente vergonhosa.Um presidente precisa cuidar de sua própria assessoria para poder cuidar bem de um país.

Defina com apenas uma frase :

Vinicius de Moraes : Poeta de cada segundo

Luciano do Valle : Incansável pioneiro

Corinthians : Paixão

Sócrates : Inteligência desconcertante

Lula : Gosto do Lulinha, camisa 10 dos juniores do Timão

Familia : Necessária

Religião: Opção

Compor: Prazer

Toquinho: Violão

Toquinho, muito obrigado pela entrevista

Toquinho – artista exclusivo Circuito Musical

Tel/Fax: (11) 5071.9555

circuito@circuitomusical.com

Entrevista com Oscar Schimidt

Janeiro 27, 2007

 Oscar Schmidt é o maior jogador da história do basquete brasileiro e um dos maiores do basquete mundial , é detentor do recorde mundial de pontuação nesse esporte. Oscar atualmente se dedica a condução do recém criado Campeonato da Nossa Liga de Basquete.

Vamos a entrevista,

Oscar, quando descobriu que tinha aptidão para o basquete ?

Aos 13 anos,no Unidade de Brasilia.

Como foi o inicio de sua carreira ?

Por sugestao do meu tio Alonso fui ao Unidade e graças ao Zezão me apaixonei
pelo basquete,mesmo treinando numa quadra de cimento descoberta,ja treinava
duas vezes por dia ,quando todos treinavam 3 vezes por semana.

Quais as maiores dificuldades que enfrentou ?

Foram em São Paulo, no Palmeiras, aos 16 anos ,passei 6 meses sem ver um
centavo, não tinha dinheiro nem para o ônibus da escola de manha,até que o
Dr. João Marino ficou sabendo e me adotou. A outra maior foi aos 17 anos
quando rompi o ligamento do tornozelo e separação da tibia com a
fibula, perdi um ano de carreira, talvez até não voltasse a jogar mais, no
entanto,conheci nesse periodo a parte mais importante da minha vida, minha
esposa Cristina.

Quem te deu o apelido de “Mão Santa” ?

Juarez Araujo, da Gazeta e Alvaro José, da Band.

Para você qual foi o segredo do seu sucesso ?

Treino, treino, treino, e no descanso, mais treino.

Qual o treinador que mais contribuiu para a sua evolução ?

Claudio Mortari no clube e Ari Vidal na selecão.

Qual a maior alegria que o basquete te proporcionou ? E qual a maior
tristeza ?

Alegria foram o mundial de clubes de 79 e o pan de 87.
Tristeza…acho que fui um privilegiado de poder ganhar minha vida jogando
basquete, falar de tristeza e muito egoismo.

Que esporte praticaria se não jogasse basquete ?

Fiz um ano de natacão e, é claro, era um excepcional perna de pau no
futebol, mesmo assim, como bom brasileiro, jogaria futebol.

Quantos pontos fez na vida ?

49.737 em 1.615 jogos – 30,7 media no profissional e
4.408 em 167 jogos – 26,3 media no amador.
Contas minhas é claro, infelizmente não ha estatistica mundial para isso.

Se arrepende de não ter ido jogar na NBA ?

Não, porque deixaria de jogar na selecão para sempre, e a selecão brasileira
foi aquilo que mais tive prazer de fazer na minha vida.

Como foi enfrentar o Dream Team ?

Sensacional, o primeiro é claro, ver todos meus idolos juntos foi algo
insuperavel.

Quais os jogadores da NBA que declararam publicamente a admiração por você ? Como se sentiu ?

Foram todos muito simpaticos comigo, claro que ver o Kobe Briant falar que se
espelhou em mim, porque cresceu me vendo jogar, foi algo inesperado e bastante
recompensador.

Qual o maior jogador que viu jogar em sua vida ?

Michael Jordan, Magic Jonhson e Kobe Briant, mas meu idolo era o Llarry
Bird, não pulava, não corria, parecia um pato e jogava tão bem quanto os
superatletas.

Como escalaria a sua seleção de todos os tempos ?

Magic, Jordan, Kobe, Shack e Bird

Você participou de 5 Olimpiadas e foi o cestinha de 3 delas. Qual foi a sua
Olimpiada inesquecível ? Por que ?

A primeira, você nem acredita que esta la, é algo sem adjetivos, ainda mais em
Moscou 1980.
A que joguei melhor foi seul 88 e foi a que mais tivemos chance, até de ser
campeões.

Você recebeu inumeros prêmios e homenagens durante e depois que encerrou a
carreira , quais os que mais te emocionaram ?

Dificil dizer, mas a Ordem Olimpica (só três no Brasil tem).
Melhor Atleta Latino do Mundo (das mãos do Rei Juan Carlos da Espanha).
Ser eleito pelos torcedores americanos como um dos 5 melhores atletas
estrangeiros, sem nunca ter jogado nos Estados Unidos.
Ser incluido em uma publicação do Hall da Fama como um dos 5 melhores
estrangeiros nos 100 maiores jogadores da história, onde 95 eram americanos.
A medalha de ouro pessoal que a Hebe Camargo me deu após a Olimpiada de
Atlanta.

O que foi o Pan de 1987 para você ? O que pensou ao final da partida contra
os USA ?

O Pan foi aquilo que recompensou uma geração inteira, sonhamos e nos
preparamos muito para esse momento, sobretudo eu e Marcel.
Se você vê o final do jogo, a gente nem se abraça, fica cada um pulando para
um lado, parecia que não estava acontecendo.

O que mudou na sua vida pessoal sua passagem pela Europa ?

Fui para la recém casado, apenas para tentar ganhar um pouco mais, ja que não
queria ir para a NBA.
Voltei de la após 13 anos, com dois filhos maravilhosos, com um casamento cada
vez mais lindo, falando 4 linguas e com um patrimonio maior.

Dos clubes que atuou em sua vida, qual o que mais se identificou ?

Corinthians e Flamengo.

Como observa o atual estado do basquete brasileiro ?

Ruim, quer dizer, péssimo.
Não se ve nenhuma revolta, as pessoas tem receio de se posicionar, falam muito
na obscuridade, mas na hora “H” não fazem nada.
Frustante e deprimente.

Como se iniciou a ideia de fundar a Nossa Liga ?

A Liga é um movimento de protesto, se tudo estivesse bem não haveria essa
necessidade.
Nasceu da insatisfação de todos para com a CBB.

Quais os principais objetivos da liga ?

Fazer com que os clubes sejam os verdadeiros donos do campeonato, otimizando
custos e jogando segundo suas necessidades.
Mostrar a todos como é que tem que ser feito o esporte, com transparência, com
contratos abertos, sem perpetuacão no poder.
Sobretudo abrindo espaço para que os clubes do norte-nordeste (de onde
sairam inumeros ótimos jogadores) possam jogar uma competição nacional, coisa
que, no modelo anterior da CBB era impossivel.

Quem apoia a ideia e quem a dificulta ?

Apoia quem não tem necessidade de parceria com o poder, dificulta quem acha
que pode ter alguma vantagem com alguma parceria com o poder.

Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior
desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa?

Acho que a democracia com um investimento gigantesco na educacao seja a
unica solução para o nosso Brasil.

O que deu certo no Governo Lula ? E o que deu errado ?

De certo, pagamos dividas externas, autonomia no petróleo,dentre tantas outras
coisas. De errado, a corrupção desenfreada, que fez todos se decepcionarem com
o PT.

Qual a sua opinião sobre a imprensa esportiva do Brasil ?

Acho ótima, bastante informativa, muita opção para o publico. Daquilo que vi na
Europa e USA, estamos na frente, informamos mais. Da pra ver isso no Mundial de
Futebol e nas Olimpiadas.

Quem melhor escreve sobre esportes no pais ?

Seria uma injustiça nomear um só, temos muitos otimos jornalistas no Brasil.

Melhor programa de esportes ?

Mesma coisa.

Defina com apenas uma frase:

Nossa Liga: Revolução.
CBB: Deveria ser respeitada, infelizmente não é.
Seleção Brasileira: Sonho de infancia dos meninos de ontem.
NBA: Sonho de hoje.
Familia: Tanque de guerra, nos protege de tudo e de todos.
Religião: Confiança, apoio.
Pan de 1987: Inigualável, inatingivel, marco do basquete mundial.
Lula: Espero que tenha aprendido com seus erros, todos torcem para isso.
Oscar Schmidt :

Oscar, muito obrigado pela entrevista

Entrevista com Roque Citadini

Janeiro 18, 2007

Antônio Roque Citadini é conselheiro do TCE-SP desde 1988. Entre 2000 e 2004 foi vice-presidente do Corinthians. Citadini também fez carreira editorial. Tem cinco livros lançados e é co-autor de outros dois. O último “Neco, o Primeiro Ídolo” foi lançado em 2001 e é o único com temática voltada para o futebol. Os outros são livros ligados ao Direito e à Política. 

Vamos a entrevista, 

Citadini, quando e como surgiu a ideia de seu nome para comandar o futebol do Corinthians  ?

O time vivia uma grande crise  no segundo semestre de 2000.Fui então convidado pelo presidente Dualib. Aceitei e fui em frente.

Qual a maior dificuldade que encontrou na época ?

Existe um preconceito no mundo do futebol. Todo dirigente deve ser como bicheiro: camisa aberta,palito no dente,portugues caótico e com linguaguem de boleiro.Quando cheguei, como não preenchia a fórmula passaram a me chamar de folclórico etc.etc.

Qual sua maior realização no periodo em que esteve no comando do futebol ?

Creio que sempre fui um dirigente profissional. Não dava palpite na esclação do time,mas cobrava planejamento da comissão técnica  e execução dos trabalhos.

Qual seu maior erro ?

Uma certa ingenuidade para entender o mundo de interesses que se vive no futebol.

Quais os  jogadores que para você foram uma surpresa positiva fora de campo ? E negativa ?

Sempre tive uma relação cordial e distante com o elenco. Não ia ao bar tomar cerveja com jogadores ,mas tinha uma relação profissional.

Qual sua maior alegria nesse periodo ?

Muitas. Ganhamos em 3 anos e meio 4 titulos e fomos duas vezes vice.

E a maior decepção ?

Sempre suportei bem as derrotas. Não fico chorando.

A pergunta que não quer calar : Quem você esta apoiando como candidato  para a Presidencia do Corinthians ?

Nos teremos eleições em 2009 . Até lá muita agua vai rolar.

Quais os maiores erros da administração atual ?

O mais grave erro do Corinthians é essa parceria terrível.

Quais os maiores acertos ?

Os acertos foram apagados por essa parceria .

Na sua opinião, o que pode mudar com a vitoria da chapa da oposição nas eleições para o conselho do clube ?

Vamos ver o que mudará. Os dois grupos apoiam a parceria.

Tem alguma novidade sobre as investigações sobre a parceria do Corinthians ?

Seii que a investigação continua. Esperamos que seja encerrada logo.

Quando e porque você se convenceu que a parceria não seria benefica para o clube ?

O contrato é ruim e os parceiros são piores ainda.

Qual a sua opinião sobre o projeto da Cooperfiel de construir um Estadio para o clube ? É viavel ? É legal ?

Pouco conheço. Sei apenas o que esta no sitio.

Qual a sua opinião sobre o atual jornalismo esportivo no Brasil ?

O jornalismo desportivo é uma das maiores decepções que tive no mundo do futebol. Retrogrado,reacionario um mundo em descompasso com a riqueza do nosso futebol.

Na sua opinião quais são os jornalistas de maior credibilidade ?

São poucos jornalistas a quem dou crédito.Sinto-me constrangido de citar pelo número tão pequeno.

Qual o sistema que considera ideal para que o Brasil comece a trilhar caminhos socialmente mais equilibrados com uma distribuição de renda mais justa?

Programas de longo prazo mudam o pais. Nós estamos mudando na educação e na saude.

Na sua opinião o que mudou na maneira de pensar e de agir do Presidente Lula ? Porque ?

Como sou conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo estou impedido de dar opinião politica.

O que vale a pena assistir hoje na televisão brasileira ?

Gosto de ver esportes.

Na sua opinião quem melhor escreve no Brasil sobre esportes?

Leio tudo. Bom e ruim.

Qual o melhor comentarista ?

Há um número interessante de comentaristas.

Melhor programa de TV sobre esportes ?

Gosto dos programas de debates esportivos do tipo mesa redonda.

Melhor narrador ?

Gosto de narrador que não grita.

Defina em apenas uma frase :

Corinthians : Paixão
Imprensa : No esporte,um atraso
Alberto Dualib : Um presidente vitorioso que fez uma péssima parceria.
MSI : Não existe
Lula : Presidente
Familia : Instituição  que apresenta a mais radical mudança nestas últimas décadas.l
Mundial de Clubes da FIFA : O máximo.
Copa Toyota: Uma Taiwan no esporte. Vai desaparecer.
Roque Citadini : Uma paixão pela briga.

Citadini, muito obrigado pela entrevista

Entrevista com Jota Junior

Janeiro 15, 2007

Jota Junior é uma lenda da narração esportiva brasileira, fez parte da grande e inesquecível equipe de esportes da Band nos anos 80 e 90 e hoje continua exercendo sua função com maestria na Sportv.

Vamos a entrevista,

Jota, você fez parte de uma equipe que marcou época na televisão brasileira, a equipe de esportes da Band das decadas de 80/90, como surgiu a ideia da formação dessa equipe e como você foi convidado a fazer parte dela ?

O projeto SHOW DO ESPORTE do Luciano do Valle começou na Record em 83 e depois levado para a Band a partir de janeiro de 84. Eu estava na Bandeirantes quando Luciano chegou e já fazia transmissões pela TV Band além da Rádio Bandeirantes. Luciano me convidou pra ficar só com ele na tevê e aceitei.

O que te marcou positivamente e negativamente nessa época ?

Tudo foi positivo durante os quase 15 anos que durou o SHOW DO ESPORTE com Luciano à frente. Só aprendi e cresci profissionalmente.

Qual sua maior realização como profissional ?

Sempre sonhei em ser um profissional de rádio. Depois veio a televisão. Me considero realizado na carreira só de conseguir viver dela.

Qual sua maior decepção ?

As decepções são as pessoas que não respeitam a profissão e os colegas. E há muitos, inclusive em chefias. Concorrência desleal é horrivel e isso me decepciona muito.

Como você se descobriu jornalista ? Quando começou a narrar jogos ?

Meus pais contam que desde pequeno comecei a ouvir futebol no rádio e depois “narrar” jogando botão. Narrar pra valer foi a partir de 1969 em Americana, minha cidade. Me iniciei transmitindo jogos dente-de-leite.

Qual a maior dificuldade de um narrador de futebol ?

Acho que a maior dificuldade é encontrar o próprio caminho, o estilo próprio. A gente se espelha em alguém, o que é natural, mas depois tem que achar o seu modelo de relatar.

Qual a sua opinião sobre o atual jornalismo esportivo no Brasil ?

Nosso jornalismo esportivo é bom, desde que não beire às raias da irresponsabilidade. Há que fazer um trabalho leve, suave, descontraído, mas sem arranhar a integridade de quem compõe o mundo do esporte.

O que você jamais faria como jornalista ?

Como jornalista jamais iria contra os fatos e a veracidade deles. Fidelidade à informação é fundamental.

Qual o sistema que considera ideal para que o Brasil comece a trilhar caminhos socialmente mais equilibrados com uma distribuição de renda mais justa?

Além dos caminhos politicamente corretos, é necessário que os homens públicos respeitem mais o dinheiro dos impostos(que vem do povo) e o apliquem com objetividade e seriedade. O politico brasileiro precisa fazer menos “politica” e trabalhar duramente na resolução das questões sociais.

Na sua opinião o que mudou na maneira de pensar e de agir do Presidente Lula ? Porque ?

 Lula mudou porque sentou-se à cadeira do poder e também porque ficou mais velho e perdeu a vigorosidade oposicionista que detinha antes. O que ele combatia antigamente, acabou vendo que resolver não é tão fácil como lhe parecia.

Quais as suas maiores decepções na area politica e qual o politico que o surpreendeu positivamente ?

As decepções na área politica ficam por conta do BLÁ BLÁ BLÁ dos homens públicos e dos escândalos verificados em todos os segmentos. Positivamente, os poucos que ainda têm a noção do ridiculo e tentam consertar os bastidores politicos.

O que vale a pena assistir hoje na televisão brasileira ?

Dificil enumerar o que é bom de se ver na televisão porque os gostos variam. Particularmente, vejo de tudo um pouco(até por ser o veiculo da minha profissão) e sou muito critico ao analisar.

Na sua opinião quem melhor escreve sobre esportes no Brasil ?

Temos vários bons escribas do esporte: Renato Mauricio Prado, Armando Nogueira, Juca Kfouri
.
Qual o melhor comentarista ?

Respeito a todos os comentaristas, mas não aprovo os que fogem da racionalidade dos argumentos e buscam o sensacionalismo. Prefiro os contidos e técnicos.

Melhor programa de TV sobre esportes ?

Não saberia dizer qual o melhor programa de esportes da televisão. Todos têm os pontos positivos e negativos.

Melhor narrador ?

Não creio que haja o “melhor narrador”. Cada um tem o seu valor num ou outro quesito.

Se inspirou em algum narrador no inicio de carreira ?

Na televisão, não. No rádio ouvia muito Vanderlei Ribeiro, Marco Antonio, Pedro Luís, Jorge de Souza e tantos outros. Peguei um pouquinho de cada.
Defina em apenas uma frase:
Bandeirantes : Uma casa de trabalho onde me senti muito bem durante 19 anos.
Luciano do Valle : Um baita comunicador e uma ótima pessoa.
Sportv :  Ótimo ambiente de trabalho e o canal mais importante de esporte do Brasil na atualidade.
Jornalismo : Uma das profissões mais dificeis, pela responsabilidade social que tem.
Narrador : É o relator do evento, onde na tevê é apenas um coadjuvante, mas no rádio é a peça principal.
Brasil : Ainda vai ser o exemplo maior para o mundo.
Lula : Bem intencionado, mas sem gabarito para administrar uma máquina tão grande como a nossa.
Pelé : Uma das figuras humanas mais sensiveis que conheci.
Jota Junior : sei lá………..
Jota, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com o Fiori

Janeiro 11, 2007

  Fiori foi ex-árbitro da Federação Paulista de Futebol, é investigador de Polícia e autor do Livro “A República do Apito” onde relata a verdade sobre os bastidores do futebol paulista e nacional.

Vamos a entrevista,

BLOG : Fiori, parabéns pelo lançamento do seu livro “A Republica do Apito” quando e como teve a idéia de escreve-lo ?

FIORI : A idéia de escrevê-lo surgiu desde antes de parar com a arbitragem de futebol, isto em 1992 após lutar pela independência dos árbitros.

BLOG : Na sua opinião qual é a maior contribuição que o seu livro pode dar para os seus leitores ?

FIORI : Esclarecer as mazelas existentes no mundo obscuro dos bastidores do futebol, quem o ler, devera multiplicar por 1000 tudo que estiver inserido.

BLOG : Qual sua maior dificuldade ao escrevê-lo ?

FIORI : Tomar cuidado para evitar processos , pois a verdade neste país de leis porem de pouca moral e ética,é condenação na certa.

BLOG : Achei o livro realmente corajoso,mesmo tomando cuidados não teme sofrer processos ?

FIORI : Não e lhe garanto que minha condenação seria o de me omitir e ter o Tribunal de minha consciência a me julgar, por não transmitir O QUE VÍ, O Que LI e O QUE Ouvi, pois sempre disse tudo nos corredores do futebol e no sindicato da categoria.

BLOG : Em que período foi arbitro de Futebol ?

FIORI : De 1972 ao ano de 1992, com intervalos proporcionados pelos dirigentes da federação e do sindicato, por minhas posições independentes e claras.

BLOG : Qual foi o jogo que mais te marcou como arbitro ?

FIORI : Foram dois momentos diferentes:
Em 1977 ao inicio de minha carreira quando arbitrei a final da Taça São Paulo de Futebol Júnior entre S.C.Corinthians Paulista vs Internacional de Porto Alegre.
Quando de minha despedida em 1992 na partida amistosa realizada no Estádio Oswaldo Teixeira Duarte (CANINDÉ) PORTUGUESA DE DESPORTOs vs LÁZIO – equipe do futebol italiano.

BLOG : Qual a sua maior decepção com o mundo do Futebol ?

FIORI : Varias com espaço curto para numerá-las.

BLOG : Na época que apitava conheceu alguém que trabalhou para o bem do futebol sem visar beneficio próprio?

FIORI : É difícil de lembrar.

BLOG : Quais os piores dirigentes que conheceu na vida ? Por que ?

FIORI : Muitos porem destaco os que ao meu ver usaram do futebol e nada aconteceu.
Eduardo José Farah ex-presidente da FPF, que infelizmente recebeu o Titulo de Cidadão Paulistano. E o presidente da CBF
Ricardo Teixeira que também foi premiado por nossos vereadores com o Titulo de Cidadão Paulistano. Em minha opinião Isto É UMA VERGONHA.

BLOG : Qual a sua opinião sobre a relação da imprensa com a corrupção ?

FIORI : Cara, em meu entender há trabalhadores da imprensa e empresas envolvidos nestes esquemas e que também levam vantagens em detrimento da verdade.

BLOG : Quais os jornalistas que na sua opinião são dignos de credibilidade ?

FIORI : No jornalismo esportivo destaco entre outros o Trajano, Jorge Kajuru e o Dr.Osmar de Oliveira.

BLOG : Qual a sua opinião sobre o atual quadro político brasileiro ?

FIORI : Uma verdadeira casa de ninguém onde todos levam vantagens em detrimento do povo que é a maioria e é conduzida como gado.

BLOG : Qual político mais te decepcionou e qual o que te surpreendeu positivamente ?

FIORI : A decepção ficou por conta de todos os pseudo-s político ideológico do ex-partido da moralização o PT e o deputado e presidente da Câmara Federal Aldo Rabelo.
Positivamente: o senador Jéfferson Perez e o deputado Fernando Gabeira

BLOG : Você tem alguma informação sobre o caso do afastamento de José de Assis Aragão da administração do Pacaembu ?

FIORI : Tristemente nós que pagamos nossos impostos somos obrigados a engolir o chamado processo administrativo em que o apurado não é levado ao nosso conhecimento e pelo que foi noticiado pela imprensa o afastamento ocorreu por péssima administração.
E como pagador de impostos exijo e imploro explicações.

BLOG : Já ouviu algo a respeito da possível influencia do Deputado Aldo Rebelo no caso ?

FIORI : Sim nas esquinas que circundam o prédio da federação na Barra funda é o que se comenta.

BLOG : Por que árbitros como você, Dulcidio entre tantos outros eram tão perseguidos na FPF ?

FIORI : Em meu caso por não compactuar com dirigentes e políticos que usam do futebol e se aproximam dos árbitros, se locupletam e o povo “Ó”.
No caso do Dulcidio, por ter opinião, sempre defendeu aos árbitros com força física, mandou vários dirigentes tomarem conta de seus clubes e por isto nunca foi indicado para a FIFA .

BLOG : Qual o melhor arbitro do Brasil na sua opinião ?

FIORI : Não há nomes de destaque .

BLOG : Quais os melhores que já viu atuar ?

FIORI : ROBERTO GOICOCHEA – árbitro argentino.

Defina em uma frase :

Eduardo Farah : “ESPERTO”

Aldo Rebelo: DECEPCIONANTE

Família: TEMOS QUE REENCONTRAR ESTA BELEZA QUE O ALICERCE DA NAÇÃO.

Futebol: ALMEJADO POR MUITOS, CONQUISTADO POR POUCOS

Arbitragem: REPRESENTAR AS LEIS DO JOGO COM INDEPENDÊNCIA

FPF :MUITOS USAM-NA EM PROVEITO PRÓPRIO

Dirigentes: VÁRIOS APROVEITADORES DA ILUSÃO FÉ DE UM POVO

Fiori: UTÓPICO E LEAL AOS QUE JAMAIS VENHAM A TRAIR OS OBJETIVOS DA DIGNIDADE, DA ÉTICA E DO CAMINHAR MAIS PRÓXIMO DA LINHA HONESTIDADE.

Fiori, muito obrigado pela entrevista.

Entrevista com Juca Kfouri

Janeiro 11, 2007

 56 anos, 36 de profissão, formado em ciências sociais pela USP. Diretor das revistas Placar (de 1979 a 1995) e da Playboy (1991 a 1994). Comentarista esportivo do SBT (de 1984 a 1987) e da Rede Globo (de 1988 a 1994).

Participou do programa Cartão Verde, da Rede Cultura, entre 1995 e 2000 e apresentou o Bola na Rede, na RedeTV, entre 2000 e 2002. Voltou ao Cartão Verde em 2003, onde ficou até 2005, além de ter sido contratado recentemente pela ESPN-Brasil para participar do programa Linha de Passe.

Foi colunista da Folha de S.Paulo entre 1995 e 1999, quando foi para o diário Lance!, onde ficou até voltar, em 2005, para a Folha. Apresentou o programa de entrevistas na rede CNT, Juca Kfouri ao vivo, entre 1996 e 1999. Colunista de futebol de “O Globo” entre 1989 e 1991 e apresentador, desde 2000, do programa CBN EC, na rede CBN de rádio.

Escreve diariamente no Blog do Juca uma referencia entre os Blogs esportivos do pais.

Foi criada no Orkut uma comunidade intitulada “Fãs de Juca Kfouri” que hoje possui mais de 5000 membros.

Vamos a entrevista,

BLOG : Juca, um doa momentos mais marcantes do jornalismo brasileiro foi a denuncia da Mafia da Loteria pela revista Placar nos anos 80. Como foi o seu primeiro contato com essa informação ?

JUCA : Veio de uma provocação feita pelo diretor de Placar MIlton Coelho da Graça, ainda antes que eu assumisse a revista. Ele era um jogador inveterado e tinha certeza de que havia alguma coisa muito estranha acontecendo com a Loteria Esportiva.

BLOG : Depois que as denuncias foram publicadas o que de fato aconteceu com os denunciados ?

JUCA : Foram desmoralizados, mas ficaram impunes.

BLOG : Você teve uma ativa participação nos movimentos politicos na epoca da ditadura, o que mais te da orgulho de ter feito e qual a sua lembrança mais triste dessa epoca ?

JUCA : Ter ajudado a tirar do país patriotas que eram perseguidos pea ditadura e o assassinato de meu compadre Norberto Nehring, morto nos poróes do DOI-CODI.

BLOG : Na sua opinião porque o presidente Lula mudou tanto a maneira de pensar ?

JUCA : Porque deslumbrou-se com o poder.

BLOG : Qual o sistema que considera ideal para que o Brasil comece a trilhar caminhos socialmente mais equilibrados com uma distribuição de renda mais justa?

JUCA : O parlamentarismo.

BLOG : Se tivesse que apostar em alguem capaz de fazer o Brasil trilhar novos caminhos em quem apostaria ?

JUCA : Infelizmente, hoje, não vejo ninguém, embora acredite que possa existir alguém.

BLOG : Quais as suas maiores decepções na area politica e qual o politico que o surpreendeu positivamente ?

JUCA : O segundo mandato de FHC e o Lula. O Teotonio Vilela.

BLOG : Qual a sua visão do atual jornalismo esportivo no Brasil ?

JUCA : Sem independência na TV, com exceção da ESPN-Brasil, sem inteligência no rádio e com ilhas de excelência na imprensa escrita e nos blogs.

BLOG : Quais os jornalistas que são referencia de etica e imparcialidade para você ?

JUCA : São tantos que é melhor nem citar porque sempre se esquece de alguém.

BLOG : O que você jamais faria como jornalista ?

JUCA : Curvar-se diante dos poderosos e propaganda.

BLOG : Qual o seu maior momento como profissional?

JUCA : Acho que foi ter descoberto a identidade do Carlos Zéfiro.

BLOG : O que vale a pena assistir hoje na televisão brasileira ?

JUCA : Pouca coisa.

BLOG : Quem melhor escreve no Brasil sobre esportes?

JUCA : Tostão.

BLOG : Qual o melhor comentarista ?

JUCA : PVC.

BLOG : Melhor narrador ?

JUCA : Milton Leite.

BLOG : Melhor programa de TV sobre esportes ?

JUCA : Histórias do Esporte, da ESPN-Brasil.

Defina com apenas uma frase:

Jorge Kajuru: Verdadeiro compulsivo.
Sócrates: O jogador mais original da história do futebol.
Pelé: O melhor de todos os tempos com a bola nos pés.
Corinthians: Uma paixão que não se explica, se sente.
Filhos: Melhor só netos.
Jornalista: Fiscal do poder.
Religião: A razão da maioria das guerras.
Brasil: Um gigante curvado.
Juca Kfouri: Desesperar jamais!

Juca, um abraço e muito obrigado pela entrevista.